Num reino muito, muito distante, aconteceu uma desgraça: morreu o velho rei. Prantearam-no, como era devido, mas a vida tinha de continuar. Decidiram em conjunto que a sua filha iria governar. Mas não ficava bem uma rapariga governar sozinha o reino, por isso lançaram um anúncio a todos os reinos vizinhos: procuramos marido para a nossa bela princesa.
E então começaram a chegar pretendentes de todos os cantos do mundo. O primeiro foi um príncipe oriental. Bronzeado, de dentes brancos — e os presentes que trouxe… Uma fonte que jorrava chocolate verdadeiro e um vestido de seda. E dizia palavras melosas:
Levar-te-ei comigo, serás minha esposa.
É verdade o que dizem, que já tens cinco mulheres?
Respondeu-lhe a princesa.
Mas tu serás a mais amada. E o reino do teu pai juntaremos ao meu.
Respondeu o príncipe evasivamente.
E então os seus olhos brilharam sonhadoramente. A princesa percebeu imediatamente o que lhe interessava e ordenou que o expulsassem do palácio.
O próximo príncipe veio de algum lugar do ocidente. Trouxe à princesa joias com pedras raras que brilhavam mais que o sol. Mas nos seus olhos havia uma tristeza profunda, e só se iluminaram quando se falou do dote. O terceiro, o quinto, o décimo — todos eram iguais.
A princesa ficou então furiosa e fugiu para o parque do palácio. Mas lá foi alcançada por um jovem.
És tu a princesa?
Perguntou ele encantado. A rapariga apenas acenou com a cabeça, e então o jovem ajoelhou-se e ofereceu-lhe uma rosa.
Então isto é para ti.
Só uma rosa? E onde estão as sedas, as joias todas?
A princesa bufou.
Desculpa, tenho pouco. Mas cultivei esta rosa durante anos, para a minha única e amada.
O jovem baixou a cabeça.
Tens pouco, então queres enriquecer à custa do meu pai, não é?
Uma lágrima rolou pela face da princesa. Correu para a frente — e tropeçou num ramo saliente.
O jovem correu então para a princesa, mas ela não conseguia levantar-se, já estava a chorar copiosamente. Pegou na coitadinha ao colo, com cuidado e ternura, como se fosse uma peça de porcelana antiga, e levou a rapariga para o palácio. Lá, passando pela guarda, levou-a diretamente ao médico.
Mas mesmo depois não abandonou a rapariga. Proibiram a princesa de andar, e ele ficou feliz por estar ao seu lado. Trazia-lhe água, oferecia-lhe fruta e consolava-a sempre. Assim se apegaram um ao outro e, inesperadamente para todos, casaram-se.
E este casal viveu feliz e em harmonia, governando o reino com sabedoria. Nunca discutiam, para inveja dos reinos vizinhos.