Era uma vez uma menina chamada Aninha. Ela morava com seus pais em uma grande e bela casa. Tudo ali era feito de madeira, por isso sempre havia um agradável aroma de pinho nos cômodos.
A mãe de Aninha — Maria, era a melhor dona de casa da vila. Ela preparava pastéis maravilhosos de cereja, de amora, sabia fazer deliciosas iguarias e preparar diversos pratos, por isso todos vinham visitar a casa de Aninha.
O pai da menina era fazendeiro, chamava-se João. Ele passava quase todo o tempo em suas terras. Tinha estufas com vegetais, currais para cavalos e galpões com carneiros e ovelhas.
Aninha adorava ir à fazenda do pai, lá ela tinha muitos amigos. E ainda tinha um amigo especial — Tarcísio. O menino morava perto da casa de Aninha e frequentemente corria até lá para brincar com ela.
A menina tinha seis anos e Tarcísio sete, eles eram inseparáveis desde o nascimento, e seus pais também eram amigos e frequentemente se visitavam. O tempo passou e as crianças foram crescendo. Quando Aninha completou quinze anos, ela se tornou uma verdadeira beldade.
Um dia, quando os pais de Tarcísio vieram mais uma vez visitar Aninha, sua mãe disse:
Olhem para nossos filhos, eles são verdadeiros noivo e noiva! Quando Aninha completar dezoito anos, Tarcísio já terá dezenove, então com certeza faremos o casamento!
Claro! Eles ficam tão bonitos juntos. E se conhecem desde que nasceram!
Concordou a mãe da menina.
As crianças apenas sorriam. Eles realmente se amavam muito, eram os melhores amigos, e nenhum dos dois tinha ninguém mais próximo.
Um dia a mãe de Aninha mandou a menina à floresta buscar amoras, para fazer deliciosos pastéis fofinhos. À noite Tarcísio e seus pais viriam visitá-los novamente.
Aninha, tente colher as amoras o mais rápido possível, ainda vou precisar da sua ajuda — dizia a mãe Maria.
Mamãe, vou me apressar. Mas posso levar Tarcísio comigo? Sozinha é chato ir à floresta!
Perguntou Aninha.
Que tal fazermos uma surpresa para eles? Afinal, eles não sabem que hoje vamos preparar pastéis deliciosos.
Aninha concordou. Ela pegou a cesta e foi para a floresta. A menina adorava passear por lá. Os passarinhos cantavam lindas canções para ela, as folhas das árvores também sussurravam diferentes melodias. Às vezes apareciam orelhinhas de coelhos cinzentos entre as árvores, e uma vez Aninha até viu um esquilo que acenou para ela com sua cauda ruiva e fofinha.
Finalmente cheguei até você, minha querida árvore!
Disse Aninha quando chegou à amoreira. A menina colheu as frutas, encheu toda a cesta até a borda.
No caminho de volta ela ouviu um som estranho, pareceu-lhe que algo uivava e zumbia às suas costas. Virando-se, a menina viu uma grande sombra de árvore com galhos enormes. Ela ficou tão assustada que deixou cair a cesta das mãos.
O que você está fazendo aqui? Por que veio?
Sussurrou a sombra.
Vim colher frutas para os pastéis que minha mãe faz.
Respondeu Aninha assustada.
Você sabe que nesta floresta quem manda sou eu, e ninguém pode passear aqui, muito menos colher os presentes da natureza!
Continuou a sombra assustando a menina.
Como castigo vou transformá-la no animal mais bonito, e você nunca mais será humana. Só haverá uma salvação — você deve ser sinceramente amada por um jovem rapaz.
A sombra agitou os galhos e Aninha imediatamente se transformou em uma bela égua branca com crina sedosa e brilhante. A égua saiu galopando em direção à casa, ela não entendia que tudo aquilo havia realmente acontecido com ela.
João! Já se passaram várias horas desde que Aninha foi à floresta buscar amoras. Estou preocupada, ela ainda não voltou, será que aconteceu alguma coisa!
Maria correu até a fazenda.
Não se preocupe. Ela é uma menina curiosa, provavelmente ficou admirando as folhas de alguma árvore nova, ou está ouvindo o canto dos pássaros.
Disse o pai.
E de repente uma bela égua branca como a neve irrompeu na fazenda como um furacão. Ela batia os cascos e se agitava tanto no estábulo que o pai e a mãe até se assustaram.
De onde veio esta bela égua? De quem é? Ninguém por perto cria cavalos!
Admirou-se João.
Vamos deixá-la conosco, vamos alimentá-la, talvez esteja com fome. Algo a perturba, olhe como ela bate os cascos, como se tentasse nos dizer alguma coisa.
Sugeriu a mãe de Aninha.
Passaram-se vários meses, os pais procuraram a filha por toda parte. Tarcísio ia todos os dias à floresta procurar a menina, mas não a encontrou. Ele ia todos os dias ao estábulo, como se tivesse um pressentimento.
Olá, linda! Por que você tem olhos tão tristes?
Dizia o menino.
Aninha apenas tentava emitir sons humanos, mas não conseguia. E até lágrimas escorriam de seus olhos, enquanto Tarcísio a acariciava e consolava carinhosamente.
Um dia, quando compradores vieram até João para comprar uma égua, Tarcísio estava no estábulo.
Qual é a égua mais bonita que vocês têm?
Perguntou o comprador.
Esta linda aqui é a mais jovem e a mais bem cuidada. Ela chegou galopando até nós há alguns meses e ficou morando aqui. Não sabemos de onde veio, quem é o dono, mas não a expulsamos, deixamos morar no estábulo com todos os cavalos.
Respondeu o pai.
O comerciante estendeu a quantia necessária de dinheiro e se aproximou da égua.
E de repente ouviu-se um grito atrás dele:
Não vou entregar! Esta égua é minha! Nunca vou permitir que ninguém a leve!
Tarcísio correu até Aninha e bloqueou a passagem com um enorme monte de palha.
O menino se aproximou da égua, acariciou carinhosamente sua crina e disse:
Não vou entregar você para ninguém!
E de repente a égua branca como a neve se transformou em Aninha! Ela estava tão linda que todos ao redor ficaram ofuscados por sua beleza.
Tarcísio!
Exclamou a menina.
Aninha! É mesmo você! Eu sabia, eu acreditava que você seria encontrada!
Desde então Tarcísio e Aninha nunca mais se separaram. Quando a moça completou dezoito anos e o rapaz dezenove, eles se casaram. Viveram por muito tempo e felizes, e nunca se deixaram.