Numa pequena e encantadora cidadezinha vivia uma família: mãe, pai e a pequena filha Inês. A cidade era encantadora porque mais ninguém vivia nela. Não havia ali nem loja, nem escola, nem jardins de infância. Inês estudava em casa com a mãe: aprendia letras e números, dançava ao som de canções em discos antigos.
A mãe tratava da casa: cozinhava, criava conforto. Os mantimentos eram trazidos pelo pai. Uma vez por semana ele saía dos limites da cidade e ia à aldeia vizinha, onde havia apenas uma loja. Era assim que a família vivia, sem amigos e sem convívio.
Certa noite escura bateram à porta.
Quem é?
Perguntou a mãe surpreendida.
Abram, por favor! Perdemo-nos e não conseguimos encontrar o caminho de casa!
Ouviu-se uma voz infantil.
Inês quase caiu da cadeira de felicidade! Não acreditava que poderia conversar com outras crianças, aprender algo novo e interessante, brincar com elas e partilhar os seus sonhos.
A porta abriu-se e do outro lado estavam duas pessoas — uma menina pequena de cerca de seis anos e uma mulher — a sua mãe.
Perdemo-nos e não conseguimos encontrar o caminho de casa. Podemos ficar convosco esta noite? Lá fora só há floresta densa e animais selvagens.
Perguntou a visitante.
Claro, claro, fiquem! Vem, vou mostrar-te o meu quarto, arranjei e decorei tudo sozinha.
Disse Inês alegremente, dirigindo-se à menina.
As meninas desapareceram pelo corredor comprido.
Como te chamas?
Perguntou Inês à menina.
A minha mãe chama-me Aninha.
Ah, então Ana. Posso chamar-te Aninha também?
Claro.
Foi assim que as meninas ficaram amigas.
As adultas acomodaram-se confortavelmente na sala. A mulher contou que na verdade não tinham para onde ir. Antigamente viviam numa grande e bela cidade, a mulher ia trabalhar e a sua filha — Aninha, estudava na escola. Mas num dia terrível um furacão chegou à cidade e varreu tudo pelo caminho. As casas foram destruídas pelo vento terrível e agora não tinham onde viver.
O pai de Inês ouviu atentamente esta história terrível. Propôs à mulher e à filha que ficassem a dormir em sua casa, e pela manhã declarou que queria ajudá-las. Abrindo o seu velho barracão, o pai começou a tirar de lá ferramentas: martelos, serra, montes de pregos e muito mais, tudo o necessário para construir uma casa nova e bonita.
Passaram-se alguns dias, Aninha e a sua mãe viviam com a família de Inês, e o pai ia construindo lentamente uma nova habitação para os novos habitantes da minúscula cidade.
Passou uma semana e a nova casa bonita estava pronta. Aninha e a mãe mudaram-se para lá e passaram a viver ao lado de Inês. Assim a cidade ficou maior.
Chegou o outono frio. Os novos habitantes da cidade visitavam frequentemente Inês e a sua família. As mães partilhavam receitas novas, o pai contava histórias engraçadas, e as meninas partilhavam sonhos de que mais crianças viriam para a cidade, e todas juntas brincariam e se divertiriam.
E de repente, num belo dia ensolarado, bateram à porta.
Quem é?
Perguntou o pai da família de Inês.
Abram, por favor.
Ouviu-se a voz assustada de um menino.
O pai apressou-se a abrir a porta e viu à sua frente um menino muito pequeno e uma menina pequena.
E onde estão os vossos pais?
Perdemo-nos. Na nossa cidade houve uma tempestade terrível, um raio atingiu a nossa casa e agora não temos onde viver. Fugimos, e a mãe e o pai estavam no trabalho. Tínhamos tanto medo que corremos a toda a velocidade sem rumo e chegámos aqui.
Bem, entrem, fiquem a dormir. E amanhã vou procurar os vossos pais, devem estar preocupados e à vossa procura.
No dia seguinte foi isso que fizeram. O pai partiu à procura dos pais dos visitantes inesperados, e as crianças ficaram à espera.
O pai de Inês caminhou muito tempo, saiu de manhã e só chegou à cidade das crianças ao anoitecer. Lá encontrou rapidamente os pais do menino e da menina e levou-os a sua casa.
Muito obrigada! O que faríamos sem vocês? Já não acreditávamos que encontraríamos os nossos queridos filhos.
Gritou a mãe das crianças.
Nessa noite todos se reuniram à mesa e fizeram uma verdadeira festa. E Aninha com a sua mãe estavam gratas à família de Inês, e o pai e a mãe das crianças pequenas que se assustaram com o relâmpago e fugiram da cidade.
E de repente ouviu-se um estrondo terrível. À volta ficou muito escuro, e o som terrível aproximava-se à velocidade da luz.
Todos para a cave! Abram a tampa e desçam depressa!
Gritou o pai de Inês.
Estando todos na cave escura e fria, todos ouviam como a casa onde há pouco estavam sentados a beber chá delicioso com bolachas se desmoronava. Armários caíam, cadeiras voavam pelos quartos, louça caía no chão e partia-se.
Passaram-se algumas horas e o estrondo cessou. O primeiro a sair da cave foi o pai de Inês. Ao chegar à rua, não podia acreditar nos seus olhos — a sua casa estava completamente destruída. Não restava uma única parede inteira. Foi um furacão terrível que passou e destruiu tudo à volta.
Onde vamos viver agora?
Perguntou a mãe de Inês.
Não se preocupem! Vocês ajudaram-nos quando tivemos problemas, e nós não vos deixaremos sem ajuda na vossa situação.
De repente gritou o pai do menino e da menina que se tinham perdido.
Aninha e a mãe também apoiaram a ideia. E em poucos dias, com as próprias forças e em equipa unida, foi construída uma nova casa bonita para Inês, a sua mãe e pai.
Assim a pequena cidadezinha encantadora transformou-se lentamente numa grande cidade amiga chamada Boa Luz.