Numa certa cidade vivia um homem que fazia tudo para se exibir. Adorava ser invejado. Gastava grandes quantias de dinheiro no seu guarda-roupa apenas para que as pessoas ao seu redor ficassem boquiabertas de inveja. Comprava constantemente os últimos modelos de gadgets, mesmo aqueles que não precisava. Em casa tinha acumulado vários modelos antigos de telemóveis, computadores e tablets que já não funcionavam. Saíram de moda e por isso ele não os usava mais.
Todos os complexos, como se sabe, têm origem na infância. O nosso herói cresceu numa família pobre. Os pais trabalhavam em vários empregos e esforçavam-se por dar aos filhos o melhor. Mas a família era numerosa. O dinheiro nunca era suficiente. Frequentemente as crianças herdavam a roupa dos irmãos e irmãs mais velhos. O nosso personagem principal era o mais novo da família, e era ele quem mais frequentemente tinha de usar roupas velhas.
Na escola gozavam dele por isso. Por isso decidiu firmemente que teria sucesso na vida e nunca mais seria alvo de troça.
E assim aconteceu. Trabalhou incansavelmente: terminou a escola com as melhores notas, entrou numa boa universidade e formou-se com distinção, depois encontrou um emprego bem remunerado. Mas tudo o que ganhava gastava, basicamente, em coisas desnecessárias.
Não ajudava os seus pais e irmãos e irmãs mais velhos, embora tivesse essa possibilidade. Envergonhava-se dos seus parentes pobres. E quando lhe pediam ajuda, cada vez mais recusava.
Há alguns anos, o nosso herói conheceu uma rapariga maravilhosa. Não era apenas bonita, mas também bem educada — uma verdadeira princesa. Não era vergonhoso sair com ela em público. Todos o invejavam, pois encontrar uma rapariga assim era realmente muito raro.
Aproximava-se o dia 8 de Março e o nosso personagem decidiu organizar uma festa, mas não uma simples, uma em que todos o invejassem novamente. Nesse mesmo dia decidiu pedir à rapariga que se casasse com ele. Comprou um anel muito bonito e caro para ela.
Tudo estava pronto para a festa: tinha convidado muitos hóspedes, tinha preparado um grande salão de banquetes. E eis que os convidados começaram a chegar. A rapariga do nosso herói também apareceu. Antes de lhe fazer a proposta, ele decidiu falar com ela sobre isso para que tudo parecesse perfeito. Mas foi a rapariga quem começou a falar primeiro.
Não posso estar mais contigo. Desculpa.
Mas porquê? Eu queria fazer-te uma proposta hoje. Olha para o anel que comprei. Todos vão ficar de boca aberta de inveja.
Esse é o problema...
Não entendo.
Tu estás obcecado contigo mesmo. Fazes apenas aquilo que te poderia ser invejado. E quanto ao facto de teres abandonado a tua família, nem quero lembrar-me. E se um dia te envergonhares de mim, então também me abandonarás?
Ela virou-se e, sem dizer mais nada, saiu. E nesse momento o nosso herói foi como se lhe tivessem deitado água fria. E a rapariga tinha razão. Na perseguição da auto-admiração, tinha ofendido todos quantos podia. Sem esperar pelo fim da festa, foi para casa.
Lá reuniu todos os seus gadgets e foi ter com a família. Lançou-se aos pés dos seus pais e implorou-lhes perdão. Deu todos os seus gadgets aos seus irmãos e irmãs e aos seus filhos. Que presente deu no 8 de Março: a família reuniu-se novamente.
Claro que a família o perdoou. E toda a família voltou a viver em paz e harmonia. O nosso herói deixou de gastar dinheiro inutilmente. Parte do dinheiro dava aos pais, e o resto guardava para si. Mas começou a gastar de forma mais sensata.
Um dia na rua encontrou-se com a sua antiga rapariga. Decidiram ir a um café. Conversando, a rapariga notou imediatamente que o seu antigo namorado tinha mudado muito, tanto por fora como por dentro. Voltaram a namorar e em breve casaram-se. E todos viveram felizes.
Não se deve fazer nada para se exibir. E envergonhar-se dos seus próximos é ainda mais vergonhoso.