Enquanto Marisha, que era assim que se chamava a nova amiga, aquecia a chaleira e cortava o bolo, Vasya, de tanta emoção, esvaziou toda a tigela de doces.
Mari, — perguntou Vasya com a boca cheia, — Como você descobriu que também tem um Ratinho de Computador vivendo no seu computador, ou melhor, uma Ratinha?
Marisha serviu o chá nas xícaras, colocou um prato com bolo na mesa, sentou-se ao lado de Vasya e respondeu:
É que meu pai, o Sasha, viaja muito a trabalho. E não são viagens curtas, não. Às vezes um ano, dois anos. E eu e minha mãe sempre íamos com ele. Vivemos sempre em cidades diferentes, em apartamentos diferentes. Minha mãe é artista. Para ela tanto faz onde pintar seus quadros. Mas até ela cansou. Disse que ficaria em São Petersburgo. Lá tem muitas exposições. E meu pai me levou com ele. Bem, desde os seis anos eu já troquei de cinco escolas! No começo era mais fácil, mas depois, quando cresci um pouco, comecei a fazer amizades. Em cada cidade — amigas, amigos. Mal nos tornamos amigas e já vem uma mudança. Sabe como é difícil se despedir de amigos?
Vasya acenou com cuidado e olhou de soslaio para o Ratinho, com medo de que ele o repreendesse pelo que havia feito ontem. Mas ele estava conversando animadamente com a Formiguinha.
Eu ficava quieta, — continuou Marisha, — Não queria deixar meu pai triste. Ele me comprou um computador e eu conversava com todos os meus amigos pela internet. Mas na internet você não vai a uma trilha com os amigos, e não pode convidá-los para o aniversário! Embora eu tenha mais de duzentos colegas na rede social! E realmente — colegas de classe, não como normalmente — o vizinho da direita, o vizinho da esquerda, a prima de terceiro grau e a mãe dela também! E uma vez eu removi minha data de nascimento do meu perfil. E ninguém me parabenizou no aniversário, ninguém nem se lembrou! — a menina fungou ofendida, — Fiquei tão triste que coloquei a cabeça na mesa e chorei na frente do computador!
Sim, sim, sim, sim! — tagarelou a Formiguinha, — Lembro, lembro! E naquele momento eu estava sentada no computador, desenhando bigodes e óculos nos amigos dela na rede social. E fiquei com tanta pena dela que estendi a mão da tela e acariciei sua cabeça.
Ah é, — sorriu Marisha, — Eu levei um susto, levantei a cabeça, e lá está essa criatura me olhando da tela! — ela puxou a Formiguinha pela trança, ela soltou um gritinho, puxou a mão para trás, e as duas riram.
Por que vocês estão rindo? — perguntou o Ratinho.
Porque eu sou a Formiguinha! — respondeu a Formiguinha e sorriu travessa.
Vasya e o Ratinho trocaram olhares e ficaram em silêncio, sem entender do que se tratava.
Tudo bem, vou explicar, — disse Marisha, — É que minha Ratinha é uma menina travessa, e quando fica brava, até faíscas saem! E muitas vezes, brincando, eu puxo suas tranças. E quando você toca nas tranças dela, elas, como se fossem fios fininhos, dão um choque, não é forte, mas é tão cócegas! Minha pele fica toda arrepiada! Então comecei a chamá-la de Ratinha Formiguinha, e depois ela virou só Formiguinha!
Vasya estendeu a mão para a cabeça do Ratinho, só para ter certeza, mas os cabelos dele eram duros, mas não espinhosos e definitivamente não davam choque. Depois ele tocou delicadamente nas tranças da Formiguinha com os dedos.
Ai! — um choque passou pelos dedos.
Vasya puxou a mão para trás, e os quatro riram muito!
Naquele momento a porta do apartamento se abriu e entrou o tio Sasha.
Oi, papai! — Marisha correu para recebê-lo, — Temos visita! Aliás, é para você!
Vasya ficou assustado e olhou de soslaio para o Ratinho e a Formiguinha. Mas deles não havia nem rastro! O menino se levantou da mesa e abaixou a cabeça culpado, puxando a bola para perto com o pé.
