Uma certa manhã de inverno, no dia 21 de dezembro, eu e a Polina acordámos nos nossos quartos. Lavei-me e comecei a arrumar a mochila. A
Vova! Qual é o gorro que me fica melhor, o branco ou o cor-de-rosa?
Veste o branco
Digo eu.
Finalmente, arrumámo-nos e fomos para a escola. No caminho, ouvimos um miado numa grande montanha de neve. Aproximei-me dela – nada. Aproximei-me mais e descobri um pequenino cachorro lá dentro. De início não o tinha visto: era branquinho, como aquela montanha de neve. A Poli pegou nele ao colo e disse:
Coitadinho! Deve ser vadio. Vova, levamos para casa?
Estás maluca?
Digo eu
Os pais não nos deixam!
E se deixarem?
Bem, vamos perguntar?
Vamos! Mas se for agora, faltamos à escola, e se for depois da escola, onde deixamos o cachorro?
Começámos a pensar. Decidimos deixar o cachorro com o segurança, se nos deixarem.
Para nossa surpresa, o segurança concordou:
Bem, já que é assim, deixem ficar. É um bom gesto. Parabéns por não terem passado ao lado.
Em casa, até nos ajoelhámos para que os pais nos deixassem ficar com o cãozinho.
Não, não, não!
Dizia a mãe.
Um cão é uma grande responsabilidade!
Apoiou o pai.
Mas nós vamos cuidar dele!
Dizia a Poli.
E como prova,
Digo eu
Podemos deixar o cão durante alguns dias? Nós cuidamos dele, e se não conseguirmos, tudo bem, damos para boas mãos…
O pai pensou e concordou:
Bem, se é assim, está bem.
E a mãe concordou:
É justo, deixem ficar.
Eu e a minha irmã ficámos tão felizes que até dançámos.
Eu e a Polina arranjámo-nos bem, e os pais deixaram-nos ficar com o cachorro.
Chamámos ao cão Patrício, e levávamo-lo à zona de cães onde o treinávamos. Os pais sentiam-se muito orgulhosos de nós.
O Patrício já não era um pequenino cachorro, mas um cão grande, bem-educado, inteligente e bem treinado.
Uma certa vez, no início do verão, no dia 7 de junho, eu e a minha irmã estávamos a passear o nosso animal de estimação.
O que seria de nós sem o Patrício?
Dizia a minha irmã.
Não sei…
Mal tinha terminado de falar, quando se aproximaram de nós um oficial e um soldado.
Olá, miúdos!
Diz o oficial.
Vejo que estão a passear um cãozinho.
Sim
Digo eu.
Como se chama?
Pergunta.
O cão chama-se Patrício.
Respondeu a Poli.
Não, não!
Riu-se o oficial
Como se chamam vocês?
Vova e Polina
Dizemos.
E eu sou Petr Vassilievitch, rapazes, compreendem que um cão é o melhor amigo do homem?
Compreendemos.
E bem, nós precisamos de um cão para a unidade. Sabem: excelente olfato, visão, se for bem treinado…
Bem treinado,
Diz a Poli.
Pois é, compreendem? Não nos dão?
A Poli suspirou e olhou para mim. Então perguntei:
Vocês são mesmo soldados?
Claro! Vê, esta é a minha medalha, é verdadeira.
Está bem
Acreditei.
Pensei e decidi que o cão era mais necessário no serviço, especialmente se o tínhamos treinado tão bem. E concordei…
Agora, todos os anos, lembramo-nos dos dias: 21 de dezembro, quando encontrámos o Patrício, e 7 de junho, quando o entregámos a boas mãos…
Fizemos bem?