Eis que chegou dezembro, nessa noite caiu muita neve, como um lembrete da aproximação do Ano Novo. Mãe, como sempre, entrou no quarto das crianças pela manhã, com um gesto habitual da mão arrancou mais uma folha do calendário que pendia na parede perto da entrada, e começou a acordar as irmãzinhas Lúcia e Margarida.
Miúdas!
Disse a mãe.
Acordem, senão chegam atrasadas à escola.
Lúcia, a irmã mais velha, que já estava no terceiro ano, saltou da cama e correu para a janela.
Margarida, levanta-te! Vê quanto neve caiu!
Mãe, o Ano Novo já vem aí?
Perguntou Margarida, que estava no primeiro ano.
No calendário já estamos a 10 de dezembro, e faltam poucos dias para as férias de Ano Novo.
Respondeu a mãe às miúdas, e foi para a cozinha preparar o pequeno-almoço.
As miúdas lavaram-se, tomaram o pequeno-almoço e depois vestiram-se. A mãe acompanhou Lúcia e Margarida até à escola, e depois foi para o trabalho. À noite, como sempre, toda a família reuniu-se à mesa de jantar.
Mãe, imagina! Hoje a professora Olga Nicolaievna na aula de Estudo do Meio contou-nos que as árvores são seres vivos, e que até pequenos danos lhes causam sofrimento!
Disse a pequena Margarida
Então quer dizer que até a árvore de Natal que enfeitamos sofre todos os anos com isto?
Sim, é verdade, as árvores são seres vivos
Respondeu a mãe, Irene
Respiram, bebem água, até podem ficar doentes como as pessoas.
Mas então como fazemos! Eu não quero que ninguém fique triste e sofra enquanto nos divertimos!
Interveio Lúcia na conversa.
Mas se não tivermos uma árvore de Natal, o Natal não chega, e o Pai Natal não vem cá.
Chorou a irmã mais pequena.
E Lúcia também começou a ficar triste
Eu e a Margarida começámos a fazer enfeites para a árvore, queríamos que este ano fosse a mais bonita. E para que o Pai Natal nos trouxesse os melhores presentes.
Suspirou a irmã mais velha.
Nessa altura entra na cozinha o pai, Gonçalo.
Porque é que as minhas miúdas estão tão tristes?
Perguntou ele.
Que dia tão lindo, caiu tanta neve! Que tal irmos todos juntos à serra no fim de semana?
A mãe contou tudo ao pai Gonçalo, e ele respondeu de forma encorajadora.
Sabem, eu também fico triste todos os anos com as árvores de Natal vivas, elas precisam de tanto tempo e esforço para crescer, e as pessoas cortam-nas em poucos dias. Amanhã vamos a uma loja, vi hoje que trouxeram muitas árvores de Natal artificiais, e escolhemos a mais bonita e frondosa, que não se diferencia em nada de uma verdadeira! E o Pai Natal ficará feliz porque ficará mais uma árvore na floresta. E vos trará os melhores presentes.
E assim fizeram, compraram uma árvore que chegava ao teto, enfeitaram-na com enfeites caseiros, pendurou-se uma corrente de luzes, e a beleza natalícia brilhou com luzes coloridas. Ninguém sequer notou que era artificial.