Chegou o inverno tão esperado. Caiu a primeira neve macia. As árvores vestiram casacos brancos. A rua ficou lindíssima, como num conto de fadas. Todos se alegravam com a neve fresca, especialmente as crianças.
Mãe, — disse o rapaz João, — olha como está bonito lá fora! Vamos brincar com bolas de neve?
A mãe concordou. Vestiram-se bem agasalhados, pegaram no trenó e saíram para a rua.
No pátio brincavam muitas crianças. Umas desciam o escorregador, outras faziam um boneco de neve, outras ainda construíam um forte. Todos riam e divertiam-se. Parecia que a alegria e a felicidade iluminavam o mundo inteiro!
João! João! Vem depressa para aqui! — chamaram os miúdos.
João correu para os amigos. Juntos fizeram um grande boneco de neve. Fizeram o nariz com uma cenoura, os olhos com pinhas, e desenharam-lhe um sorriso. O boneco de neve ficou maravilhoso — parecia vivo. As crianças até juram que ele lhes piscou um olho. Com isso, o bom humor de todos melhorou ainda mais. Afinal, estes milagres só acontecem nos contos de fadas… Será que isto era um verdadeiro conto de fadas?..
À noite, os miúdos foram para casa. E então aconteceu um milagre. De baixo da árvore de Natal que crescia no pátio, apareceu um gnomozinho com um casaco vermelho e um gorro vermelho. Nas mãos levava um caderninho. Com passinhos pequeninos e desajeitados, aproximou-se do boneco de neve e sorriu.
Olá, Boneco de Neve! Sou ajudante do Pai Natal. Vim da cidade de Veliky Ustyug. É a terra natal do nosso mago do inverno! Diz-me, por favor, como se comportaram as crianças que te fizeram? Foram más com alguém ou foram boas e educadas?
Olá, Gnomozinho! — respondeu o Boneco de Neve. — As crianças deste pátio são muito boas. Ficaram tão felizes com a primeira neve! E que jogos interessantes fizeram! Ninguém sequer brigou! Todos estavam felizes! Não consegui resistir e pisquei-lhes um olho...
Ai! Boneco de Neve! Mas não se pode fazer isso! As crianças não devem saber que existimos!
Gnomozinho, desculpa, mas não consegui resistir aos sorrisos das crianças, — respondeu o Boneco de Neve com tristeza.
Tudo bem, — tranquilizou-o o Gnomozinho. — Fico muito feliz que as crianças daqui sejam boas e obedientes. Vou escrever no meu caderninho mágico os nomes destes rapazes e raparigas. Vou passar a lista ao Pai Natal. E quando chegar o Ano Novo, e as luzes coloridas se acenderem nas árvores de Natal, cada criança receberá de presente aquilo que mais deseja!
Como é bom receber presentes! — alegrou-se o Boneco de Neve.
Chegou o tão esperado feriado — o Ano Novo. Em cada casa havia o cheiro de pinheiro, de tangerinas, de comida deliciosa. Por toda a parte havia alegria! A família de João também estava à espera da festa.
Juntamente com a mãe, o rapaz enfeitou a árvore de Natal. E debaixo da árvore pôs um envelope com uma carta para o Pai Natal. João sonhava com um carro telecomandado e esperava que o seu desejo se realizasse. Portou-se bem durante todo o ano: ajudava os pais, não magoava os animais e até tentava não discutir com as outras crianças no pátio. Afinal, sabia que o Pai Natal e os seus ajudantes veem tudo.
Na manhã de 1 de janeiro, João, mal acordado, correu para a árvore de Natal. E — ó milagre! Numa grande caixa bonita estava à sua espera um carro! O rapaz chorou de alegria: o sonho tinha-se realizado!
João compreendeu que os desejos realizam-se, o importante é caminhar ao seu encontro: fazer apenas boas ações, ser uma pessoa boa e acreditar sinceramente em milagres.
Não tenham medo de sonhar! Quanto mais brilhante for o sonho, mais perto está de se realizar!