Eis que chegou até nós a bela estação do outono. Pintou as árvores com cores variadas, secou as folhas sob os pés, ofereceu a todos uma colheita abundante. E não se esqueceu, claro, dos rapazes desportistas. Ofereceu-lhes um tempo quente, calmo e ensolarado.
No estádio desportivo, estão a preparar-se para uma competição, para uma maratona desportiva. O treinador de atletismo vigia para que os rapazes corram corretamente:
Vasco, olha em frente, queixo mais alto! Pedro, costas direitas, não te inclines para a frente! Maria, salta melhor com as pernas, não dês passos largos! Iris, ajuda-te a ti mesma, faz mais movimento com os braços!
As crianças correm pela pista circular, esforçam-se. Desenvolvem um carácter forte, ganham vontade.
E ao lado, sentada num banco, está Maldita a observar:
Com quem fazer amizade? Com quem fazer birra? Vou ter com a Iris, ela foi a última a chegar à meta.
Olá, Iris! Fica triste por seres a última? Que grande coisa, serem rápidos! Não te dês bem com eles, vem e fica ofendida com todos.
Disse Maldita, abraçou Iris com ternura e puxou-a para o banco. Mas de repente, Iris afastou a sua mão:
Hoje sou a última, mas amanhã serei a primeira a chegar! Vou esforçar-me muito.
Declarou ela com teimosia.
O outono alegrou-se com a resposta de Iris e ofereceu-lhe um rubor rosado nas bochechas, para que Iris ficasse ainda mais bonita.
Maldita suspirou fundo e foi para o seu banco:
É aborrecido estar sozinha, sem fazer nada.
Vê que Vasco tropeçou e caiu na pista de corrida.
Aha, agora vou fazer amizade com ele.
Pensou Maldita e aproximou-se de Vasco e perguntou:
Porque é que não choras, não gritas? Ou não dói?
Dói muito, mas sei aguentar.
Para quê aguentar, tonto, grita mais alto, bate com os pés. Então terão pena de ti e dar-te-ão uma medalha.
Não, os desportistas não choram, e as medalhas dão-se por conquistas. Vai-te embora Maldita, não vou ser teu amigo.
Pois bem, também não preciso!
Respondeu Maldita com rispidez e afastou-se.
O outono soprou com uma brisa morna na ferida de Vasco, e os raios de sol cicatrizaram-na. A dor desapareceu.
Maldita senta-se novamente no banco e observa os rapazes a treinarem, Pedro ultrapassa Maria. E germinou em sua alma um plano astucioso.
Maldita alcançou Maria e sussurrou-lhe ao ouvido:
Empurra Pedro para o lado, e tu chegarás em primeiro lugar.
Maria fez exatamente isso, empurrou Pedro. Pedro não conseguiu manter o equilíbrio, torceu o pé e caiu.
Maria chegou em primeiro lugar e espera elogios e prémios. Mas o treinador, por alguma razão, olha-a com raiva. E o outono nublou-se. Nuvens escuras cobriram o céu, escureceu tudo à volta.
Apenas Maldita elogia Maria:
Muito bem, inteligente, é assim que se faz, conquistar a vitória a qualquer custo.
Maria virou-se e viu Pedro sentado no chão, incapaz de se levantar.
E Maldita sussurra:
É culpa dele, não conseguiu aguentar-se, fraco!
Maria sentiu pena de Pedro, aproximou-se timidamente dele e perguntou:
Dói muito? Deixa que te ajude.
Maria estendeu a mão ao amigo. Pedro agarrou-se a ela, tentou levantar-se, mas não conseguiu aguentar-se, caiu e gemeu de dor.
Não consigo apoiar-me na perna esquerda.
Desculpa-me, por favor, Pedro! Desculpa, não pensei que isto aconteceria.
O treinador aproximou-se, pegou em Pedro ao colo e levou-o para a enfermaria. Maria ficou confusa, imóvel: "Que é que eu fiz???" — passava-lhe pela cabeça.
Não te preocupes tanto! O importante é que tu chegaste em primeiro lugar, alegra-te!
Tentava animar-se com a sua nova amiga.
Mas no coração de Maria não havia alegria, pelo contrário, apenas amargura e peso pela sua própria ação.
Não quero uma vitória assim! Vai-te embora Maldita, só trazes desgraças!!!
Maria chorou. Ninguém quis ser amigo de Maldita, assim sofre ela, procurando novos amigos. E quando os encontra, o outono chora, inundando a terra com chuva.