Numa família simples, mas muito boa, vivia um rapaz chamado Alexandre. Ele aguardava ansiosamente o seu aniversário, porque pensava que os pais lhe iriam oferecer aquilo com que há tanto tempo sonhava e pedia - um tablet.
E eis que esse dia chegou, Alexandre ainda estava deitado na cama quando os pais trouxeram para casa a tão esperada surpresa.
Toc, Toc, Toc, nosso querido aniversariante!
Sussurrou alegremente a mãe.
Sim-sim!
Disse o rapaz com um sorriso.
Parabéns, nosso raio de sol!
Disseram os pais em coro.
Obrigado, meus queridos!
Respondeu Alexandre.
Alexandre reparou logo na caixa nas mãos do pai, mas era muito maior do que aquela onde caberia um tablet. De repente, algo começou a mexer-se dentro da caixa.
Toma, isto é para ti no teu aniversário, sê um verdadeiro amigo dele!
Disse o pai.
Os pais apressaram-se a abrir a caixa, e de lá saiu um gatinho pequeno. Era quase todo pretinho, apenas algumas manchas brancas decoravam o seu pelo.
O que é isto?
Perguntou Alexandre, perplexo e um pouco zangado.
É um gatinho! Vamos dar-lhe um nome!
Disse a mãe carinhosamente.
Inesperado! Desnecessário! Não é isto! Eu pedi um tablet! E vocês o que me deram, um gato qualquer, para que o quero eu!
Gritou o rapaz com raiva.
O quê! Vais brincar com ele, cuidar dele, é tão interessante!
Os pais ficaram surpreendidos com o comportamento de Alexandre.
Não, não vou! Não preciso dele!
Cortou Alexandre.
Miau! Mrrr!
Ouviu-se algures por perto.
O que estás tu a ronronar!
Resmungou Alexandre.
Como é que eu vou agora ao recreio, já disse a toda a gente que me iam dar um tablet, e agora apareces tu!
Disse o rapaz choroso.
Vou chamar-te Surpresa, mas para mim és uma surpresa desagradável.
Os pais estavam preocupados com a reação tão hostil de Alexandre ao presente, parecia-lhes ser o melhor que o rapaz precisava na sua idade, que seria interessante para ele cuidar do gatinho. Infelizmente! O humor triste do rapaz falava por si.
Alexandre estava sentado na cama, enquanto Surpresa começou a brincar com um fiozinho que saía da meia do rapaz.
O que estás a fazer?
Perguntou o rapaz perplexo.
Não te metas!
Afastou o gatinho.
Mas Surpresa nem pensava em parar, agora brincava com a mão do rapaz, perseguindo-a por toda a cama.
Ei! Deixa-me em paz, estou a dizer!
Gritou Alexandre com um sorriso.
O gatinho estava a divertir-se, e encostou-se a Alexandre, ronronando docemente algo parecido com uma saudação.
Está bem! Vem cá, vou fazer-te festas! Não és assim tão mau, olha que bonito, todo pretinho.
Disse Alexandre.
Ah não, aqui estão as manchas brancas. Agora és meu amigo, Surpresa!
Sussurrou o rapaz enquanto observava.
Passou um mês, e Alexandre nem reparou que se tinha apaixonado pelo seu gatinho. Estava tão entretido com o seu amigo Surpresa que se esqueceu de que um dia tinha ficado triste com o presente de aniversário.
O dia inteiro estavam juntos, Alexandre construiu um brinquedo para Surpresa, em forma de laço. Dobrou papel e amarrou-o com um fio para fazer um laço, e Surpresa perseguia-o alegremente.
Durante o almoço, Alexandre alimentava Surpresa do seu prato, dando-lhe os melhores pedaços, o rapaz não poupava nada para o seu amigo. E até dormiam juntos, Surpresa enrolava-se junto de Alexandre e adormecia docemente.
Numa noite, quando Alexandre já se preparava para ir dormir, viu Surpresa a esconder algo. Era um chapéu com uma grande pena branca.
