Isso aconteceu há muito tempo. Em um livro antigo está escrito que foi no ano 542 antes de nossa era, em outro — que aconteceu há 2500 anos atrás.
Ao pé das montanhas do Himalaia, na Índia, havia um pequeno reino. O rei e a rainha eram pessoas muito bondosas, mas não tinham filhos. Assim se passaram anos e anos. E então, um dia, a rainha teve um sonho em que um elefantinho branco voou até ela e a tocou com sua tromba.
Ela não se assustou, mas acordou com a esperança de que fosse um bom sinal. E de fato, algum tempo depois, ela deu à luz uma criança. Era um menino. Ele crescia não por dias, mas por horas. Quase imediatamente começou a andar e falar. E seu olhar era tão inteligente e consciente, como o de uma pessoa muito sábia.
Onde quer que ele pisasse, flores de lótus cresciam. Por onde ele passava, todos se tornavam mais sábios, e aonde quer que fosse — trazia o bem por toda parte.
O menino dizia:
Nasci para adquirir conhecimento e libertar todos os seres vivos do sofrimento.
O pai cercou o pequeno príncipe de cuidado e atenção. Ensinou-o a cavalgar, a atirar com arco e flecha, bem como diferentes jogos e entretenimentos. O menino não saía dos muros do reino, pois o pai construiu para ele quatro palácios para todas as estações do ano: inverno, primavera, verão e outono. Ele organizou tudo de modo que na cidade vivessem apenas pessoas jovens e saudáveis. Para que o menino não visse a velhice e a doença. O pai decidiu que seu filho seria rei quando crescesse.
Um dia, passeando pelo reino, o herdeiro entrou em uma rua distante e ouviu lá uma canção em uma língua estranha e estrangeira. O jovem príncipe pediu ao seu amigo que traduzisse seu conteúdo. E este lhe contou que existem outros países, outra vida. Não tão boa e despreocupada como a dele, mas bastante miserável, com doenças, sofrimentos e pobreza.
Devo ver o mundo.
Disse ele.
E, voltando aos seus aposentos, reuniu as coisas mais necessárias e foi ver o que estava acontecendo no mundo.
A primeira coisa que o jovem príncipe viu, ao sair dos portões do reino, foi que a vida está repleta não apenas de alegria e risos, mas também de sofrimentos. E ele decidiu que ensinaria e aprenderia como se libertar dos sofrimentos. Olhando ao redor e observando a vida cotidiana e as preocupações de outras pessoas, ele percebeu que o mundo que o cercava desde a infância e ao qual estava tão acostumado, na verdade não era assim em todos os lugares.
Às vezes parece que tudo está bem e maravilhoso, mas isso é apenas uma ilusão. E para entender qual é a verdade, é preciso desenvolver-se e iluminar-se espiritualmente. Somente uma pessoa extraordinária pode fazer e pensar assim, e essa pessoa é Buda.
Ele se sentava ao pé da montanha Kailash, com 6638 metros de altura, e sonhava. E nesse momento, sobre a montanha aparecia um brilho incomum de cores vermelha, azul e branca. Iluminava tudo ao redor, a luz emanada era tão brilhante que doía os olhos olhar para ela.
Um dia, um urso veio até Buda e perguntou:
Como posso cavar rapidamente uma grande toca?
Buda aconselhou-o a começar cavando primeiro um pequeno buraco, depois um buraco maior, e isso é normal. Afinal, sempre é preciso começar pelo pequeno. Esta foi a primeira lição.
Seguiu-se a segunda. Uma pequena corujinha tinha a asa machucada e por isso não conseguia voar. E Buda aconselhou-a a pensar que a asa estava saudável, forte e não doía nada. A corujinha pensou nisso com tanta frequência que realmente tudo parou de doer e ela voou.
E a essência da segunda lição é que os pensamentos são materiais. O que você pensa, acontece na realidade (se realiza).
Certa vez, corvos negros não dividiram entre si a presa e ficaram zangados uns com os outros por causa disso. Até brigaram, porque um deles ficou com um pedaço maior que o outro. Buda sugeriu ao corvo ofendido que perdoasse o ofensor, e o conflito foi resolvido. Assim surgiu a terceira lição.
E uma vez, nadando no lago, um patinho prendeu a patinha em um galho e não conseguia se libertar. E seu amigo nadava despreocupadamente ao lado e não fazia nada para ajudar. Isso foi visto por um ganso, que também nadava naquele lago, e rapidamente veio em socorro. Então: as ações têm significado: é preciso agir, não ficar inativo. Esta foi a quarta lição de Buda.
Tanto no mundo dos animais quanto no mundo das pessoas, é preciso tentar entender primeiro o outro, e depois falar de si mesmo e de seus desejos. Esta foi a quinta lição de Buda.
E ainda veio a Buda pedir conselho um jovem. Ele não conseguia entender o que queria. Seus pensamentos corriam um à frente do outro e, consequentemente, o jovem começava primeiro uma tarefa, depois a abandonava sem terminar e começava outra que lhe parecia mais interessante, depois interrompia e começava uma terceira tarefa... No final, ele não terminava nada.
O jovem era muito disperso, desorganizado e Buda lhe deu uma lição, que chamou de sexta. A essência da lição é a seguinte: "Vença a si mesmo, aprenda a controlar seus pensamentos, seja consistente em sua realização na vida". Esta lição é considerada uma das mais importantes lições de Buda, apenas alunos inteligentes, corajosos e disciplinados são capazes de cumpri-la.
Com sua sétima lição, Buda ensina a viver em harmonia. Nunca se fixar em problemas. Não viver de mágoas. Não guardar rancor. Não se irritar. Saber esquecer rapidamente o que é ruim.
E sua oitava lição é muito útil: "Seja grato". Sempre haverá algo pelo qual vale a pena agradecer aos amigos, conhecidos e desconhecidos, professores, Forças Superiores.
Assim é Buda e suas lições. E ele também acredita muito que existe outro mundo, onde ocorre a libertação e o apaziguamento final, onde não há sofrimentos, e ele se chama – nirvana.
E nossa vida — é um ciclo. Todas as coisas são impermanentes por natureza. Tudo flui e muda sob a influência do ambiente, dos eventos ocorridos. Por isso é preciso aprender, ler muito, para conhecer o mundo e as leis da natureza, ser flexível e estar preparado para quaisquer mudanças.