Como o gatinho caçava a "borboleta de outono"
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Como o gatinho caçava a "borboleta de outono"

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Um conto de fadas original e encantador para crianças em idade pré-escolar e escolar sobre um pequeno gatinho, sobre o outono, sobre a queda das folhas e a amizade. Uma história sobre a importância de ter uma família amorosa e amigos. Perfeita para ler antes de dormir.

No sótão de uma pequena casa urbana vivia uma verdadeira família felina. O pai era um gato grande e barrigudo com um narizinho cor-de-rosa. Tinha a pelagem preta como carvão, sem uma única mancha branca. Por isso, as crianças do bairro o chamavam de Carvão.

A mãe era uma linda gata branca de pelos compridos. Ninguém sabia como ela tinha parado na rua. Havia rumores de que ela mesma tinha fugido dos seus donos quando viu o Carvão. Foi amor à primeira vista. Todos chamavam a mãe gata de Neve. E assim, Carvão e Neve tiveram vários gatinhos pequenos e divertidos.

Nove filhotes com cores completamente diferentes. Um tinha a pelagem preta com apenas as patinhas brancas, outro tinha a cabeça branca mas o corpo todo preto. Alguns tinham manchinhas, outros até desenhos. Mas o que mais conquistou os moradores da casa foi o Cupido.

"Por que Cupido? De onde vem esse nome estranho?", perguntarão vocês? Bem, o pequeno era todo preto, mas nas costas brilhava uma grande mancha branca em forma de coração. Tinha o narizinho cor-de-rosa e os olhos verdes. Por isso o chamavam de Cupido.

As crianças do bairro adoravam acariciar o gatinho. E alguns até inventaram que se o Cupido se aproximasse e se esfregasse em você, significava que Cupido o tinha escolhido e em breve você encontraria seu amor.

Cupido era um gatinho curioso, mas tímido. Raramente brincava com alguém além de seus irmãos e irmãs. Nas brincadeiras de pega-pega, quase sempre chegava em último. Não porque corria devagar, mas porque não queria vencer.

Sempre que alguém vencia nessa brincadeira, todos os gatos do bairro se reuniam e cumprimentavam o vencedor, miando alto. Mas Cupido não gostava dessa atenção e não a procurava. Tinha o suficiente com os olhares admirados das crianças quando admiravam sua pelagem.

Os gatinhos nasceram no final do verão. Para eles, o mundo ao redor era grama verde e sol eterno, banhos em poças e caça a borboletas. Os pequenos gatos ainda não tinham visto outra estação do ano. Agosto tinha passado e chegava seu primeiro outono.

Carvão e Neve faziam o possível para aquecer o sótão. Sabiam que o outono podia ser frio e mordaz. Que o sol nem sempre brilhava intensamente e cada vez mais seria coberto por nuvens. E a chuva já não era tão alegre e desejada como no verão. Para os gatos, o outono era uma época difícil, quando era mais complicado conseguir comida e manter o calor na casa.

Os pequenos gatos ainda não conheciam essas dificuldades, e para eles a chegada do outono era como um sonho mágico. Cupido ficou muito surpreso quando uma manhã descobriu árvores amarelas, vermelhas e bordô em vez das verdes habituais. Era como se alguém tivesse pintado as folhas com cores brilhantes enquanto todos dormiam.

O gatinho saiu para passear pela rua. Frequentemente saía completamente sozinho. Não tinha medo, pois conhecia cada cão do seu bairro. E as crianças nunca o machucavam. Sabia de onde os carros podiam vir, onde podia encontrar algo para comer e para onde era melhor não ir.

Cupido, como de costume, passeava pela sua rota habitual entre as árvores, quando de repente sua atenção foi atraída por uma folha de bordo voando. Cupido achou que era uma borboleta de outono incomum. Queria apanhá-la para vê-la melhor, quando uma brisa soprou e a folha voou para longe. Cupido ficou muito triste, pois era ágil e sabia pular alto.

Normalmente apanhar uma borboleta era uma tarefa fácil para ele, mas desta vez não conseguiu. A brisa soprou novamente e várias folhas coloridas voaram por trás de Cupido. Ele se animou e começou a persegui-las. Uma folha era vermelha e outra ainda estava verde. Cupido decidiu perseguir a folha vermelha.

Ele correu entre os carros estacionados e viu a folha cair no asfalto. Estava prestes a dar o salto final quando uma nova rajada de vento apanhou a folha e a fez girar. Cupido começou a perseguição novamente. Corria atrás da folha, sem notar nada ao redor. A folha caía e voava novamente, deixando o gatinho cada vez mais animado.

Cupido não percebeu que tinha passado pela praça familiar, depois pelo campo de futebol, lojas, clínica, casas desconhecidas. Tinha corrido bem longe e de repente se viu completamente cansado num bairro desconhecido cheio de edifícios muito altos. Lá ele finalmente alcançou sua presa. O gatinho ficou muito triste quando percebeu que não tinha caçado uma borboleta, mas apenas uma folha comum, embora de cor tão incomum.

