Num dia quente de verão, repleto do aroma de ervas e flores, passeava a pequena Ratinha Francisca pela clareira da floresta. Ela colhia flores para fazer um ramo e, de repente, viu na estrada uma espiga de trigo.
A Ratinha Francisca apanhou-a, examinou-a, e estava completamente cheia de grãos dourados e rechonchudos, do caule até ao topo. A pequena Ratinha levou-a juntamente com as flores para a sua toca, que ficava no outro lado da clareira da floresta. Lá ia ela, curvada sob o peso da espiga, quando encontrou o coelhinho medroso Orelhas Compridas.
Olhou para o esforço da ratinha e disse:
Ei, Ratinha Francisca, para que queres essa espiga tão pesada? Não a leves, não te esforces tanto. Deita-a fora!
A Francisca olhou para o Orelhudo com um olhar de reprovação e disse:
Não, não vou deixar a espiga, não a vou deitar fora, ainda me vai ser muito útil.
E continuou o seu caminho com a sua carga pesada. Ia andando, andando, e, de repente, viu num alto pinheiro frondoso o esquilo Cauda Felpuda sentado, a roer nozes e pinhas.
O esquilo também viu a Francisca e disse:
Ratinha, a espiga é tão pesada, tão grande, deve ser difícil carregá-la, larga-a, assim será mais fácil caminhar.
Não, não vou largar.
Disse a Ratinha com voz cansada, e continuou o seu caminho em direção à sua toca acolhedora. Durante muito tempo ainda caminhou a pequena Francisca pela clareira, cansada. Entrou na sua toca, descansou um pouco, pegou num dispositivo especial para debulhar, debulhou a espiga e todos os grãos caíram.
Ela peneirou-os, deitou-os no moinho, moeu os grãos — saiu farinha. A farinha que a Francisca obteve era branquinha, fofinha. Ela pegou num punhado de manteiga, ovos, açúcar e amassou a massa. A ratinha acendeu o forno, cozeu da massa empadas com vários recheios: de framboesa, de nozes, de cogumelos, de queijo…
As empadas ficaram coradinhas, apetitosas e aromáticas. O cheiro sentia-se por toda a floresta. Depois, a Ratinha Francisca preparou chá de ervas silvestres, pôs a mesa e convidou para visitá-la o Coelhinho Orelhas Compridas e o Esquilo Cauda Felpuda.
Eles ficaram muito surpreendidos:
Francisca, de onde vêm estas iguarias?
Tudo isto vem daquela espiguinha.
Respondeu-lhes a Ratinha.
Eu trabalhei, não fui preguiçosa, e as empadas são o resultado do meu trabalho. Sirvam-se e pensem bem, lembrem-se de como me tentaram convencer a desistir da valiosa espiga, sem a qual não teriam resultado estas empadas tão saborosas e aromáticas.
Nas palavras da pequena Ratinha soava uma grande sabedoria sobre como todo o trabalho é recompensado e nunca é em vão. E é especialmente valorizado aquilo que se faz por si próprio, com as próprias mãos e esforço.