Boas Ações
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Boas Ações

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O Guardião da Floresta queria ajudar o rapaz que se perdera na floresta. Bastava que ele fizesse três boas ações. Um conto instrutivo sobre como, na perseguição de um objetivo, podemos passar ao lado dele sem o notar, sem lhe prestar atenção, sobre a importância de cada passo e de cada ato.

Num claro dia de outono, quando o sol aquecia intensamente, um rapaz foi à floresta apanhar cogumelos. Andou muito tempo entre as árvores, procurou cogumelos nas clareiras e encheu completamente o seu cesto. Mas não reparou que se afastara muito, muito do caminho da floresta.

Olá-á-á-á-á! Olá-á-á-á-á!

O rapaz gritava com toda a força, mas ninguém o ouvia.

Apenas o eco lhe respondia:

Á-á-á-á! Á-á-á-á!

O rapaz sentou-se num tronco, chorou amargamente e pensou que não sabia como encontraria agora o caminho de casa, como sairia daquela parte desconhecida da floresta. De repente, como se tivesse saído de debaixo da terra, apareceu diante dele um homenzinho. De baixa estatura, com uma camisa branca, cingido por um cinto de casca de bétula e um largo chapéu de palha, observava com interesse o rapaz que chorava. Era um verdadeiro guardião da floresta, que protege a mata, cuida das árvores e dos arbustos.

Não chores, rapaz. Eu sou um habitante da floresta, vou ajudar-te e mostrar-te como sair para o caminho. Só tens de cumprir uma condição minha.

Diz-me o que tenho de fazer, estou pronto!

Disse o rapaz.

Precisas de fazer três boas ações. Assim que cumprires a minha condição, chama-me imediatamente.

Respondeu o guardião da floresta.

O rapaz ficou surpreendido:

E é só isso? Está bem! Mas não te afastes muito, volto num instante.

Mal o rapaz olhou em redor, o guardião da floresta desapareceu, tão subitamente como aparecera. Levantou-se de um salto e caminhou rapidamente pelo trilho para cumprir a condição do visitante inesperado.

Pelo caminho encontrou um veadinho que se enredara nos ramos de um arbusto denso.

Ajuda-me, por favor, rapaz! Estou preso com força e não consigo sair sozinho.

Não tenho tempo para me ocupar contigo, tenho pressa. Preciso de fazer uma boa ação o mais depressa possível. Adeus, veadinho!

Disse o rapaz.

O rapaz continua pelo trilho, vê uma cria de pássaro que caíra do ninho e piava lamentavelmente, enquanto os pais voavam em círculos sobre ela sem saber o que fazer.

Ajuda-nos, por favor, querido rapaz! Põe a cria de volta no ninho…

Não posso, tenho pressa de fazer boas ações.

O rapaz não quis ajudar os pássaros.

Serpenteando pelo trilho da floresta, o rapaz encontrou um ouriço que, a caminho de casa, perdera todos os cogumelos e bagas.

Rapaz, ajuda-me a recolher os cogumelos e as bagas para os espinhos. Andei muito tempo e cansei-me, por isso não consegui segurar tudo o que tinha apanhado.

Pediu ele.

Desculpa, ouriço, não te posso ajudar, tenho muita pressa! Ando à procura de boas ações para fazer. Tenta tu arranjar-te sozinho…

E continuou o seu caminho, não quis ajudar o ouriço.

Depois de andar alguns metros, o rapaz viu o guardião da floresta sentado num velho tronco. O guardião da natureza perguntou-lhe:

Mas o que é isto? Será que não conseguiste fazer nem uma boa ação? Ninguém precisou da tua ajuda nem da tua inteligência?

E o rapaz responde:

Percebes, guardião da floresta, o que se passa… Eu tinha muita pressa de cumprir a tua condição, mas estava constantemente a ser distraído, não conseguia fazer boas ações. Afinal, não é assim tão fácil encontrá-las. E onde? À volta só há floresta e árvores.

Onde encontrar, perguntas? E porque não ajudaste os pássaros, não tiraste o veadinho dos arbustos, não ajudaste o ouriço a apanhar os cogumelos e as bagas? Isso não é ajuda? Pois as boas ações não são feitos heroicos, mas sim ajudar quem realmente precisa.

O rapaz calou-se, pensou por um momento, virou-se e correu de volta na direção de onde viera. No trilho encontrou o ouriço e ajudou-o a espetar a colheita nos espinhos, pôs a pequena cria de volta no ninho, para alegria dos pais preocupados, ajudou o veadinho a libertar-se dos arbustos densos.

Depois disso, o habitante da floresta apareceu novamente diante do rapaz, entregou-lhe o cesto com os cogumelos apanhados e ajudou-o a sair da mata densa.

O rapaz voltou para casa e não contou a ninguém o que acontecera, mas nunca mais procurou boas ações, e passou a esforçar-se por ajudar todos os que precisavam da sua ajuda.

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