Era uma vez um vovô e uma vovó.
Será que não deveria pedir à Vovó para assar um bolinho?
Pensou o Vovô, imediatamente desceu do banco e, arrastando suas botas furadas, mancou até a casinha.
Ele bateu a porta com força, as paredes frágeis tremeram, mas a Vovó não reagiu — ela estava passando mais uma fase no jogo "Atrair o Koschei". Koschei não era atraído, e a Vovó já começava a ficar irritada. O Vovô avaliou a situação de imediato, entendeu que agora seria apontado como a principal causa dos fracassos, mas decidiu não recuar.
Escuta, Vovó, que tal assar um bolinho?
Começou ele timidamente, esperando no fundo que ela não o ouvisse e tudo ficasse bem.
Mas a Vovó ouviu e, afastando-se da tela, reagiu surpreendentemente calma:
O que é isso, Vovô, que bolinho? Isso é tecnicamente impossível. Onde vou conseguir o tipo certo de farinha? Pelo que me lembro da receita, ela é raspada do celeiro e varrida dos depósitos. Você tem um celeiro, ou por acaso apareceram depósitos? Aposto que você nem sabe o que é isso, sua visão é limitada, porque você não sabe usar o Google! Então vamos lá, aceite um bolinho e não espere muito grande, ora, não temos produtos na despensa como no supermercado!
O Vovô mais uma vez se surpreendeu com o avanço tecnológico de sua esposa e aceitou alegremente o bolinho. A Vovó se animou e foi para a cozinha. Lá ela correu do armário para a mesa, da mesa para o fogão, e logo já cheirava a algo gostoso, o mixer zumbiu, uma espuma branca de baunilha se levantou.
O bolinho ficou maravilhoso. Pequeno, é verdade, mas muito apetitoso.
Deixe absorver o creme.
Disse a Vovó, olhando com satisfação o fruto de seu trabalho.
Ela colocou o bolo na janela e mergulhou novamente no doce mundo dos jogos eletrônicos, ainda tentando persistentemente atrair Koschei. Ao Vovô só restava olhar para as costas da vovó no roupão florido e ouvir os gritos de batalha, emitidos de tempos em tempos por sua amada esposa. Logo ele ficou completamente entediado e começou a cochilar na poltrona ao som das exclamações da Vovó.
O bolinho na janela absorveu o creme, ganhou vida, tombou de lado, no lado sem creme, caiu na grama sob a janela, ficou deitado um pouco e rolou pelo caminho.
Mal tinha rolado para longe, quando viu que algo estava pulando em sua direção. Ao olhar mais de perto, o objeto saltitante revelou-se um coelho vivo.
O coelho ficou paralisado de surpresa ao ver o bolinho rolando pelo caminho.
Ei você, maravilha de confeitaria, para onde está rolando, pare, vou te comer!
Nem pensar, sonhador! Claramente leu contos de fadas demais! Eu estava deitado ao sol, absorvi o creme, descansei, rolei da janela, corri pelo caminho. Fiz o Vovô dormir rapidamente, afundei a Vovó na internet. E você, Coelho, não é obstáculo para mim.
Enquanto o Coelho mexia as orelhas, tentando processar o que ouviu — ele não entendeu muito bem algo sobre a Vovó, o Bolinho deu um pulo e desapareceu atrás de um toco.
O Bolinho continua rolando. Vê que novamente alguém está aparecendo à frente. Uma figura maior que a do coelho. Ora! É o Lobo!
Inacreditável, antes não havia sossego com os bolinhos, e agora bolos rolam sob meus pés. Que tal um lanche?
É de mim que você vai lanchar, Cinzento?
Por que pergunta, aqui não parece haver mais nada comestível.
Nem pense nisso! Tenho tanto colesterol que até a Vovó e o Vovô desistiram de me comer! Não quiseram morrer antes da hora. Simplesmente me jogaram pela janela, então eu rolei, e o que mais eu poderia fazer?
O Lobo pensou.
E que tal um pedacinho? De um só não vai acontecer nada, né? – disse ele timidamente.
Escuta, Cinzento, a vida não te ensina nada. O rabo já cresceu de volta? Depois daquela pesca de inverno com a Raposa?
Sem esperar que o Lobo terminasse de apalpar seu rabo, o Bolinho prudentemente rolou para um buraco coberto de grama.
Quando o Bolinho saiu do buraco, o Sol já estava se pondo, e na clareira, expondo a barriga aos últimos raios já não escaldantes, estava deitado o Urso. O Bolinho calculou mal e bateu direto no lado dele. No entanto, ele conseguiu pular a tempo, e o Urso não conseguiu agarrá-lo com a pata.
O que é isso? Um bolinho? A Raposa te mandou de presente para mim?
Claro, ela mandaria! Estou aqui treinando velocidade! E você está me atrapalhando. Esparramado, como se estivesse no zoológico. Aqui não há jaulas individuais!
Ei, não fique bravo, se está treinando então treine! Já estou me levantando, já estou saindo. Vá em frente, se vir a Raposa, mande um abraço.
Resmungou o Urso bondosamente.
O Bolinho riu da simplicidade do urso e continuou rolando. O sol se pôs, e a floresta foi envolta pelo crepúsculo. O Bolinho não percebeu como alguém se aproximou dele por trás.
Excelente! Maravilhoso! Fantástico! Um bolinho no caminho!
Era a voz da Raposa.
O Urso mandou um abraço para você, Ruiva.
O que você está resmungando? Não estou ouvindo nada. Venha mais perto aqui. Não tenha medo, eu tenho diabetes, comi bolinhos demais. Então você como produto não me interessa, você não me atrai, entendeu? Vamos, mexa suas camadas de creme! Não tenho tempo para receber abraços de você, o Lobo está me esperando no galinheiro!
Mas não está não!
gritou alegremente o Bolinho, aproximando-se da Raposa.
Não está mesmo, ele está passeando pelo caminho, então você mesma vai ter que lidar com as galinhas…
O Bolinho não conseguiu terminar. A Raposa se abaixou mais, abriu a boca bem grande, e o Bolinho nem teve tempo de perceber que já não estava mais rolando pelo caminho, mas se movendo pelo esôfago da Raposa.
E por isso não teve tempo de refletir sobre o que leva o desejo excessivo de mostrar seu conhecimento.