Um Desejo
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Um Desejo

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Um conto de fadas mágico sobre um rapaz que ganhou a realização de um desejo por ter salvo uma borboleta, podendo mudá-lo quantas vezes quisesse durante o dia. O que resultou disso?

Certo verão, o rapaz Tomás foi passar férias à aldeia, a casa da sua avó. Todas as manhãs comia panquecas quentinhas com natas frescas, no jardim cresciam maçãs sumarentas e, ali perto, no bosque, corria um riacho cristalino onde era bom tomar banho.

Tomás adorava estar em casa da avó. Só uma coisa o entristecia — não havia outras crianças na aldeia para brincar com ele.

E assim, um dia, o rapaz foi apanhar borboletas. Correu com a rede ao longo do riacho, apanhou borboletas-da-couve brancas e borboletas-limão amarelas, mas soltou-as logo, porque não eram suficientemente coloridas e interessantes. Já se preparava para voltar para casa quando, de repente, viu uma borboleta extraordinária. Era castanho-escura, quase vermelha, e nas asas destacavam-se grandes círculos, mesmo como na cauda de um pavão.

O rapaz aproximou-se silenciosamente e lançou a rede sobre ela. A borboleta tentou voar, mas a rede impediu-a. Com todas as suas forças, a pequenina debateu-se na rede, mas não conseguiu rasgá-la. E então falou com voz humana:

Por favor, solta-me! E eu realizarei qualquer desejo teu.

Tomás ficou pensativo, coçou a cabeça, encolheu os ombros e disse:

Bem, eu quero muitas coisas, mas não sei como escolher. Se pedir um gelado agora, depois como-o e não fica nada. E o desejo acabou. E se depois me lembrar de algo importante?

Está bem. Então vou dar-te um desejo, mas poderás mudá-lo até o sol tocar o horizonte. Assim que o sol começar a pôr-se, ficarás com aquilo que tiveres escolhido.

Respondeu a borboleta.

Tomás ficou contente e concordou. E desejou patins. Olhou para os pés e lá estavam os patins! Brilhantes, cor de laranja com rodinhas pretas, lindíssimos. A borboleta não o tinha enganado. O rapaz quis agradecer-lhe, olhou para a rede, mas ela já tinha voado. Então gritou bem alto: «Muito obrigado!» e começou a patinar pelo caminho ao longo do riacho.

Mas o caminho estava cheio de buracos e o rapaz tropeçava constantemente. Tomás percebeu que era desconfortável andar de patins na terra. E decidiu que seria melhor ir pescar. Zás! — apareceu nas suas mãos uma cana de pesca de sândalo. E os patins desapareceram. O nosso herói aproximou-se do riacho, sentou-se na margem e começou a pescar.

Pescou, pescou. E apanhou um peixe! Um lindo carassio. Tirou-o do anzol e percebeu que não tinha onde o pôr. Tomás pensou que devia ter trazido um balde — zás! — e logo ali ao lado apareceu um baldinho cor de laranja com pintas pretas, ainda por cima com água. Pôs lá o carassio, quis pegar na cana, mas ela já não estava.

Claro! Transformou-se no balde! Bem, agora já não posso pescar mais...

Tomás bateu na testa.

Pegou no baldinho e foi ao longo do riacho para casa. O sol começava a inclinar-se para o poente, era hora de voltar para a avó.

O rapaz ia a caminho e pensava que dia tão interessante tinha sido. Mas era tão triste não ter um amigo por perto a quem pudesse contar tudo isto. E então percebeu qual era o seu desejo mais importante! Soltou o carassio no riacho, pousou o baldinho no caminho e disse em voz alta:

Quero um amigo!

E o baldinho transformou-se numa rapariga. Com cabelo castanho-avermelhado e grandes olhos escuros. A rapariga riu-se e disse:

Muito bem, escolheste o desejo mais importante do mundo! Serei tua amiga enquanto estiveres de férias na aldeia.

Como te chamas?

Chamo-me borboleta Olho-de-Pavão. Apanhaste-me esta manhã, e fui eu que me transformei nos patins, na cana e no baldinho. Tinha curiosidade em saber o que irias pedir. E não me enganei contigo, és bom, já que o mais importante para ti é a amizade.

A rapariga riu-se.

Eu chamo-me Tomás. Vamos comer empadas de maçã, a avó faz-nas sempre para o jantar.

Apresentou-se o rapaz.

E as crianças foram jantar. Assim o nosso herói descobriu que um verdadeiro amigo é mais importante do que quaisquer brinquedos e coisas. E tu, pequenino, o que pedirias?

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