Chegou o inverno. A floresta estava coberta de um manto prateado. Sob os raios do sol, brilhava e cintilava com cores variadas.
Um pequeno coelhinho com as orelhas compridas, usando um casacão branco e fofinho, saltava pela trilha da floresta. Pula-pula, pula-pula… Ele nunca havia visto uma floresta assim antes: era o primeiro inverno de sua vida.
O coelhinho estava de bom humor. Ele mordia uma grande cenoura laranja e cantarolava uma musiquinha:
Sou um coelhinho alegre.
Pulo pela floresta.
Canto uma música alegre.
Um corvo preto
Me deu uma cenoura,
Eu a como e canto uma música.
Descendo de um grande carvalho, uma pequena esquilinha saiu ao encontro do saltador.
Olá, coelhinho! Você está tão alegre, comendo cenoura e cantando. Mas onde está seu casacão cinzento? E quem te deu esse novo — tão branco e fofinho?
Olá, esquilinha! Todos os coelhinhos trocam seu casacão cinzento por um branco no inverno. É para nos escondermos facilmente na floresta: atrás dos montes de neve branca, arbustos cobertos de neve e árvores com mantos brancos. Assim a raposa e o lobo não conseguem nos ver. A natureza fez esse presente para nós, coelhinhos travessos e alegres.
Eu também tenho um casacão novo! Você não reparou!
É verdade, não reparei... Então vocês também trocam de roupa no inverno?
Sim. Só que nós, esquilinhas, trocamos nosso casacão avermelhado por um cinzento. É para não sermos vistas nas árvores, — respondeu a esquilinha. — E ainda guardamos provisões deliciosas em nossos escondeijos nas cavidades das árvores durante o verão: pinhas, cogumelos secos, nozes, frutas silvestres. No inverno, tiramos e comemos, e oferecemos aos amigos. Aqui, uma bolota para você! Aproveite!
Obrigado, esquilinha. Vou te dar um pedaço de cenoura doce.
O coelhinho mordeu um pedaço de cenoura, deu à esquilinha e continuou saltando. Salta, canta uma música e come cenoura:
Sou um coelhinho alegre,
Com meu casacão branco novo.
Canto uma música alegre
E como cenoura.
Ofereço a todos doces,
Suculentos… balinhas!
Na trilha diante do coelhinho apareceu um tetraz.
Olá, coelhinho! Quero uma balinha.
Olá, tetraz! Aqui está minha balinha, — e o coelhinho lhe estendeu a cenoura.
Que balinha é essa? — admirou-se o tetraz. — Isso é cenoura!
Para mim, coelho, é uma balinha deliciosa! — piscou o olho travessamente o saltador, e depois se gabou, — veja meu casacão novo: branco!
No inverno eu me escondo em um monte de neve, fico quentinho e não preciso de casacão, — respondeu o tetraz, — mas vou pegar um pedaço de cenoura. Obrigado! Aqui estão para você botões de bétula. São tão saborosos! Nós os adoramos!
Obrigado, tetraz, pelo presente! — alegrou-se o coelhinho e continuou saltando.
O coelhinho contente salta pela trilha e canta:
Sou um coelhinho alegre,
Pulo, salto —
Canto uma música.
Ofereço cenoura a todos
E recebo presentes!
De repente, apareceram em seu caminho, do nada, longas varas peludas. O coelho levantou a cabeça, e era um alce gigantesco. Tinha grandes chifres na cabeça. O coelhinho ficou assustado, tremeu e emudeceu na hora.
Por que você se assustou comigo, coelhinho? — disse o alce em voz alta. — Não tenha medo. Nós, alces, não machucamos os pequeninos.
Sou um coelhinho alegre. Canto uma música, como cenoura… — murmurou o coelhinho.
Você é corajoso! E você me ofereceria cenoura?
Claro, — disse o coelhinho baixinho e estendeu toda sua cenoura ao alce.
A grande cabeça do alce inclinou-se para a terra, e o coelhinho colocou a cenoura direto em sua grande boca.
Obrigado, coelhinho, por esse presente tão saboroso!
De trás dos arbustos, uma raposa vermelha observava essa cena. Ela havia seguido o coelhinho por muito tempo, querendo atacá-lo, pegá-lo e levá-lo para sua toca. Mas de repente o pequeno coelhinho começou a conversar com um alce gigantesco. E a raposa tinha medo de alces: eles têm grandes chifres que machucam. E o coelho corajoso ofereceu cenoura a esse gigante…
A raposa ficou com medo. Ela entendeu que o coelhinho era amigo do grande alce, e agora não podia machucá-lo. Correndo assustada pela floresta, a raposa começou a contar a todos os animais e pássaros sobre o coelhinho corajoso.
O pequeno coelhinho agora é amigo do grande alce! — gritava ela, correndo pela floresta e varrendo seus rastros com a cauda fofinha.