Em uma floresta maravilhosa viviam duas ratinhas amigas. Uma se chamava Branquinha, porque suas orelhinhas eram brancas, e a outra — Rosinha, porque suas orelhinhas eram rosadas. Elas eram muito simpáticas, peludinhas e espertas. Os olhinhos das ratinhas eram como dois pequenos fios pretos, brilhantes e travessos, e suas caudas — minúsculas e muito delicadas.
Mas o temperamento das amigas era completamente diferente. Branquinha trabalhava o dia inteiro, não ficava um minuto sem fazer nada:
Por que você não para quieta? Como pode trabalhar o dia todo, correndo de um lado para o outro?
Rosinha zombava da amiga.
E você não quer fazer algo útil?
Respondia a ratinha.
Branquinha sabia que o inverno chegaria e seria praticamente impossível encontrar comida na rua. Por isso ela juntava provisões para si mesma. Coletava nozes, cogumelos e frutas silvestres. Na terra ela cavou uma toca, forrou com galhinhos e folhas secas, cobriu com musgo macio.
Na toca aconchegante havia uma pequena despensa, onde Branquinha guardava todas as provisões para o inverno, quando o vento frio e desagradável começasse a soprar, quando a neve cobrisse tudo ao redor, e não fosse possível encontrar nem uma migalha de pão, uma frutinha madura ou um grãozinho. Mas a ratinha teria tudo — comida e uma toca quentinha e aconchegante. Que ratinha cinzenta pequenina tão esperta e inteligente era Branquinha.
Nossa, você parece que está se preparando para uma terra de fome, Branquinha! Como você vai comer tudo isso? Você é tão pequenina! Ou será que você é só egoísta e não quer que mais ninguém junte tanta comida?
Rosinha continuava zombando.
O inverno frio e as geadas intensas estão chegando, e precisamos estar preparadas!
Respondia a trabalhadora Branquinha e continuava fazendo seu trabalho.
Rosinha só ria. Ela era bem diferente. Corria muito rápido também, igualmente esperta e inquieta. Mas em vez de juntar comida para o inverno, Rosinha corria de flor em flor, cantava músicas alegres e animadas, dançava, e às vezes não fazia absolutamente nada, apenas sonhava e ficava olhando as nuvens que passavam sobre a floresta como uma cachoeira. Outra atividade favorita de Rosinha era conversar com os passarinhos.
Ela se deitava na clareira e dizia:
Viram, amiguinhas, como Branquinha fica agitada? Não tem um minuto de paz, fica andando, juntando comida, forrando a toca com galhinhos, como se não houvesse outras coisas interessantes para fazer!
E você, Rosinha, por que não faz provisões para o inverno?
Os passarinhos se surpreendiam.
Ah, eu não preciso de muito! Quando o inverno chegar, vou dar uma corridinha pela floresta, pego rapidinho uma frutinha e como, isso me basta.
Respondia a ratinha com confiança.
Assim passou o verão quente, e chegou o outono chuvoso e frio. As folhas começaram a cair das árvores, as frutas também caíram e secaram. Ficou cada vez mais difícil para Rosinha encontrar comida, e também não havia um lugar adequado para dormir, tudo ao redor estava molhado e frio.
E logo chegou o inverno rigoroso, frio, ventoso, nevado e muito assustador para bichinhos desabrigados. Agora Rosinha passava os dias inteiros na toca fria e sem proteção, tremendo de frio e morrendo de fome, ela nem imaginava como sobreviveria até os dias quentes da primavera.
O que fazer? Como vou conseguir? Onde vou arranjar comida, como não vou congelar até a morte nesta toca gelada?
Rosinha chorava.
E de repente a ratinha se lembrou de sua amiga Branquinha, que tinha juntado comida para todo o inverno e forrado sua toca com galhinhos e folhas secas. E Rosinha decidiu tentar a sorte e pedir abrigo para o inverno. Embora não esperasse que Branquinha a deixasse entrar em sua casinha.
Rosinha corre pelos caminhos nevados entre as árvores enormes, e finalmente chegou à toca de Branquinha.
Amiga, minha querida Branquinha, me deixe entrar, por favor!
Rosinha implorava.
Ai, ai! Por que você está toda encolhida assim?
Perguntou Branquinha.
Você estava certa no verão, e eu não te escutei. Não tenho nem comida, nem uma casinha quentinha. Não tenho nada para comer, na floresta não há nem uma frutinha, nem um pedacinho de pão, nem um grãozinho, nem um cogumelo. E minha toca eu não forrei, lá está terrivelmente frio.
É claro que Branquinha deixou a amiga entrar, deu-lhe chá quente de ervas, alimentou-a com grãozinhos e frutas silvestres saborosas, cobriu-a com um xale de lã quentinho. E pela manhã Branquinha convidou Rosinha para morar em sua toca.
E assim as amigas viveram juntas até a primavera. Mas desde então Rosinha entendeu que é preciso trabalhar, e no ano seguinte fazer provisões de comida e preparar sua moradia para o inverno frio. Assim ela compreendeu que sem trabalho não há vida boa.