Zzz… zzz… ― ouvia-se no prado das morangos. Era a família de abelhas a voar rápida e alegremente: o pai, a mãe e a pequena abelhinha Zuzé.
O verão quente estava a terminar, o outono aproximava-se. Chegou a altura de Zuzé ir para a creche das abelhas. Zuzé era ativa e sociável e esperava ansiosamente por este momento.
Afinal, é tão interessante lá e há tantos amigos! ― dizia a abelhinha alegremente.
Finalmente levaram Zuzé para a creche, e ela começou a adaptar-se gradualmente à nova rotina diária.
As educadoras e a auxiliar elogiavam-na, diziam que era uma abelhinha muito boa e gentil. E Zuzé também gostava de estar na creche.
No início, ela ia à creche até ao meio-dia. Mas depois chegou a altura de ficar no grupo das abelhas até à recolha do pólen do almoço, e depois ― dormir nas pequenas tocas das abelhas.
A nossa Zuzé ficou muito triste, começou a zumbir descontente e a chorar. Ela não gostava de dormir durante o dia, mas na creche essa era a regra!
Zuzé não dormia ao meio-dia! E quando chegava o pôr do sol, quando a mãe vinha buscá-la para casa, Zuzé não tinha forças para voar até casa.
Mãe, estou cansada e não quero mais voar para a creche!
O que se passa, minha pequena Zuzé ativa?
Não quero, e pronto! ― dizia Zuzé, batendo os pezinhos com força e zumbindo.
Isto continuou dia após dia. Mas um dia Zuzé reparou que todas as abelhitas da sua creche regressavam a casa cheias de energia e voavam alegremente sobre a floresta de outono colorida.
Porque é que todas voam tão alegremente para as suas tocas à noite? Só eu tenho tanta dificuldade em mexer as minhas asas, ― perguntou Zuzé à mãe.
E tu dormiste hoje ao meio-dia? ― perguntou a mãe com curiosidade.
Não, ― respondeu Zuzé.
E ontem?
Também não! Fico deitada com os olhos abertos e conto as margaridas que vejo pela janela.
E assim todos os dias? ― perguntou a mãe surpresa.
Sim, todos os dias.
Mas as outras abelhitas, que descansam contigo na creche, contam não só margaridas, mas também campainhas, dentes-de-leão, e …
A mãe não conseguiu terminar porque Zuzé começou a zumbir com curiosidade.
Onde? Em que janela posso ver todas estas flores?
Para ver todas estas flores, não é preciso olhar pela janela. É só preciso fechar os olhos e pensar nelas!
E é só?
É só, ― respondeu a mãe.
Desde a manhã seguinte, Zuzé tinha muita vontade de ver todas as flores de que a mãe tinha falado. Quando ao meio-dia as abelhitas se deitaram para dormir, ela fechou os olhos bem fechadinhos… E viu margaridas, campainhas, dentes-de-leão, botões-de-ouro, e ….
Afinal, no sonho tudo é possível!