O que é isto?
Perguntou Alexandre a si mesmo.
É o meu chapéu!
Respondeu Surpresa.
A-A-A! Tu falas! Mas como! Ou estou a sonhar!
Murmurou Alexandre surpreendido.
Não sou um gato comum, sou um gato mágico! Cuidas tão bem de mim, quero agradecer-te por isso. Pede o que quiseres, vou realizar tudo!
Disse Surpresa orgulhosamente.
Mesmo tudo-tudo?
Insistiu Alexandre.
Sim-sim! Absolutamente tudo!
Quero... hmm, quero... Quero um tablet, sempre sonhei com ele!
Gritou o rapaz alegremente.
Assim será!
Respondeu o Gato calmamente.
Na mesa apareceu logo uma caixinha pequena, e Alexandre correu a abri-la.
Hurra! É o meu tablet!
Dizia Alexandre, desembrulhando rapidamente o brinquedo e já a carregar no ecrã.
Fico feliz que tenhas gostado!
Disse o Gato, mas Alexandre já não o ouvia.
Estava tão absorvido no tablet que toda a noite não se lembrou de Surpresa. Passavam os dias, e Alexandre encontrava cada vez mais jogos novos no tablet, e o seu querido gatinho ficava todo esse tempo sentado na poltrona sozinho, apenas brincando de vez em quando com a sua cauda. Alexandre agora não tinha tempo para ele, o seu sonho tinha-se realizado, exibia o tablet na rua, e nem levava Surpresa consigo.
Surpresa pensou muito tempo e decidiu não incomodar Alexandre, escapuliu-se por entre as pernas do pai quando este entrava em casa. O quarto ficou silencioso.
Olá! Onde está o Surpresa?
Disse o pai.
Está por aí!
Respondeu Alexandre sem se distrair do tablet.
Estranho, não o vejo em lado nenhum, devias procurá-lo.
O pai não deixava Alexandre em paz.
Depois encontro-o, agora tenho um nível difícil no jogo.
Murmurou o rapaz.
À noite, quando chegou a hora de dormir, Alexandre esperava que Surpresa saltasse para a cama a qualquer momento. Mas isso não acontecia.
Onde está ele? Surpresa! Surpresa!
Alexandre começou a procurar o gato.
Mas ninguém respondia. Alexandre percebeu que Surpresa tinha ido embora, e ficou triste. Toda a noite recordou como brincavam juntos, como corria com ele pelo quarto, como ronronava carinhosamente, e Alexandre adormecia ao som melodioso do ronronar de Surpresa.
Como fui culpado! Não preciso deste tablet! Brinquedo sem alma!
Disse o rapaz magoado e atirou o tablet para a mesinha de cabeceira.
De manhã, Alexandre saltou da cama, tinha tanta esperança de encontrar Surpresa, e correu rapidamente para a rua.
Surpresa! Surpresa!
Gritava o rapaz. Mas em resposta só lhe chegava o vento.
E então, perto de Alexandre, ouviu-se:
Estou aqui!
O rapaz levantou a cabeça e viu no ramo de uma árvore o seu querido pretinho.
Surpresa! Vem ter comigo! Tenho tantas saudades!
Alegrou-se Alexandre.
Como? E o teu tablet? Estás tão absorvido nele que agora já não precisas de mim.
Dizia o Gato calmamente.
Não! Que dizes! Preciso, preciso muito! Se quiseres, parto o tablet, só volta!
Implorou Alexandre.
O quê! Para quê partir uma coisa tão útil. No tablet há tantas coisas úteis, além de jogos, vou mostrar-te.
Disse o Gato descendo e sentando-se nos braços do rapaz.
Surpresa ajudou Alexandre a encontrar muitas atividades interessantes no tablet, por exemplo, desenho e leitura de livros. E junto com Surpresa era muito mais divertido e engraçado para Alexandre aprender algo novo.