O Botão Perdido
5 769

O Botão Perdido

Autor:
Um conto dedicado a uma menina chamada Nádia, que não dava importância aos seus pequenos gestos que guardavam bondade e dedicação. Mas o coração bondoso da menina não lhe permitiu ficar indiferente ao saber do sofrimento alheio

Lá fora, o sol primaveril aquecia suavemente, e a pequena Nádia, desejando brincar com os seus amigos, aproximou-se da mãe com um sorriso.

Posso ir ao recreio brincar com os miúdos?

Perguntou Nádia ansiosamente.

Claro, minha querida, mas veste o casaquinho. O vento está fresco e podes constipar-te.

Respondeu a mãe carinhosamente.

Está bem, mãezinha.

Alegrou-se a menina.

Correndo rapidamente pelas escadas do prédio, Nádia chegou ao recreio, onde os miúdos já se tinham reunido.

Que tal jogarmos às escondidas?

Gritou um rapaz com sardas bonitas.

Vamos lá!

Apoiaram-no alegremente os outros.

Nádia queria esconder-se tão bem que ninguém a pudesse encontrar, e reparou numa árvore alta e robusta. Ao trepar por ela, prendeu-se acidentalmente num ramo com o casaquinho, e um botão arrancou-se da bonita peça de roupa.

Não faz mal! O casaquinho continua bonito na mesma!

Pensou Nádia.

Depois de brincar à farta, a menina regressou a casa. Após o jantar, adormeceu rapidamente e teve um sonho estranho. Nádia estava sentada num banco quando, de repente, ouviu soluços e um choro baixinho. Foi na direção de onde vinham esses sons. Ao aproximar-se da árvore e baixar os olhos para a raiz ligeiramente visível da planta robusta, viu um pequeno botão.

Era como se tivesse ganhado vida, o seu choro fez Nádia perguntar ao botão:

O que estás aqui a fazer? Porque choras? Quem te magoou?

Perdi-me. Os meus irmãos e irmãs estão agora longe, e eu fiquei aqui. Como vou eu agora viver sem eles.

Então tens irmãos e irmãs?

Perguntou Nádia pensativamente.

Sim!

Respondeu o botão a soluçar.

Somos todos tão parecidos uns com os outros.

Sussurrou tristemente a pequena coisa redonda.

E como vieste parar aqui, debaixo desta árvore?

Insistiu Nádia.

Estava a brincar tão alegremente, a rodopiar, a rodopiar e... arranquei-me. E ninguém me apanhou. A minha família foi-se embora para longe e agora nunca mais a vou encontrar.

Disse o botão tristemente.

Como é possível?

Gritou Nádia perplexa.

É assim mesmo! Ninguém me vai ajudar.

Suspirou o botão.

Nádia ouvia cada vez mais baixinho o choro do botão, e finalmente, desapareceu por completo.

Ao acordar, sussurrou convulsivamente: — Fui eu a culpada de o botão ter perdido a sua família, tenho de o ajudar.

Saltou da cama e correu apressadamente para a cozinha, onde a mãe já estava a preparar o pequeno-almoço para a filhinha.

Mãe, preciso de ir urgentemente à rua!

Exclamou Nádia.

Espera, querida, não pode ser assim, primeiro tens de te lavar, tomar o pequeno-almoço e só depois ir ao recreio.

Mas mãe!

Contestou a menina, mas ao olhar nos olhos da mãe, percebeu que era inútil discutir com ela.

Depois de se lavar e saborear as delícias que a mãe tinha preparado, Nádia apressou-se a sair. Correndo até àquela mesma árvore onde se tinha escondido ontem dos amigos, e que tinha visto no sonho, começou, ligeiramente ofegante, a procurar ansiosamente o botão.

Onde está ele, eu estive aqui ontem?

Sussurrava Nádia, com medo de não encontrar o botão.

Ah sim! Eu atirei-o para ali, para longe.

Lembrou-se a menina.

