Porque é que os banquinhos não têm costas
9 065

Porque é que os banquinhos não têm costas

Autor:
Um conto terapêutico autoral sobre uma família de cadeiras que lavava sempre as pernas depois dos passeios, e sobre o seu bebé-banquinho que teve preguiça de o fazer.

Era uma vez uma família de móveis: o bebé — um banquinho, a mãe — uma cadeira de jantar, o pai — uma cadeira de escritório, a avó — um sofá macio com manta e almofada, e o avô — uma cadeira de baloiço. E tinham um cãozinho — um pufe.

O bebé-banquinho era frequentemente pedido para passear com o pufe, porque todos os outros estavam ocupados.

A mãe — a cadeira de jantar — preparava o almoço para a família. O pai — a cadeira de escritório — trabalhava o dia todo no escritório. A avó — o sofá macio com manta e almofada — tricotava mantinhas macias para as outras cadeirinhas. O avô — a cadeira de baloiço — lia livros sábios, balançava pensativamente e rangia. Às vezes ia passear, mas já era velhinho e não conseguia acompanhar o banquinho e o pufe.

Sempre que voltavam do passeio, a mãe — a cadeira de jantar — dizia a todos para lavarem bem as pernas, para não sujarem o chão de casa e para não apanharem nenhuma doença. Normalmente o pequeno obedecia e lavava-se cuidadosamente, com sabão e às vezes até com esponja.

Mas um dia chegou a casa, olhou para as pernas e decidiu que já estavam limpas. Na rua estava seco e limpo, por isso achou que não se tinha sujado. E portanto, não era preciso lavar-se.

Senta-se à mesa, e a mãe — a cadeira de jantar — pergunta:

Lavaste as perninhas?

Sim, mamã!

Respondeu o bebé-banquinho.

Muito bem. Então vamos almoçar.

Sentaram-se a comer. Comeram, e a avó — o sofá macio com manta e almofada — diz ao banquinho:

Agora tens de te lavar, e depois podes ir brincar.

Está bem, avozinha!

Respondeu o pequeno, mas decidiu que não se tinha sujado, por isso correu logo para os brinquedos. E não se lavou.

Está ele sentado a brincar com os brinquedos e sente que as pernas lhe fazem comichão. Coçou, mas não passa. E quanto mais tempo passa, mais comichão faz! Decidiu perguntar ao avô — a cadeira de baloiço — porque ele lê muito e sabe tudo. Correu até ele e diz:

Avozinho, porque é que as minhas perninhas fazem tanta comichão?

Lavaste-as?

Perguntou o avô — a cadeira de baloiço.

Não. Mas para quê lavar, se não as sujei?

Respondeu tristemente o banquinho. E o avô responde:

É preciso lavar-se mesmo quando não se vê sujidade! Porque os micróbios são tão pequeninos que não se conseguem ver sem microscópio. É obrigatório lavar as mãozinhas e as perninhas depois dos passeios, antes das refeições e depois da casa de banho, mesmo que pareçam limpas. E tu não lavaste, por isso ficaste doente. Tens de ir depressa ao médico dos móveis!

Do trabalho acabava de chegar o pai — a cadeira de escritório. Pegou no bebé-banquinho e levou-o logo ao melhor marceneiro — é assim que se chama o médico dos móveis.

O marceneiro examinou as pernas doentes, bateu com o martelo e diz:

Por causa da sujidade apareceram aqui bichinhos. É preciso serrar estas pernas e fazer novas. Mas acabou-se-me a madeira adequada. Por isso vou tirar as costas ao banquinho e fazer novos apoios com elas.

A família de cadeiras ficou triste por o seu filho ter de andar agora sem costas. Mas era preciso salvá-lo urgentemente, antes que os bichinhos danificassem todo o resto.

O marceneiro esteve muito tempo a desapertar, serrar, cortar, lixar e apertar. E fez perninhas excelentes ao banquinho! Saudáveis e fortes. E o pequeno desde então lavava-as sempre, sempre antes das refeições, depois da casa de banho e depois dos passeios.

E agora já sabes porque é que todos os banquinhos têm pernas fortes, mas não têm costas nenhumas.

Deixar uma avaliação

O conto de fadas Porque é que os banquinhos não têm costas está disponível no formato FB2 para telemóveis, tablets, computadores e leitores de e-books.
Comentários()
Contos semelhantes
Como o Bolinho se aventurou em sites de encontros na internet
Como o Bolinho se aventurou em sites de encontros na internet
Até o Bolinho se sente sozinho às vezes. Por isso decidiu: vou inscrever-me num site de encontros. Foi assim que tudo começou. Um conto moral moderno sobre como o Bolinho procurou conhecer pessoas na internet
5 743 3
Como a Lebre e o Lobo Trocaram de Cauda
Como a Lebre e o Lobo Trocaram de Cauda
Uma fábula moderna instrutiva sobre como a Lebre e o Lobo decidiram trocar de cauda. O que resultará disto?
31 864 3
O Conto da Princesa e o Dragão
O Conto da Princesa e o Dragão
Um conto moderno sobre uma princesa que tinha muito, muito medo de um dragão assustador. Mas um dia venceu o medo e decidiu visitá-lo... E foi assim que surgiu um novo amigo.
12 368 3
O Conto das Três Tortas
O Conto das Três Tortas
Certo dia, um rei pediu às suas filhas que cada uma lhe fizesse uma torta para o seu aniversário. Duas das futuras princesas cumpriram a tarefa, mas a terceira apareceu de mãos vazias. Neste conto autoral descobrirás porquê
5 382 3
Nada aqui ainda.

Use 🔊
para adicionar um conto
ao leitor

Quer ser notificado sobre novos contos de fadas?