Numa floresta densa e misteriosa crescia uma árvore mágica com uma grande cavidade junto às raízes, em forma de uma porta misteriosa e imponente. Todos aqueles que entravam pela porta-cavidade mergulhavam num sonho mágico. Sonhavam com aquilo que desejavam. E nos sonhos recebiam pistas sobre como alcançar os seus desejos.
Poucos conheciam a árvore mágica na floresta: uma coruja sábia e alguns animais que a procuravam para pedir ajuda e conselhos. Entre eles estava uma ursa que desejava ter uma família, mas vivia sozinha na floresta. A ursa pediu ajuda à coruja sábia, e esta enviou-a para a árvore.
A ursa entrou na cavidade-porta e mergulhou num sonho mágico. Viu que tinha uma grande família: um marido-urso e cinco filhotes. Corriam juntos pela relva verde e abraçavam-se uns aos outros.
Que bom é teres-me.
Disse o urso à ursa.
Só de pensar, se naquele dia não tivesse ido ao lago subterrâneo, nunca nos tínhamos conhecido.
Disse a ursa.
Então a ursa acordou. De um sonho tão maravilhoso, o seu coração ficou quente e feliz. No dia seguinte, dirigiu-se ao lago que tinha visto no sonho. E encontrou lá o urso do seu sonho. Assim a ursa encontrou a sua família.
Antes disso, uma ratazana tinha procurado a coruja sábia para pedir ajuda. No inverno, a sua família ficou sem comida. Todos os seus mantimentos, que tinham armazenado durante todo o outono na toca, foram destruídos por uma raposa que escavou a toca. E agora a família da ratazana não tinha comida. A coruja falou sobre a árvore mágica, mas avisou que ninguém deveria saber da sua existência.
A ratazana correu para a árvore mágica, fez uma reverência e saltou para a cavidade. A ratazana adormeceu imediatamente e viu um sonho mágico. Ela e a sua família estavam num grande hangar abandonado, cheio de grãos e sementes. A ratazana saiu para a rua para ver como era o hangar. Era de cor verde, e à sua volta havia muitas árvores de lilás. E então a ratazana acordou.
A ratazana lembrou-se que uma das suas irmãs lhe tinha falado sobre um jardim de lilás abandonado. Correu para procurar esse jardim. E encontrou-o. E no fundo do jardim estava aquele hangar verde, e realmente havia muito grão lá dentro. A ratazana ficou feliz e correu para buscar a sua família. Assim a ratazana passou o inverno em segurança.
Um dia, uma lebre foi procurar a coruja sábia. Tinha perdido a sua mãe na infância, mas sempre sonhou em encontrá-la. A coruja falou-lhe sobre a árvore mágica, mas avisou-o que não deveria contar a ninguém sobre ela.
A lebre dirigiu-se ao local indicado pela coruja. Saltou para a cavidade e mergulhou num sonho mágico. No sonho, viu-se a si mesmo ainda pequenino, a brincar num prado com os seus irmãos e irmãs. Então saiu da toca a mãe-lebre e chamou-os para casa para almoçar.
Mãe, como te amo.
Sussurava a lebre ao ouvido da mãe.
E eu também te amo. Lembra-te, se alguma vez te perderes, estarei sempre à tua espera na nossa casa neste prado.
Disse a lebre-mãe.
E então a lebre acordou. Sabia onde ficava o prado que tinha visto no sonho. Muito tempo atrás, enquanto fugia de um lobo, a lebre tinha passado por esse prado. E agora dirigiu-se diretamente para lá. Chegando ao prado, a lebre começou a procurar a casa onde deveria estar a sua mãe. E então viu uma lebre-fêmea a sair da toca. Era a sua mãe. Abraçaram-se com força.
A lebre mal podia esperar para partilhar a sua alegria. Esqueceu-se de que a coruja lhe tinha proibido de falar sobre a árvore. A lebre correu para a orla da floresta e começou a contar a todos o que lhe tinha acontecido. O lobo mau ouviu esta história, e ele sonhava em que todos na floresta lhe obedecessem e lhe trouxessem comida.
O lobo correu para a árvore mágica e saltou direto para a cavidade enquanto corria. Mas não adormeceu, pelo contrário. Ficou tão acordado que não conseguia dormir durante quase 4 dias. Apenas no quinto dia de vigília conseguiu dormir, mas deixou de ter sonhos completamente.
A árvore mágica tinha um segredo. A árvore ajudava apenas aqueles que vinham a ela com boas intenções e a pedir ajuda. Mas aqueles que tinham más intenções eram punidos pela árvore.