Afastando-se da árvore, Nádia mergulhou numa longa procura pelo botão. Nos seus ouvidos ecoava o choro do botão que tinha ouvido no sonho. Tinha tanto medo de não encontrar o que tinha perdido, mas então o seu olhar caiu sobre um pequeno raminho que estava descuidadamente no chão. Empurrando-o para o lado, Nádia viu a preciosidade desejada.

Aqui está! Agora vou ajudar-te.

Alegrou-se Nádia.

Ao entrar em casa a correr, Nádia pensou desanimada: — Mas como vou ajudar o botão, se eu não sei coser.

Mãe, coser é difícil?

Perguntou a filha.

Não. Basta ser-se aplicado e cuidadoso. E tudo correrá bem.

Respondeu a mãe calmamente.

Ensina-me a coser!

Declarou Nádia com confiança.

Coser? Bem, está bem, senta-te à mesa, que eu já trago a caixa com os instrumentos de costura.

Murmurou a mãe assustada.

A mãe foi para o quarto, e Nádia aproximou a cadeirinha da mesa e esperou impacientemente pela lição de costura.

Ao abrir a caixa, perante os olhos de Nádia revelou-se um mundo mágico de trabalhos de costura. Ali estavam linhas que brilhavam com os raios de luz, agulhas cuidadosamente espetadas numa almofadinha, tesouras grandes e muitas fitas e contas diferentes.

Então, vamos começar!

Disse a mãe alegremente.

Ficaram muito tempo sentadas à mesa, Nádia tentava desesperadamente aprender a coser, pensando constantemente no pobre botão. Queria tanto ajudar a coitadinha, mas infelizmente nada corria bem, a linha não obedecia à menina, a agulha espetava, e as tesouras eram mesmo difíceis de segurar nas mãos.

Depois de muito sofrimento, Nádia finalmente começou a conseguir fazer pontos direitos, e coseu rapidamente o botão ao casaquinho.

Que bom que aprendi a coser! E o mais importante, ajudei o botão, agora está com a sua família.

Deixar uma avaliação

O conto de fadas O Botão Perdido está disponível no formato FB2 para telemóveis, tablets, computadores e leitores de e-books.
Comentários()
Contos semelhantes
Uma família unida é uma barreira contra desgraças e infortúnios
Uma família unida é uma barreira contra desgraças e infortúnios
Um conto autoral para o vencedor do concurso, que conta a inesperada aventura de toda uma família. Nele haverá uma velha bruxa, um naufrágio, água viva, a separação das crianças dos pais e muito mais. Mas conseguiram sobreviver graças a uma família unida.
8 480 9
Pelo Caminho do Bolinho
Pelo Caminho do Bolinho
Um conto de fadas moderno sobre um avô, uma avó e um bolinho. O avô pediu à avó que fizesse um bolinho. A avó não conseguiu fazê-lo porque não tinha os ingredientes necessários. Ela fez um bolo e colocou-o na janela para absorver o creme. O bolo, depois de absorver o creme, desceu da janela e seguiu pelo caminho do Bolinho, encontrando as mesmas personagens conhecidas.
5 521 7 3
O Presente Inesperado
O Presente Inesperado
Na vida de cada pessoa pode acontecer verdadeira magia, mas nem todos compreendem e utilizam corretamente o presente que o destino lhes oferece. Este conto um pouco triste fala sobre a importância de fazer a escolha certa, para não nos arrependermos do que fizemos. Sobre um rapaz, um gatinho, um tablet e, claro, com um final feliz.
20 052 7
O Pássaro da Felicidade
O Pássaro da Felicidade
Um conto encantador sobre uma família real que não tinha filhos. Até que a rainha encontrou um ovo de uma ave desconhecida. E a ave revelou-se extraordinária. Vamos descobrir como terminou esta história!
6 701 7 6
Nada aqui ainda.

Use 🔊
para adicionar um conto
ao leitor

Quer ser notificado sobre novos contos de fadas?