No oceano, bem no meio de águas profundas e azul-escuras, situava-se uma pequena ilha. A flora e a fauna aqui eram diversificadas. Muitos pássaros diferentes, animais exóticos e outras criaturas viviam aqui há longos anos. Também na ilha havia muitas plantas bonitas e únicas, que estavam pintadas com todas as cores do arco-íris. Aqui cresciam palmeiras, enormes cactos e até baobás.
E ainda nesta ilha viviam pessoas, e entre elas vivia um rapaz muito preguiçoso chamado Germano. Ele não gostava nada de trabalhar e passava o dia inteiro deitado, virando-se de um lado para o outro.
Quando todos os locais se reuniam para ir pescar, para apanhar peixe para o almoço, Germano ficava deitado debaixo de uma palmeira alta e frondosa e dizia:
Vão, vão, trabalhem. E quando apanharem montes de peixe, então chamem-me, porque estou com muita fome.
Como é que isso é possível? Passas os dias inteiros sem fazer nada e és o primeiro a aparecer para comer. Não está bem fazer isso, pois aqui na ilha há muitas pessoas idosas, para quem é difícil pescar e ir à caça.
Indignavam-se os habitantes locais.
Mas eu não quero trabalhar. Para mim está bem assim!
Respondia o rapazinho com ar atrevido.
Assim passavam os meses, os anos. Germano não só não ajudava os mais velhos, como se recusava terminantemente a estudar. Na ilha havia uma pequena escola, onde estudavam apenas sete crianças. Ensinavam-lhes a ler, a escrever, matemática e ciências naturais. Germano nunca assistia às aulas. Ele tinha planos completamente diferentes. O rapaz queria muito encontrar um trabalho em que quase não tivesse de trabalhar, mas ganhasse muito dinheiro.
Não existe, Germano, um trabalho assim, em que não seja preciso fazer nada.
Diziam todos à volta.
Mas eu vou enganar toda a gente e vou encontrar exatamente essa ocupação — "não fazer nada".
Num belo dia, à volta da ilha instalou-se um forte nevoeiro. O oceano desapareceu completamente de vista, apenas uma névoa densa elevava-se sobre a costa, e mesmo à distância de um braço estendido não se via nada.
Todas as pessoas não tiveram outra opção senão ir dormir. Com aquele tempo não podiam pescar, e também era impossível ir à caça — à volta só havia nevoeiro.
Passou a noite. Bem cedo de manhã, todos começaram a acordar devagar e viram que, não muito longe da ilha, se erguiam estranhas montanhas rochosas altas, desconhecidas até então.
Pessoal, olhem, o que é isto?
Exclamou um dos habitantes da ilha.
Preguiçosamente espreguiçando-se, Germano saiu da sua cabana. Espreguiçou-se, coçou a nuca e disse:
Ah, deve ser um sonho! Uau, como dormi profundamente, estou a sonhar com tudo isto!
Não, isto não é um sonho, é uma ilha verdadeira. Mas de onde é que ela veio, se antes não estava aqui?
Admiravam-se as pessoas.
Então Germano, esfregando bem os olhos, olhou ao longe com mais atenção. E de facto, no horizonte viu uma nova ilha, na qual se erguiam grandes montanhas rochosas.
Isto é que são maravilhas! E se calhar ainda vive lá alguém?
Gritou ele.
Temos de nos aproximar e descobrir se há lá alguém, ou se esta ilha está deserta.
Oh, mas sem mim. Isso significa ter de remar num barco, e eu não nasci para isso. Eu quero dedicar-me a "não fazer nada", e esses vossos exercícios físicos com os remos não são para mim.
Declarou Germano desanimado.
Vários companheiros juntaram-se, levaram o barco para a água, pegaram nos remos e remaram em direção à nova ilha. Passou um dia e finalmente as pessoas regressaram.
Não vão acreditar nos vossos ouvidos! Nesta ilha vivem pessoas, mas são completamente diferentes de nós!
Gritou um deles.
O que significa completamente diferentes? Eles têm quatro braços ou duas cabeças?
Riu-se Germano.
Não, os braços e as cabeças são iguais aos nossos. Mas o cabelo, as sobrancelhas, as pestanas — tudo isso é branco. Tão interessante, nunca tinha visto pessoas assim!
Contou um dos rapazes.
Já me lembro! Há muito tempo contaram-me que as pessoas com essa cor de cabelo, sobrancelhas e pestanas chamam-se albinos. São um pouco diferentes de nós no aspeto, mas no geral são iguais a nós. Sabem falar, também podem trabalhar, estudar, conversar, comer, dormir como nós. Mas hoje no mundo não há tantas pessoas assim como nós.
De repente ouviu-se debaixo de uma pequena palmeira.
Oh, esta é a minha oportunidade! Já inventei uma ocupação para mim. Vou remar até essa ilha, vou atrair um desses albinos para cá, vou metê-lo numa vedação e vou mostrá-lo a toda a gente por dinheiro.
De repente gritou Germano.
O que é que inventaste? Será que se pode tratar as pessoas assim? Será que não tens pena de ninguém, a não ser de ti próprio? Pois para viver bem, não é preciso ser preguiçoso e tratar mal os outros, basta simplesmente trabalhar e ser feliz.
Indignou-se uma mulher.
Nem pensar! Se eu o meter numa vedação, não terei de fazer mais nada. O dinheiro vai cair sozinho no meu bolso, e eu vou apenas deitar-me e mandar.
Germano mantinha-se firme.
Todas as pessoas na ilha apenas afastavam o rapaz com gestos. Ninguém podia imaginar que numa noite escura Germano se decidiria mesmo e remaria até à nova terra em busca de um albino único.
O rapaz atracou o barco, saiu para a costa e partiu à procura de pessoas desconhecidas para ele.
Quem és tu?
De repente ouviu-se uma voz assustada.
Eu sou vosso amigo! Vim convidar-vos para me visitarem. Na nossa ilha há muitas pessoas e podemos fazer amizade.
Respondeu rapidamente Germano.
A voz do rapaz era tão maliciosa que o albino desconfiou de alguma coisa. Então o homem branco decidiu também ser astuto. Convidou Germano a provar frutas deliciosas e só depois ir visitar o novo amigo.
Entraram numa pequena cabana, onde o albino propôs a Germano descansar um pouco. O rapaz preguiçoso concordou, pois era a sua ocupação favorita. Fechando os olhos, adormeceu imediatamente. E quando acordou, descobriu que as suas pernas estavam acorrentadas a uma grande palmeira.
Agora vou mostrar-te a toda a gente!
Riu-se o albino.
E assim viveu o preguiçoso Germano toda a vida na ilha dos albinos debaixo de uma grande palmeira verde.