Essa história aconteceu na floresta dos Urais.
Era o inverno mais frio e nevado. Os alces caminhavam pela floresta. Na frente, o líder — o mais velho e resistente. Ele abria caminho através das grandes neves. No meio da manada — duas mães alce com pequenos filhotes.
Um vento frio soprou e começou a nevar. As rajadas ficavam cada vez mais fortes, uma nevasca assustadora começou.
O líder disse que em breve haveria uma clareira, onde cada um deveria deitar-se em uma grande neve. Assim ficaria mais quente — poderiam esperar a tempestade passar.
Quando os alces chegaram à clareira, apareceu uma matilha de lobos famintos. Os alces, assustados, correram em todas as direções. Começou uma luta com os predadores famintos.
Uma mãe alce empurrava seu filhote com a testa e o convencia a correr: "Filhote, mova as perninhas mais rápido, precisamos sair da borda e nos esconder dos lobos na floresta, nos perder entre os pinheiros e abetos".
Vá para a floresta, eu vou lutar contra o lobo! Ele quase nos alcançou! — gritou ela de repente…
Perto dessa clareira, na borda da floresta, havia uma cabana sólida com celeiros. Na cabana vivia um velho guarda florestal com sua esposa.
Vovó, amanhã os netos chegam para as férias de inverno — disse o guarda florestal, sentado à mesa tomando um chá de ervas aromático.
Será divertido com eles!… Veja que nevasca começou — respondeu a esposa, olhando pela janela.
Vou de cavalo amanhã cedo até a estação para buscá-los — disse o avô.
Melhor de snowmóvel — sugeriu a dona da casa.
Você tem razão. Não devo fazer o cavalo sofrer nessa neve. Melhor de snowmóvel.
Vou preparar um casaco de pele e botas de feltro, e se os netos ficarem com frio. Eles são da cidade: não usam casacos de pele nem botas de feltro.
Cedo pela manhã, o guarda florestal pegou o snowmóvel e foi para a estação. De repente, vê: perto da estrada há uma neve estranha — está se mexendo. O guarda florestal parou e se aproximou. Vê um pequeno filhote de alce deitado lá. Congelado, tremendo.
Ah, que coitado você é... Onde está sua mãe? — suspirou o avô. Olhou ao redor e notou sangue em algumas árvores.
Os lobos atacaram. Pergunto-me se sua mãe está viva ou se os lobos a mataram? Vou ter que voltar, não posso deixá-lo aqui.
O guarda florestal embrulhou o filhote de alce em seu casaco de pele, amarrou-o com corda ao snowmóvel e voltou lentamente.
Vovó, trouxe um presente para você — disse ao entrar na cabana. — Receba!
Ai, meu Deus! Um filhote de alce! Preciso aquecê-lo e dar-lhe leite morno. Você vai rápido, senão perderá o trem. Eu cuido de tudo.
O guarda florestal buscou os netos — Lera e Lênia, ambos com dez anos — e voltou para casa.
Vovó, vovó, é um bezerro? A Burênka teve um bezerro? — perguntaram as crianças ao ver o animal.
Não, Burênka será mãe na primavera, mas este é um filhote de alce. Seu avô encontrou na floresta esta manhã.
Vovô, onde estão seus pais? — perguntaram Lera e Lênia, surpresos.
Não sei se a mãe está viva. Ontem à noite, os lobos atacaram os alces. A manada se dispersou em todas as direções. O pequeno se perdeu, se separou da mãe — respondeu o avô.
Talvez ela o estivesse salvando do lobo — acrescentou a avó — e ela mesma morreu…
Que pena — disse Lera, quase chorando.
Não, ela está viva. Não chore! — disse o avô, olhando repreensivamente para a avó. — Havia uma nevasca a noite toda, por isso o pequeno se perdeu.
Como a mãe alce o encontrará agora? — perguntou Lênia.
Ela encontrará — respondeu a avó. — Aqueci-o e dei-lhe leite morno. Quando ficar mais quente lá fora, vou deixá-lo no cercado com as cabras. A alce o encontrará pelo cheiro. Lavem as mãos e senta-se à mesa, fiz panquecas. Depois você e o avô levarão o filhote para o cercado.
O que mais vamos fazer hoje? — perguntou Lênia, interessado.
O quê! Preciso inspecionar a propriedade, ver se tudo está em ordem. Querem vir comigo? Depois do almoço, vamos esquiar — sugeriu o guarda florestal.
Avô, você inspeciona suas terras todos os dias? — perguntou o neto.
Duas vezes por dia: de manhã e à noite.
Vamos decorar a árvore de Natal? — perguntou Lera, distraída das panquecas.
Vou agora à floresta e trago uma — respondeu o avô.
Eu vou com você! — disse o neto, animado.
Eu ajudo a vovó — ofereceu a menina e começou a limpar a mesa. — Depois vamos decorar a árvore.
Netinha, vou dar-lhe vegetais cortados. Leve para as cabras e o filhote de alce também pode comer, talvez — levantou-se a avó.
Vovó, e se a alce não for encontrada? O filhote fica conosco? — perguntou a menina.
Provavelmente.
Vamos dar um nome a ele.
Pode ser, pode ser. Pense!
Lósia. Vamos chamá-lo de Lósia. Não sabemos se é menina ou menino. Mas esse nome serve para qualquer um.
Que criativa você é! — riu a avó.
Passou um dia. Lósia se acostumou e brincava com as cabras no cercado.
Cedo pela manhã, a mãe alce saiu da floresta, mancando lentamente. Ela se aproximou do cercado e chamou o filhote em voz alta.
A-a-a-é-é-é, a-a-a-é-é-é! Filhote, encontrei você!
Ma-ma-a-a — respondeu Lósia.
Na cabana do guarda florestal, ouviram o grito. O cachorro latiu alto. Todos correram para fora.
A alce está exaurida, está ferida — disse o guarda florestal, preocupado, abotoando o casaco enquanto corria — vejo isso de longe.
Enquanto as pessoas corriam para o cercado, a alce caiu no chão.
Preciso chamar o veterinário — disse o homem, preocupado.
Ela morreu? — perguntou a menina, assustada.
O que vamos fazer com ela agora? — perguntou o menino, em voz baixa. — Vender a carne?
Não, não! Vamos levá-la para o cercado e curá-la, alimentá-la — respondeu a avó.
Vamos levá-la para o celeiro com a Burênka, há muito espaço e é quente — acrescentou o avô.
Vovó, vovô, vamos curar a alce com o filhote?! — disse Lênia, animado. — Que legal! Vou escrever uma redação na escola sobre as férias de inverno. Todos os meus colegas vão ficar surpresos!
Você só quer se gabar — riu a irmã.
Quando melhorarem, irão para a floresta. Não vamos retê-los aqui — decidiu o guarda florestal.
O veterinário chegou à noite. Disse que os lobos feriram muito a alce.
Fico surpreso como ela sobreviveu. Ela provavelmente queria muito encontrar o filhote. Parece que teremos hóspedes até a primavera — disse o avô, entrando na cabana. — Bem, vovó, agora definitivamente não nos entediaremos.
O avô riu.
Eba! Lósia vai morar aqui até a primavera. Vamos voltar nas férias de primavera — disse a neta, feliz. — A alce vai melhorar?
Claro, temos um veterinário competente.