Havia uma vez um avô e uma avó. Trabalharam muito e por muito tempo, e quando se aposentaram, deixaram seu apartamento na cidade e foram morar em uma aldeia distante. Lá tinham uma casinha pequena, mas muito aconchegante.
Mas em nossa era de tecnologias modernas e gadgets, eles equiparam sua casinha com o que havia de mais avançado: televisão por satélite, internet, meios de transporte confortáveis, patinete, bicicleta e tudo mais. O avô arava pequenas hortas perto de casa com seu mini-trator, a avó cuidava das tarefas domésticas. Em uma reunião familiar, após acalorados debates e argumentos convincentes, decidiram comprar uma cabra. A cabra Rosinha lhes dava leite.
O avô e a avó encomendavam produtos pela internet com entrega, pois não havia loja em sua aldeia, e ir à vila vizinha fazer compras não era economicamente viável.
E então um dia o avô diz:
Assa para mim um bolinho de chuva, vovó.
E ela responde:
Ontem não tínhamos internet, ainda não encomendamos farinha.
Mas você procura nos pacotes do porão, faz uma revista nos armários da cozinha, talvez encontre algo.
Tá bem.
Disse a avó.
Parece que não vou conseguir, vou fazer do seu jeito.
Procurou nos pacotes, revirou os armários, tirou leite da cabra Rosinha, e assim conseguiu fazer uma massa. A avó colocou todos os ingredientes em uma máquina de fazer pão maravilhosa, ativou o programa de cozimento "Bolinho de Chuva" e o processo de amassamento e cozimento começou.
Enquanto nossos heróis cuidavam de seus afazeres pessoais, conversavam com a família nas redes sociais, o programa da máquina de pão chegava ao fim. O bolinho de chuva estava pronto.
A avó abriu a máquina, e lá estava ele, tão fofo, aromático, dourado... Mas muito quente.
A avó colocou o bolinho de chuva no peitoril da janela para esfriar, e foi à cozinha carregar a louça suja na máquina de lavar louça.
O bolinho de chuva ficou lá, e de repente viu um monociclo.
Que transporte legal.
Pensou o bolinho de chuva.
Deixa eu andar nele, esticar as pernas, sair da zona de conforto do peitoril.
O redondinho pulou da janela, subiu no monociclo e começou a rodar... Rodava, sorria, estava feliz. De repente, encontra um Coelho em patins.
Viu o bolinho de chuva e riu maliciosamente:
Bolinho de chuva, bolinho de chuva, vou te ultrapassar e te comer.
Não me coma, Coelhinho, e você não vai me alcançar mesmo. Deixa eu cantar uma música para você e fingimos que você não disse nada e eu não ouvi nada. E cada um segue seu caminho.
Enquanto o Coelho pensava, o bolinho de chuva já tinha saído. Não precisou comer nem alcançar ninguém. E quase ficou sem cantar. Que tristeza.
O bolinho de chuva sentiu pena do Coelho, voltou e cantou uma música para ele, para animar e restaurar sua confiança na vida:
Eu sou o bolinho de chuva,
Eu sou o bolinho de chuva,
Sou redondo e dourado,
Saí da vovó,
Saí do vovó,
E de você, Coelhinho,
Vou fugir no meu monociclo.
Roda, roda o bolinho de chuva, e encontra um Lobo em um patinete.
Viu o bolinho de chuva e pergunta:
Oi, como você é tão bonito e saboroso, e anda sozinho pela floresta? Se encontrar alguém mau, como eu, vai ser comido de uma vez! Você me agrada, e vou te comer.
Não me coma, Lobo, vou cantar uma música para você, eu mesmo compus a letra e a música, passei dez noites acordado.
E o bolinho de chuva começou a cantar:
Eu sou o bolinho de chuva,
Eu sou o bolinho de chuva,
Sou redondo e dourado,
Saí da vovó,
Saí do vovó,
Saí do Coelhinho,
E de você, Lobo, vou fugir.
E o bolinho de chuva rodou, e o Lobo não conseguiu alcançá-lo em seu patinete enferrujado.
De repente, de trás de uma árvore aparece um Urso em um hoverboard.
Aproxima-se do bolinho de chuva e, falando de forma preguiçosa, diz:
Vejam só! É o bolinho de chuva redondo e saboroso! Você cheira tão bem que decidi te comer.
Não me coma, Urso, vou cantar uma música tão legal para você que você vai ficar impressionado, vamos fazer toda a floresta dançar.
Vamos ver, comece.
Resmungou o Urso.
Eu sou o bolinho de chuva,
Eu sou o bolinho de chuva,
Sou redondo e dourado,
Saí da vovó,
Saí do vovó,
Saí do Coelhinho,
Saí do Lobo,
E de você, Micha, vou fugir.
Roda mais o bolinho de chuva em seu monociclo, e encontra uma Raposa em uma bicicleta.
Oi, como você é bonito e saboroso. Vou te comer.
Assim mesmo, direto, sem lisonjas nem bajulações, puro e simples.
Deixa eu cantar uma música para você, só não me coma.
O bolinho de chuva ficou um pouco assustado.
E começou a cantar:
Eu sou o bolinho de chuva,
Eu sou o bolinho de chuva,
Sou redondo e dourado,
Saí da vovó,
Saí do vovó,
Saí do Coelhinho,
E do Lobo escapei,
E enganei o Urso,
E de você, Raposa, também vou fugir!
Oi, que música estilosa, que ritmo, que letra profunda! E que voz legal você tem, bolinho de chuva. Senta no meu nariz e canta mais uma vez.
Não, Raposa, eu sei que você é astuta, não vou sentar no seu nariz, e não vou cantar mais, vou voltar para o vovó e a vovó.
O bolinho de chuva subiu em seu monociclo e rodou de volta. O avô e a avó já estavam esperando por ele, preocupados. E quando o bolinho de chuva voltou para casa, pediu desculpas por seu comportamento e por ter pulado da janela sem permissão.
E o avô e a avó tiveram uma conversa educativa com ele sobre maníacos e comedores de bolinhos que existem na floresta, explicaram o perigo de conversar com estranhos.
Recitar poesias, cantar músicas e fazer apresentações de talentos populares só é permitido em família ou com permissão de adultos, e de estranhos que querem conversar, é melhor fugir.
O bolinho de chuva ficou morando na casinha moderna do avô e da avó, aproveitava a vida, aumentava o volume do alto-falante portátil ao MÁXIMO e cantava tão alto que até os corvos tinham medo de se aproximar da propriedade. A colheita foi preservada e os heróis empreendedores organizaram uma mini-fazenda... Mas essa é uma história completamente diferente.
Leiam contos de fadas e histórias interessantes sempre os rodearão.