Em um reino vivia uma princesa. Uma menina bem comum, só um pouquinho desobediente — como todas as crianças da sua idade.
E ele tem dentes enormes, e solta fogo só com a respiração! Quem cair nas garras dele — morte certa!
Sempre dizia a mãe-rainha para Isabela.
E caem nas garras do dragão aquelas princesas que não escovam os dentes de manhã e não terminam a sopa.
Acrescentava o pai-rei.
No começo, Isabela realmente tinha medo do dragão que vivia "naquela torre ao norte". Mas os anos passaram, a menina cresceu, e o medo aos poucos começou a ser ofuscado pela curiosidade. E ainda por cima apostou em segredo com a turma — os filhos dos guardas: será que ela conseguiria ir até o dragão? Ou seria medrosa?
E ela o quê — princesa! De verdade! Seu nome já estava até escrito na árvore genealógica. Portanto, ter medo e desistir não estava nos seus planos.
Esperando que a mãe e o pai saíssem para uma das suas reuniões incrivelmente chatas, Isabela pegou da cozinha algumas maçãs e partiu em sua jornada. Ela caminhou por muito tempo, e embora a distância fosse pequena, atravessar a floresta densa com sapatinhos bonitos se mostrou uma tarefa difícil.
Mas ela era princesa! E por isso, em algumas horas, ela estava diante da torre de tijolos escuros. Olhou ao redor — e nenhum dragão à vista. Já ia bufar que aquilo tudo era conversa fiada, mas de repente uma luz piscou na janela alta.
QUEM VEIO ME VISITAR?
Ecoou uma voz trovejante. Num instante Isabela esqueceu seu status. Encolheu-se, tremeu.
E-e-eu-eu.
Respondeu ela com voz trêmula.
E O QUE VO... Cof-cof... E O QUE... Cof-cof... E O QUE VOCÊ QUE... Atchim!
E inesperadamente de algum lugar da torre caiu um pequeno dragãozinho com asas verdes.
Primeiro Isabela ficou paralisada de espanto, e depois começou a rir.
Por que você está rindo?
Resmungou o dragão ofendido.
Mas você ainda é bem pequenino!
Explicou a menina entre lágrimas de tanto rir.
E todo mundo me assustava, dizendo que se eu não escovasse os dentes, você ia me devorar.
Bem, devorar eu até posso, hm. Especialmente se você não obedecer sua mãe. Ela fala a verdade, quer o seu bem.
Eu sei, eu sei. Mas aquela sopa é tão sem gosto... Mas tudo bem. Melhor você me contar sobre você.
E a princesa nem percebeu como o dia inteiro passou — tão envolvidos ficaram. E só quando o pôr do sol tingiu tudo de vermelho, ela percebeu — tinha que ir, senão iam sentir sua falta.
Bom, acho que tenho que ir.
A menina acenou com a mão.
Ah... Bem, você, hum... Volte de novo. É tão chato ficar sozinho aqui.
Confessou o dragão.
Isabela acenou com a cabeça e, ao partir, sorriu. Agora ela sabia que tinha ganhado um novo Amigo.