O vento soprou mais forte e começou a primeira queda de folhas da vida de Cupido. As folhas dançavam de forma caprichosa nos fluxos de ar, havia cada vez mais delas. Era um espetáculo incrível! Cupido era ainda tão pequeno que essa pequena queda de folhas foi suficiente para cobri-lo completamente. Ele enfiou seu narizinho cor-de-rosa de baixo da pilha de folhas, depois uma orelha e ficou escutando o que acontecia ao redor.

Pareceu-lhe que pequenas patinhas felinas pisavam bem perto. Cupido pensou que era um de seus irmãos ou irmãs e decidiu pular do esconderijo de forma inesperada. Quando o som das patinhas ficou bem perto, Cupido se impulsionou com força e pulou com um alto e guerreiro: "Miau!".

Resultou que uma pequena gata ruiva e fofa passava por ali. Ela não conhecia Cupido e quando algo apareceu da pilha de folhas, ficou muito assustada e se escondeu embaixo do carro mais próximo.

Quem és tu? — perguntou o brincalhão surpreso.

Mas ninguém respondeu. Cupido se aproximou silenciosamente do carro e olhou por baixo, mas não se apressou em se aproximar mais.

Por que te escondeste aí? Não sou um cão malvado, apenas quis brincar. Pensei que eras um dos meus, — disse o gatinho alegremente.

Um dos vossos? — piou uma voz fina de baixo do carro.

Da minha família. Não sou deste bairro. Para ser honesto, nem sei como vim parar aqui.

A gata saiu cuidadosamente de baixo do carro e começou a lamber as patinhas com cuidado.

Assustaste-me. Sou a Lora. Vivo perto daqui, — disse ela com uma ternura surpreendente na voz. Como se o susto tivesse desaparecido completamente.

Desculpa, não queria assustar. Bem, na verdade queria, mas não a ti. Enfim, desculpa. Sabes como chego ao bairro onde ficam as casas pequenas?

É aquele pátio perto do campo de futebol? Sim, sei como lá chegar.

Ajuda-me, por favor, a encontrar o caminho para casa. E eu te apresento à minha família.

Está bem, vamos.

Lora e Cupido se dirigiram para casa. No caminho, o gatinho contou como tinha confundido a folha de bordo com uma linda borboleta. Lora não riu. Claro que sabia o que era outono, pois era um pouco mais velha que Cupido, mas também gostava de perseguir "borboletas de outono".

Quando os gatinhos chegaram à casa, viram a mãe e o pai de Cupido preocupados. Resultou que toda a família felina o procurava há muito tempo. Cupido pediu desculpas e apresentou aos pais e irmãos sua nova amiga. Lora ficou feliz em ver os outros gatinhos. Depois de conhecer cada um, ela disse a Cupido:

Tens uma família grande — isso é ótimo, — parecia que Lora falava um pouco triste.

Sim, e tu não tens? — Cupido nem imaginava que alguém vivia numa família tão pequena como a dele era grande.

Não, minha mãe e eu vivemos sozinhas num grande prédio de apartamentos. Tenho donos que cuidam de nós, mas sinto falta de amigos.

Então és uma gata doméstica? — os olhos de Cupido se abriram de surpresa.

Sim, mas deixam-me passear sozinha. Quando quero voltar, só preciso miar embaixo da janela.

Que legal! — disse o gatinho impressionado.

Que legal é ter uma família tão grande. Todos os meus irmãos e irmãs foram dados para casas diferentes. Nem sei onde estão agora, — parecia que Lora estava prestes a chorar.

Não fiques triste! Queres vir brincar connosco todos os dias? E nós também seremos como teus irmãos e irmãs! — ofereceu Cupido alegremente.

Posso? — perguntou ela timidamente.

Claro que podes! — Cupido correu feliz para Lora e beijou seu narizinho molhado.

Ai... — ela ficou envergonhada.

Lora levantou sua macia e fofa patinha e tocou Cupido:

Tu és! — disse ela e mergulhou de cabeça numa pilha de folhas.

Ah, é assim! — gritou Cupido atrás dela.

O vento levantou as folhas caídas e as fez girar novamente. Os gatinhos corriam, perseguiam-se um ao outro e rolavam na folhagem de outono. Assim, uma pequena "borboleta de outono" vermelha ajudou o jovem gatinho tímido a conhecer um novo amigo.

E quem sabe, talvez um dia Cupido e Lora se tornem mãe e pai de uma dúzia de gatinhos fofinhos e coloridos, e cada um deles tenha uma manchinha em forma de coração nas costas.

O conto de fadas Como o gatinho caçava a "borboleta de outono" está disponível no formato FB2 para telemóveis, tablets, computadores e leitores de e-books.
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