Viviam uma velha e um velho. Sua casinha era pequena e ficava à beira do mar, e dentro dela havia móveis antigos. Viviam na pobreza, sem luxo nem riqueza. O avô se dedicava à pesca, e a avó cuidava da casa. Seus filhos viviam longe no exterior e raramente escreviam cartas. E eis que em um belo dia, quando já havia amanhecido, bateu à porta um mensageiro:
Olá, vocês têm uma encomenda!
Vovô, vem rápido aqui! Um rapaz nos trouxe uma encomenda. Devemos pegá-la ou não?
Preocupava-se a velha.
De quem é a encomenda?
Perguntou surpreso o velho.
A encomenda é de terras distantes, veio pelo mar e pelas cidades.
Respondeu o mensageiro.
Será que nossos filhos nos mandaram iguarias do exterior? Claro que vamos pegar, deixe a encomenda conosco!
Exclamou o velho.
Assim que a porta se fechou atrás do mensageiro, o velho e a velha começaram a abrir a encomenda. Abrem uma caixa grande, e lá dentro — um notebook novo e bonito, da geração mais recente.
Ai, meu Deus, o que é essa caixa? E esses cordõezinhos e furinhos dentro dela?
Admirou-se a velha.
Que coisa! Isso é um computador de verdade. Nele você pode jogar, assistir filmes e até imprimir um livro!
Alegrou-se o velho e começou a tirar o notebook da caixa.
E de onde você sabe o que é essa coisa tão moderna?
Perguntou surpresa a velha.
Os rapazes da pesca contavam como assistem filmes interessantes e jogam "tanques" nesses computadores.
Que tanques são esses? Que jogo é esse? São aqueles enormes, de ferro, de verdade, que atiram e se movem?
A velha quase caiu de surpresa.
Que velha atrasada você é! "Tanques" é um jogo, vou à pesca e pergunto aos rapazes como se joga. Vamos viver bem assim. Em vez de ficar olhando pela janela à noite e nos entediar, vamos jogar "tanques" e fazer desejos!
O avô coçou a cabeça e começou a conectar o notebook.
Leu a instrução por muito tempo, virou o notebook para lá e para cá. E no pacote tinha tudo: modem, roteador wi-fi, e até caixas de som para ouvir música mais alta.
O velho conectou tudo e foi para a pesca, para encontrar os rapazes e perguntar tudo sobre o jogo. Chegou à praia, mas não havia ninguém. Teve que voltar para casa.
Chegou a noite, o velho e a velha se deitaram para dormir. De repente, ouvem sons estranhos vindo do quarto onde colocaram o notebook: "pi-pi-pi". O avô e a avó ficaram assustados, pularam da cama e correram para o quarto. Lá, a tela acendeu, música toca, e na tela está a imagem — seus filhos, que vivem longe no exterior.
Como é que se liga essa coisa? Talvez eu aperte esse botão azul?
O velho decidiu tentar a sorte e apertou o botão com toda força.
Mãe, pai, finalmente vocês estão online. Vocês ficam naquele lugar isolado e não sabem o que acontece no mundo. Por isso decidimos fazer um presente para vocês — um notebook novo e bonito, para que possam falar conosco a qualquer hora. Queremos ir visitá-los em breve, sentimos muito a falta de vocês.
Que alegria!
Exclamou a velha.
Nossos filhos queridos vão vir, mas não temos nada para lhes oferecer. Vamos lá, vovô, vai para a praia pescar, talvez a pesca seja boa hoje.
O velho pegou suas varas e foi pescar. Ficou na praia, passou uma hora, depois duas, e não havia nenhuma pescaria. De repente, sente a linha ficar tensa, o sino toca. O velho começou a puxar com toda força e conseguiu tirar um peixe.
Quando ia jogar o peixe no balde, ouve o peixe falar com voz humana:
Não me coma, velho. Sou pequeno e não sou saboroso. Vamos fazer assim — você me solta, e eu realizo seu desejo. Peça o que quiser!
O avó não pensou muito e decidiu aproveitar essa chance.
Você consegue encher a geladeira de comida? Meus filhos vêm de longe e não tenho nada para oferecer.
Isso é muito fácil. Você terá uma geladeira cheia de comida, a mais saborosa e saudável.
Respondeu o peixe.
E assim fizeram. O velho foi para casa, e o peixe nadou para seus domínios no mar. O velho chega em casa, e lá está a geladeira cheia de comida: caviar vermelho, caviar preto, trutas e salmões. Frutas diferentes, tropicais, aromáticas, e no meio da mesa lagostas, langustas e um pequeno leitão assado.
De onde veio tudo isso?
Perguntou a velha confusa.
Isso, vovó, é nossa salvação. Peguei um peixe dourado na pesca, não um comum, mas um verdadeiramente mágico. E fizemos um acordo — eu o solto no mar, e ele realiza qualquer desejo meu.
Contava o velho com os olhos brilhando.
A velha agarrou a cabeça e começou a gritar:
Como assim? Nada melhor que comida entrou nessa sua cabeça velha? Peça para ela um fábrica de produção de linguiça. Você tem que fazer desejos que nos tragam benefício. Vamos ficar ricos, comprar casacos de pele, um carro, vamos fazer negócios. Vai lá com esse peixe e peça uma fábrica!
O velho vai para a praia, olha, e o peixe dourado já o está esperando na areia e pergunta com voz humana:
Bem, está satisfeito com os produtos? Os melhores agora estão na sua geladeira.
Minha velha não está satisfeita. Agora quer uma fábrica de produção de linguiça, para ter seu próprio negócio e vivermos bem.
Sem problema! Sua velha terá uma fábrica.
O velho voltou para casa, e lá, perto da casinha, havia um muro altíssimo e construções em dois hectares de terra. Dentro tudo zumbia, fazia barulho, muitas pessoas trabalhando, e no cercado havia porcos e vacas.
Que coisa! É realmente uma fábrica de verdade! E ainda tem uma fazenda ao lado!
O velho quase bateu no muro de surpresa.
Bem, velha, como achou? Agora está satisfeita?
A velha pensou e disse:
Que tal irmos juntos até esse peixe dourado? Deixa ele me olhar bem, guardar meu rosto na memória, e agora toda vez que eu pedir, ele realiza meu desejo.
A velha se arrumou rápido e foi para a praia.
Ei, peixe, sai! Trouxe a velha para você, para que realize os desejos dela.
Gritou o velho.
O peixe nadou para perto da praia e disse:
O que você quer? Qual é seu desejo?
Quero que você sempre me sirva e realize todos os meus desejos na hora. Agora, por exemplo, quero minha própria ilha no meio do oceano, um avião luxuoso, para que eu e o vovô possamos voar para essa ilha, e todo seu mar, onde tem um monte de peixes, vou construir uma cidade na água, para que todos os seres marinhos me obedeçam.
Mas como assim? Se você construir uma cidade na água, onde os outros seres marinhos vão viver?
Vou colocá-los em aquários especiais.
Ria a velha.
E de repente, o peixe abanou a cauda, as ondas subiram no mar, o vento começou a girar tudo ao redor. O velho e a velha correram para casa, e decidiram voltar quando a tempestade passasse. Mas quando chegaram, em vez da fábrica perto da casa, apareceu uma floresta densa, com animais selvagens, e agora o avó e a avó não podiam nem sair de casa. A geladeira estava vazia novamente, apenas um pedaço de pão na prateleira. E assim o velho e a velha ficaram sem nada, e receberam seus filhos com um pedaço de pão, sem manteiga e nem sal.
Leia contos de fadas e você sempre saberá o que pedir e o que não deve fazer!