Em uma floresta maravilhosa e encantada vivia um Coelho. O coelho de orelhas compridas morava na sua pequena casinha debaixo de uma árvore gigante, cujos ramos se estendiam em todas as direcções. Todos os dias o Coelho saía da sua casinha à procura de comida, e quando regressava, convidava os seus muitos amigos da floresta. Juntos comiam e partilhavam histórias interessantes.
O Coelho era muito bondoso, nunca magoava ninguém e estava sempre pronto a ajudar os outros habitantes da floresta. Uma vez, o Coelho apanhou uma noz que a sua amiga Esquila tinha deixado cair. A noz caiu da árvore e rolou pela encosta. O Coelho viu e correu atrás dela. Quando a apanhou, devolveu a noz à Esquila. Ele corria muito depressa e conseguia ultrapassar qualquer habitante da floresta.
E certa vez, o Coelho ajudou a Coruja a encontrar o caminho para casa. O sol brilhante tinha cegado os olhos da Corujinha, e ela tinha-se perdido. O Coelho viu que a caçadora nocturna estava pousada num ramo e chorava. Compreendeu logo o que se passava e ofereceu a sua ajuda.
E eis que numa bela manhã o Coelho acordou e lembrou-se de que no dia seguinte era o seu aniversário. Claro que logo pensou em que presente receberia. Afinal, muitas vezes acontece sonharmos com uma coisa e recebermos de presente outra completamente diferente. E então fica-se tão magoado. E às vezes adormeces com a ideia de que te vão dar, por exemplo, um novo jogo bonito, e realmente to dão. Mas de repente muda-se de ideias e começa-se a sonhar com outra coisa.
Os pensamentos do Coelho foram interrompidos pelo canto dos pássaros, que cantavam as suas belas canções em voz alta. O Coelho esticou as patas, espreguiçou-se bem e levantou-se. Não sabia bem o que queria de presente para o seu aniversário. Afinal, tinha brinquedos, livros interessantes e roupa bonita.
E então o Coelho decidiu ir passear pela floresta. Lá, alguém o ajudaria a decidir que presente desejava.
O Coelho corre pela floresta e de repente vê à sua frente uma Toupeira.
Olá, amigo!
Alegrou-se o Coelho ao encontrá-lo.
Olá.
Murmurou a Toupeira, mal se ouvindo.
Porque é que estás tão triste? Aconteceu algo?
Perguntou o Coelho com entusiasmo.
Não, nada. Apenas estou cansado. Passei o dia todo a cavar uma toca e fiz tudo sozinho, sem ferramentas nem ajuda.
Respondeu a Toupeira.
O Coelho pensou, coçou a cabeça e disse:
Ah, isto será o presente perfeito! Vou indo, Toupeira, ainda tenho muitas coisas para fazer.
O Coelho continuou a correr pela floresta. E de repente, uma grande mala cheia de nozes caiu com estrondo no chão à sua frente.
Ei, lá em cima! Porque é que estão a atirar coisas? Não vêem que estou aqui debaixo da árvore e quase me partem a cabeça?
Gritou o Coelho, levantando a sua cabeça de orelhas compridas.
Desculpa, amigo!
Ouviu-se uma voz arrependida lá de cima.
O Coelho levantou a cabeça e viu a Esquila num ramo.
Deixei cair a minha mala, onde guardo as nozes. Já está tão velha que os puxadores caíram. Desculpa, por favor, não foi de propósito.
A Esquila saltou do ramo para o chão e sorriu timidamente.
O Coelho coçou a cabeça novamente, observou a mala com atenção e continuou o seu caminho.
Corre ele pela floresta, cantarolando uma canção, pensando no dia seguinte. E de repente, um som assustador interrompeu os seus pensamentos. Era o Pica-pau a bater no tronco da árvore para fazer um buraco.
Ei, Pica-pau, olá, amigo!
Gritou o Coelho.
Olá, Coelhinho. Estou a fazer um novo buraco, preciso de me preparar para o inverno e aquecer a casa. No inverno passado passei frio num buraco pequeno, e tive de beber chá com frutos silvestres durante duas semanas inteiras.
Respondeu o Pica-pau.
Entretanto, já estava a anoitecer, por isso o Coelho decidiu regressar a casa. Queria deitar-se mais cedo para acordar mais cedo no dia seguinte. Afinal, amanhã era o seu aniversário e mal podia esperar para receber os presentes.
Todos os anos o Coelho faz um desejo, e os presentes aparecem na sua casinha no início da manhã. Quem os traz ainda é um mistério. Mas o Coelho sabe que nunca ficará sem presente.
O Coelho deitou-se na sua cama quente e começou a sonhar. O que se passava na sua cabeça, nos seus pensamentos, ninguém sabe. Mas o importante é que o Coelho sabia o que queria e acreditava muito que se tornaria realidade.
Na manhã seguinte acordou de excelente humor. Quando se levantou da cama e se aproximou da porta, viu uma caixa enorme. Hurra! É o presente!
Bateram à porta, e o Coelho correu a abrir. Na soleira estavam a Toupeira, a Esquila e o Pica-pau.
Feliz aniversário, amigo!
Gritaram todos em coro.
Muito obrigado! Obrigado por não se terem esquecido do meu aniversário e terem vindo felicitar-me. Estava mesmo a abrir o meu presente! Vamos depressa!
Alegrou-se o Coelho.
O Coelho colocou a caixa no centro e começou a abri-la. Estendeu a pata para dentro e disse alegremente:
Isto é para ti! Vais cavar tocas rápido e facilmente!
Entregou uma bonita pá colorida à Toupeira.
E isto é para ti!
O Coelho tirou da caixa uma bonita mala vermelha e entregou-a à Esquila.
Esta mala é perfeita para as nozes.
Os amigos do Coelho ficaram sem palavras, não conseguiam compreender o que estava realmente a acontecer! Porque é que o Coelho lhes estava a dar presentes, quando era ele que fazia anos?!
E isto é para ti!
O Coelho tirou da caixa um conjunto de martelos para o Pica-pau.
Isto é para que não danifiques o teu bico na casca dura da árvore. Assim podes fazer uma casa grande e quente.
O que é que isto significa?
Gritaram todos em coro, completamente confusos!
Significa, amigos, que no meu aniversário pedi amigos, ou melhor, felicidade para os meus amigos. Porque se vocês estiverem bem, eu também serei feliz com vocês! Verdadeiros amigos são o melhor presente do mundo!