Bem, olá, visitante, — disse o tio Sasha com raiva, pendurou sua jaqueta no guarda-roupa da entrada e entrou na cozinha, - Filha, serve um chá para mim também. Vejo que vocês já beberam duas xícaras.
O Ratinho e a Formiguinha, é claro, não limparam as xícaras!
Há quanto tempo está aqui? — perguntou o tio Sasha.
Bem, assim que minha mãe saiu para trabalhar esta manhã, vim direto para cá! — começou Vasya nervosamente, — Vim direto para cá para me desculpar. Fui eu quem quebrou a lâmpada do poste ontem! E depois minha bola caiu no seu carro. É culpa minha…
Bem, eu já disse que você deveria vir com seu pai! Poderíamos ter discutido seu comportamento com ele, — disse o tio Sasha severamente.
Vasya desviou o olhar e disse baixo:
Bem, é que eu não tenho pai. Minha mãe e eu vivemos sozinhos. E não queria deixá-la triste.
O tio Sasha ficou em silêncio e olhou atentamente para o menino. Depois suspirou por alguma razão e continuou com voz mais calma:
Ah, é assim! Claro que não se pode deixar a mãe triste. E então, ninguém pode puxar suas orelhas? E ninguém pode consertar a lâmpada do poste?
Vasya balançou a cabeça negativamente e disse:
Bem… se for preciso, você pode puxar minhas orelhas…
E o menino virou para ele a orelha que ardia de vergonha.
O tio Sasha riu até as lágrimas!!! Marisha riu depois dele, e depois, hesitantemente, Vasya também.
Tudo bem, não vou puxar suas orelhas, — o tio Sasha deu um tapinha amigável no ombro de Vasya, — Vejo que você é um bom menino. E vou consertar a lâmpada eu mesmo. Mas então você me ajudará!
Estou pronto! — levantou Vasya a mão, — Sei fazer muitas coisas. E sou forte, e…. — corajoso, Vasya queria acrescentar, mas se lembrou de sua covardia de ontem e ficou em silêncio, baixando o olhar.
Perfeito! Esta noite você vem com sua mãe para jantar. Vou conversar com ela sobre a escola. Marisha é da sua idade, talvez vocês estudem na mesma classe. Além disso, vejo que vocês já se tornaram amigos, certo?
Marisha bateu palmas. Ela e Vasya trocaram olhares e sorriram.
Tudo bem, — concordou Vasya, — Então vou para casa agora. Preciso ligar para minha mãe. E à noite viremos.
Perfeito! — bateu o tio Sasha nos joelhos.
Vasya e Marisha entraram no quarto dela. De baixo da mesa, com um sorriso astuto, o Ratinho e a Formiguinha os observavam. Vasya pegou o Ratinho nos braços, pegou sua bola e, piscando para Marisha, correu para casa. Precisava se preparar para a noite.
Quando a mãe chegou do trabalho, Vasya confessou tudo honestamente. Contou como quebrou a lâmpada, que foi se desculpar hoje e sobre o convite para jantar. Mas não contou nada sobre seu Ratinho e a Formiguinha.
A mãe levantou as mãos em protesto:
Vasya! Você deveria ter sido colocado de castigo e levado uma puxada de orelhas! E ainda nos convidam para jantar!
Mãe, bem, o tio Sasha precisa de ajuda para escolher a escola da filha, — Vasya piscou maliciosamente, — Bem, como vizinhos!?
A mãe acariciou carinhosamente a cabeça do filho, sorriu e disse:
- Como vizinhos: não quebrar lâmpadas e não danificar carros! Tudo bem, vá se trocar, e eu vou à loja comprar um bolo. Não podemos ir de mãos vazias para visitar.
Meia hora depois, Vasya e sua mãe já estavam sentados à mesa dos vizinhos jantando. O tio Sasha, como se viu, sabia cozinhar muito bem! Ele até conseguiu assar uma torta de maçã, então Vasya e Marisha tiveram algo para saborear!
Vasya não levou o Ratinho consigo. Afinal, era uma