Num reino vivia uma princesa. Uma menina completamente normal, apenas um pouco desobediente — como todas as crianças da sua idade.
E ele tem dentes enormes, e lança fogo apenas com a respiração! Quem cair nas suas garras — morte certa!
Dizia sempre a mãe-rainha a Angelina.
E caem nas garras do dragão aquelas princesas que não escovam os dentes de manhã e não acabam a sopa.
Acrescentava o pai-rei.
No início, Angelina tinha mesmo medo do dragão que vivia "naquela torre a norte". Mas os anos passaram, a menina cresceu, e o medo começou lentamente a ser ofuscado pela sua curiosidade. E ainda por cima apostou secretamente com os miúdos — filhos dos guardas: será que conseguiria ir ter com o dragão? Ou seria uma medrosa?
E ela o quê — princesa! Verdadeira! O seu nome já estava escrito na árvore genealógica. Por isso, ter medo e desistir não estava nos seus interesses.
Esperando que a mãe e o pai fossem para uma das suas reuniões incrivelmente aborrecidas, Angelina roubou da cozinha algumas maçãs e partiu em viagem. Caminhou durante muito tempo e, embora a distância fosse na verdade pequena, atravessar a floresta densa com sapatinhos bonitos revelou-se uma tarefa difícil.
Mas ela era princesa! E por isso, passadas algumas horas, estava junto à torre de tijolo escuro. Olhou em redor — e o dragão não estava em lado nenhum. Já estava prestes a bufar que aquilo eram tudo histórias, mas então vislumbrou uma luz numa janela alta.
QUEM VEIO TER COMIGO?
Ecoou uma voz estrondosa. Num instante, Angelina esqueceu-se do seu estatuto. Encolheu-se, tremeu.
S-s-s-sou eu.
Respondeu ela com voz trémula.
E O QUE TU QUE... Cof-cof... E O QUE... Cof-cof... E O QUE TU QUERES... Atchim!
E inesperadamente, de algum lugar da torre, caiu um pequeno dragãozinho com asas verdes.
Primeiro, Angelina ficou paralisada de espanto, e depois desatou a rir.
E de que te ris?
Resmungou o dragão, ofendido.
Mas tu ainda és tão pequenino!
Explicou a menina entre lágrimas de riso.
E andavam todos a assustar-me, dizendo que se não escovasse os dentes, me devoravas.
Bem, devorar até posso, hum. Especialmente se não ouvires a tua mãe. Ela está a dizer a verdade, deseja-te o bem.
Sim, eu sei, eu sei. Mas aquela sopa é tão sem sabor... Enfim, deixa lá. Conta-me antes sobre ti.
E a princesa não deu conta de como o dia inteiro passou — tão entretidos ficaram. E só quando o pôr do sol tingiu tudo de púrpura, percebeu — tinha de ir, senão dariam pela sua falta.
Bem, acho que tenho de ir.
A menina acenou com a mão.
Oh... Bem, tu, isso... Volta cá outra vez. É que é tão aborrecido estar aqui sozinho.
Confessou o dragão.
Angelina acenou com a cabeça e, ao partir, sorriu. Agora sabia que tinha arranjado um novo Amigo.