O Mar que Fala
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O Mar que Fala

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Um conto instrutivo sobre como o mar profundo começou a falar e surpreendeu muito dois rapazes desconfiados que decidiram verificar se o abismo marinho realmente sabe conversar. Também através da terapia do conto, explicaremos por que não se deve poluir.

Pequeno João vivia numa casinha à beira do mar. Todas as noites, junto com o pai, o rapaz ia à praia e, quando escurecia completamente, deitavam-se na areia quente e observavam as estrelas. O pai contava histórias sobre cada constelação, histórias interessantes e fascinantes. No céu brilhava uma lua clara, e à volta não havia ninguém. Apenas se ouvia o vento a uivar e como se cantasse uma canção triste.

Um dia, quando chegou o verão, João, ao acordar, de repente pensou:

Será que o mar sabe conversar?

O rapaz adorava contos de fadas, lia muitos livros, e em alguns deles o mar sabia falar com voz humana.

Sem pensar muito, João decidiu verificar. Vestiu-se rapidamente, escovou os dentes, bebeu chá com uns bolinhos ainda quentes que a mãe lhe tinha feito, e saiu de casa.

Para onde é que vais tão cedo?

Perguntou a mãe do rapaz.

João decidiu não contar o que tinha planeado. Afinal, a mãe e o pai nunca lhe permitiam ir sozinho à praia. O mar frequentemente agitava-se, e levantavam-se ondas tão grandes que chegavam quase até à cerca que rodeava a casa de João.

Não vou a lado nenhum.

Respondeu o rapaz, constrangido.

Só queria ver a rua, talvez os meus amigos já estejam acordados e a passear.

Nesse momento ouviu-se uma voz clara:

Olá, João!

Era o seu colega de turma — Nuno. Os rapazes sentavam-se na mesma carteira e às vezes passeavam pela rua. Mas Nuno era completamente diferente — não gostava de estudar, faltava às aulas, não gostava de ler e era sempre mal-educado. Além disso, Nuno estava sempre a deixar cair papéis de rebuçados e embrulhos de gelado na rua, sujava tudo e nunca limpava depois de si.

O que é que estás a fazer?

Perguntou Nuno a João.

Queria ir rapidamente à praia e descobrir se o mar sabe conversar. Numa das histórias que li, o mar falava em linguagem humana, e eu…

João não conseguiu continuar, pois Nuno o interrompeu:

Que fixe! Eu também quero ir, vamos juntos! Mas primeiro preciso de ir a casa buscar uma cesta — rebuçados, bolachas e sumo.

João olhou para trás, a mãe estava na cozinha e o pai estava ocupado com as tarefas da casa, e ninguém viu que João se ia embora.

Os rapazes saíram correndo para casa de Nuno. Depois de recolher o essencial, os miúdos foram para a praia, estenderam uma manta e sentaram-se, espalhando rebuçados e bolachas à sua frente.

Bem, vamos conversar com ele?

Perguntou Nuno.

Com quem?

Perguntou João, surpreendido.

Com quem há de ser — com o mar! Tu é que disseste que ele sabe falar. Vamos ver se ele nos responde ou não. — Ei, tu, mar! Porque é que ficas calado, engoliste a língua?

Gritou Nuno, rindo.

Em resposta, apenas silêncio.

Pântano escuro e mudo.

Continuou Nuno a provocar o mar.

Afinal, não sabes conversar, e as histórias sobre ti são mentira.

Nuno, talvez não devêssemos ofendê-lo! Quem sabe se ele não ouve tudo?

Disse João, assustado.

Claro que não ouve!

Gritou Nuno e atirou um papel de rebuçado para a água. Depois outro, e outro mais.

De repente levantou-se um vento terrível, tudo à volta começou a rodopiar, a cesta com os doces foi levantada e levada para longe.

Nuno, temos de ir para casa. Vai levantar-se uma tempestade tão grande que as ondas nos levam!

Gritou João, assustado.

Ah, que cobarde!

Gritou Nuno, rindo.

Ele não nos faz nada!

E de repente, ao olharem para trás, os rapazes viram uma onda gigante que se aproximava muito rapidamente. Sem conseguirem reagir, os miúdos foram apanhados num redemoinho de água. Passados alguns segundos, os rapazes perderam a consciência.

Onde estamos?

Perguntou João, acordando e abrindo os olhos.

À volta tudo era azul, cheio de água. Perto do rapaz passavam peixes coloridos: grandes robalos, solhas, peixe-agulha, e até pequenos peixes circulavam à sua volta. Tudo estava coberto de algas, e não se via terra em lado nenhum.

Nuno, acorda!

Gritou João.

Onde estamos?

Nuno, ao acordar, saltou para o lado:

Acho que estamos a sonhar!

Bem-vindos aos meus domínios!

De repente ouviu-se uma voz alta e penetrante.

Como vos parece estar nas minhas águas?

Quem és tu?

Gritaram os rapazes assustados em uníssono.

Ha-ha-ha, quem sou eu! E porque é que vieram à praia? Para ouvir a voz do mar? Pois bem, eu sou o Mar!

Será que o mar sabe mesmo conversar?

Sussurrou Nuno, surpreendido, e olhou para João.

Claro que sei!

Disse o Mar, rindo.

Porque é que estamos aqui? O que vais fazer connosco? Porque é que nos prendeste aqui?

Quem é que me atirava lixo?

Perguntou o Mar.

Que lixo?

Protestou Nuno.

Papéis de rebuçados? Será que é lixo? São apenas papéis bonitos! Eu queria era decorar-te, porque tu és tão escuro, azul-escuro.

Como é que se pode poluir o mar? Porque é que esses papéis e outro lixo podem matar tudo o que vive em mim. Não haverá peixes, nem algas, e então a morte chegará à terra, porque sem mim não há vida para nada neste planeta!

É verdade, não se pode poluir o mar. Aprendemos isto na escola!

Gritou João.

Nuno, o que vai acontecer agora?

Gritou João, assustado.

Prometerem-me que nunca mais farão isto, e que nunca mais vão poluir as profundezas do mar!

Prometemos, prometemos! Nunca, ouviste bem, nunca vamos atirar lixo para os teus domínios! E além disso, vou estudar bem e vou saber o que se pode fazer e o que não se pode fazer!

À volta tudo começou a borbulhar, a rodopiar, um redemoinho apanhou os rapazes e num instante atiraram-nos para a praia seca. E até a roupa estava seca, como se nada lhes tivesse acontecido.

João e Nuno olharam um para o outro, e depois prometeram que nunca contariam isto a ninguém. Desde então, nunca mais perturbaram as profundezas do mar.

Na verdade, o mar sabe conversar, mas nem toda a gente o sabe. Leiam contos de fadas, tratem a natureza com cuidado, porque é graças a ela que existe tudo o que é vivo e belo na terra.

Leiam contos de fadas e descobrirão ainda muitas histórias mágicas e aventuras misteriosas.

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