Numa cidade distante vivia um rapaz chamado Miguel com um coração muito bondoso. Vivia, claro, não sozinho, mas no verão sentia-se frequentemente aborrecido. A sua mãe ia trabalhar todos os dias e só regressava tarde da noite, o pai andava sempre em viagens de trabalho, e os amigos da escola andavam espalhados por praias e estâncias de férias.
Por isso, normalmente o Miguel passeava. E num desses dias passava ele perto de uma floresta densa, quando de repente — uma luz brilhou. A mãe tinha-lhe dito para não ir à floresta, mas a curiosidade foi mais forte do que qualquer ordem.
Sem hesitar um segundo, o Miguel dirigiu-se para a floresta. A luz estranha levou-o até uma clareira — e ali estava a acontecer algo extraordinário! Uma borboleta de beleza incrível, do tamanho de uma mão ou até maior, estava presa numa teia de aranha. E uma aranha não menos enorme rastejava em sua direção.
Se fosse outra pessoa no lugar do Miguel, teria ficado assustada, mas o nosso herói era corajoso. Não teve medo, apanhou um pau e afugentou a criatura terrível. E a borboleta desapareceu de repente. E subitamente na clareira apareceu uma jovem bonita, com um vestido comprido e asas delicadas.
Obrigada, meu salvador.
Disse ela com uma voz melodiosa.
Já que me encontraste e salvaste, concedo-te três desejos. O que desejas?
O Miguel até esfregou os olhos com a mão — a bela jovem não desapareceu. E então, sorrindo amplamente, fechou os olhos e pediu:
Quero um Transformer. Da nova coleção.
Terás o teu Transformer esta noite. O que mais desejas?
O Miguel ficou pensativo. Desejos — são uma coisa séria, não se podem desperdiçar em disparates. Nos livros estava escrito que a magia só aparece uma vez na vida.
Eu quero... Quero que a mãe e o pai não precisem de trabalhar tanto.
Concluiu o rapaz com firmeza. Nos lábios da fada apareceu um leve sorriso.
Excelente escolha. E o último?
E que tal... Que tal contares-me tudo sobre magia!
Não se conteve o rapaz.
Bem, tudo não te posso contar, mas... O que queres saber? Que isto não conte como um desejo.
Quem és tu? És uma fada verdadeira? E onde estão as outras? Porque é que nunca vi nenhuma de vós antes?
Nos olhos da jovem sorridente passou subitamente uma tristeza.
Sim, sou uma fada. Somos muitas, mas vivemos no nosso próprio mundo, onde vós não podeis entrar. Só eu ando por aqui pelo mundo a voar. Amaldiçoaram-me há muito tempo. Encontrei-me com um feiticeiro poderoso, e ele quis desejos. Eu não quis ajudá-lo, e ele em troca prendeu-me na Terra. Tenho de realizar os vossos desejos...
A fada baixou a cabeça tristemente. Não aguentando, o Miguel correu até ela e acariciou-lhe a cabeça.
Não chores! Sabes que mais? Que o meu terceiro desejo seja: que sejas livre!
A fada riu-se de felicidade, agradeceu ao rapaz de coração e desvaneceu-se ali mesmo no caminho da floresta. E à noite a mãe chegou a casa. Deu a boa notícia de que ela e o pai tinham sido promovidos, e agora estariam mais vezes em casa.
E trouxe um Transformer de presente, como não podia deixar de ser.