Tudo se passava numa verdadeira floresta de conto de fadas, pouco antes do feriado mais mágico do ano — o Ano Novo.
A Bruxa Velha resolveu estragar a festa das crianças:
Vejam só que juventude se vê por aí, só pensam em gadgets modernos. Até mandam mensagens de texto ao Pai Natal.
Ela reclamava com o seu gato.
E o gato da Bruxa Velha não era um gato comum, mas um gato verdadeiramente mágico que sabia falar muito bem, e assim respondeu:
E ainda essa festa deles... Todos se divertem, trocam presentes. E a nós, como sempre, ninguém convida.
Eu sei, eu sei o que fazer!
De repente exclamou a Bruxa e começou a andar pela sala de um lado para o outro, enquanto pensava:
Precisamos estragar a festa deles.
Fácil de dizer.
Respondeu o gato, preguiçosamente espreguiçando-se na lareira.
Mas tenta fazer isso. As crianças já estão a fazer encomendas de presentes ao Pai Natal, como é que consegues estragar a festa agora?
Deixa-me acabar primeiro, não me interrupas, seu cabeludo.
Gritou a velha.
Ouvi dizer que as crianças enviam cartas ao Pai Natal diretamente pelo telefone. Ah, essas tecnologias, gostava de as queimar na lareira. Mas tudo bem, agora vão-nos ser úteis. Tu e eu vamos roubar esse telefone, e as crianças ficarão completamente sem presentes.
Disse a Bruxa, esfregando as mãos de satisfação.
Combinaram assim. O gato transformou-se num corvo negro e roubou o telefone do Pai Natal. Como a Bruxa Velha ficou feliz! Até deu ao gato os melhores leites que tinha, coisa que só fazia quando estava de muito bom humor.
Bem feito, seu cabeludo.
Dizia a velha.
Agora a festa de todos vai dar à costa.
Enquanto isso, o Pai Natal reuniu todos os seus ajudantes na sua mansão:
Onde é que foi parar este telemóvel?
Perguntou o Pai Natal, levantando as mãos.
Será que o velho tolo o perdeu? Bem, Filha da Neve, não o encontraste em lado nenhum?
Não, avô, procurámos com os bonecos de neve, não está em lado nenhum.
Respondeu a rapariga, desanimada.
Isto é mau, muito mau. Os miúdos estão sempre a telefonar-me, já se esqueceram das cartas.
Suspirou o Pai Natal.
Avó, mas o telemóvel é mais prático, mais rápido e as mensagens chegam mais depressa.
Disse a Filha da Neve, sem compreender.
Ah, minha neta, mas as cartas que os miúdos escrevem à mão têm um cheiro de magia, de festa. As mensagens de telemóvel não têm nada disso.
O Pai Natal ficou muito triste.
De repente, um esquilo saltou pela janela entreaberta:
Desastre, desastre, Pai Natal! A Bruxa Velha roubou o teu telemóvel, quer estragar a festa das crianças, deixá-las sem presentes. O gato dela transformou-se num corvo negro e roubou o telemóvel, e a Bruxa Velha atirou-o para o mar azul.
Ai! Ai! Ai! O que é que vai acontecer agora?
O Pai Natal agarrou a cabeça.
Os miúdos vão ficar sem presentes. Minha velha cabeça!
Avô, avô, não te preocupes, vamos arranjar uma solução.
A Filha da Neve começou a consolá-lo.
Os personagens de conto passaram a noite inteira a tentar resolver este difícil problema, mas não conseguiram arranjar nada.
Enquanto o Pai Natal e os seus ajudantes tentavam ajudar as crianças a receber os seus presentes de Ano Novo, as crianças de todo o mundo tentavam telefonar ao Pai Natal. Claro que não conseguiram, por muito que tentassem.
E então todas as crianças do Mundo, tendo perdido a esperança de contactar o Pai Natal por telefone e de conseguir chegar à floresta mágica, decidiram escrever cartas de verdade, em papel, ao Pai Natal. Que alegria para o velho!
Ai, porque é que duvidei das crianças.
Disse o Pai Natal, enquanto vestia o seu casaco de gala.
Elas compreenderam que a verdadeira magia do Ano Novo está nestas cartas manuscritas. Que cada criança, ditando o texto aos seus pais ou escrevendo-o cuidadosamente, envia um bocado de alegria. E isto significa que o Ano Novo virá com certeza. Bem, Filha da Neve, estás pronta para dar presentes às crianças?
Claro que sim, avô.
Respondeu a Filha da Neve.
E partiram para dar magia e milagres a todas as crianças do mundo.
Lê contos de fadas e o Pai Natal com certeza te trará muitos presentes.