Na pequena aldeia chamada Cavalaria viviam animaizinhos alegres e bondosos: a porquinha Rosa, a cachorrinha Tapa, a vaquinha Aurora, a ovelhinha Bé-Bé e outros. E a principal lá era a cavalinha Ventania. Ventania tinha muitos anos e conhecia muitas histórias incríveis sobre tudo no mundo.
Certa noite de inverno nevado, todos os animais se reuniram na casa de Aurora. Bebiam chá de ervas com biscoitos de aveia quentes e conversavam animadamente. Tapa contava sobre um tesouro perdido — um osso que havia escondido na floresta, mas nunca conseguiu encontrar. A ovelhinha Bé-Bé compartilhava seu sonho secreto: gostaria de andar em uma nuvem branca e fofa, pois era tão parecida com ela… Apenas a velha Ventania permanecia em silêncio.
Ventania — dirigiu-se a ela a porquinha Rosa —, conte-nos uma história interessante, pois você sabe tanto!
Uma história? Hm… Sobre o que vocês gostariam de saber? — perguntou lentamente a cavalinha.
Bem, por exemplo, algo inusitado sobre nossa aldeinha! — exclamou Aurora.
Tudo bem. Sirvam-se de mais chá e escutem — começou Ventania seu relato. — Há muito, muito tempo, quando eu era bem pequena, um grande urso atacou nossa aldeia. Ele era mau, faminto e muito forte. Maltratava os pequeninos, destruía casas e roubava comida. Galinhas, patas, leitõezinhos, vaquinhas, cavalinhas — todos se esconderam nas profundezas da floresta. A aldeia ficou deserta.
Os pobres animaizinhos não tinham onde morar. As noites ficavam cada vez mais frias. O inverno se aproximava. Os animais fizeram uma assembleia para decidir o que fazer, como viver e como expulsar o urso da aldeia. Acenderam uma fogueira e passaram a noite toda pensando e planejando.
E ao amanhecer, um lindo cavalo negro chegou àquela fogueira. Era meu avô. Ele voltava para nossa aldeia depois de servir: quando era potro, foi dado a um militar. Por muitos anos viajou pelo mundo com aquele militar, viu muito e ouviu muito.
O avó ouviu as reclamações dos animais e se ofereceu para expulsar o urso. Mas primeiro, propôs construir uma toca para o urso na floresta, para que ele não pensasse mais em roubar casas alheias e maltratar os pequeninos.
Mas por que o cavalo negro decidiu construir uma casa para o urso? Afinal, o ursinho agiu tão cruelmente! — protestou a vaquinha Aurora.
A vida foi dada para fazer boas ações — continuou Ventania —, meu avó era muito sábio. Ele sempre dizia: "Quem semeia bondade colhe bondade". Pois bem… Depois que os animais construíram a toca na floresta, o cavalo foi à aldeia e encontrou o urso. O urso parecia cansado: procurava um lugar para hibernar durante o longo inverno.
O avó bateu os cascos no chão, e a terra tremeu. O urso ficou assustado, mas não queria sair da aldeia. Caso contrário, onde dormiria? "Não é lugar para você, selvagem, entre animais domésticos. Construímos uma toca para você na floresta. Vá morar lá. Depois de descansar, você cuidará da floresta, mas não toque na aldeia!" — disse o cavalo.
O urso ficou surpreso com tanta bondade. Sentiu vergonha de seus maus atos. Pediu desculpas aos animais e foi para sua nova casa. Desde então, os ursos vivem em tocas.
E nossa aldeia os animais chamaram de Cavalaria. Em honra do meu avó!
Seu avó fez certo! — apoiou a ovelhinha Bé-Bé. — Em vez de ficar com raiva, é melhor fazer as pazes e viver em paz e felicidade!
Que história interessante você contou — disse a vaquinha Aurora —, em uma boa conversa o tempo passa rápido. O sol se pôs, é hora de dormir.
Boa noite, amigos!