Os adultos normalmente voam o dia inteiro à procura de coisas valiosas, e os pequenos ficam na árvore com a velha ama. Mas é tão tentador encontrar tesouros!
Filipe e o seu melhor amigo Frederico dariam as caudas e as asas para conseguir tesouros verdadeiros! Mas onde encontrá-los, se não há mapa? Mas um dia Frederico trouxe um mapa!
Olha, Filipe, o que eu tenho! Um mapa verdadeiro!
Uau! Que sorte! Deixa-me ver.
Filipe ficou todo contente.
Aqui está. Este X é o tesouro, e esta é a nossa árvore — é daqui que vamos começar a procura.
E isto o que é?
Perguntou Filipe com dúvida, olhando para os traços tortos, como se feitos por uma pequena garra, numa folha amarrotada e seca.
Isto é a direção e o número de passos. Cada traço são dez passos.
E onde arranjaste isto?
Perguntou Filipe com dúvida.
Desenhe-o eu próprio!
Disse Frederico com orgulho.
Pode-se fazer isso?
Perguntou Filipe. O amigo apenas encolheu os ombros. Mas ambos dirigiram-se logo para a saída do quarto das crianças.
O sol aquecia carinhosamente os narizes curiosos, Filipe abriu as asinhas com prazer e levantou-se vivamente no ar. Adorava as suas asas. Eram brilhantes, de cor lilás suave.
O dragão não se conteve, virou ligeiramente o pescoço e desviou os olhos para admirar as suas asas. "O melhor par de toda a árvore dos dragões" — pensou ele.
E logo a seguir quase embateu num ramo perto do chão. Frederico desatou a rir às gargalhadas. Filipe bufou e endireitou cuidadosamente o curso, e depois pousaram juntos mesmo ao pé da árvore. Daqui, de baixo, parecia-lhes simplesmente enorme.
Então, tira o mapa.
Frederico logo meteu a pata num pequeno saco no peito e tirou de lá a coisa valiosa.
Pronto. O caminho que nos espera é longo e difícil, por isso trouxe comida — frutos de dragão, vamos beber orvalho fresco e dormir no chão duro, como numa verdadeira aventura!
Disse ele.
Como assim dormir?
Filipe ficou até atónito, nunca na vida tinha dormido fora do quarto das crianças sob a letra F.
Bem, nunca se sabe como a sorte nos vai correr. Não vamos voltar para casa sem o tesouro.
O amigo tinha um ar muito decidido. Filipe também se deixou contagiar um pouco. Embora a ideia de dormir no chão duro e desconhecido não lhe agradasse.
E a aventura começou. Frederico pegou no mapa e ia à frente, dizendo: "Três dezenas de passos à direita da árvore, depois virar à esquerda e andar mais dez passos em frente, agora é preciso virar duas vezes à esquerda e dar trinta e três passos".
Passaram apenas alguns minutos e Filipe já estava cansado. Andavam em círculos e ziguezagues a pé debaixo da árvore, e não se via o fim da sua viagem.
Ouve, isto é muito cansativo, não está na hora de fazermos uma pausa?
Estás doido? Acabámos de começar! Quando encontrarmos o tesouro fazemos uma pausa.
Filipe seguiu docilmente o amigo. Na verdade, faltavam literalmente alguns passos para chegar ao objetivo desejado, e eis que os dragonetes já tinham chegado ao local marcado no mapa com um X.
Mesmo à frente deles estava um arbusto. Frederico mergulhou decidido no matagal. Durante um minuto pisou ruidosamente entre os ramos, que farfalhavam com a folhagem verde e resistiam ao seu avanço. Mas depois o dragão saltou de lá de repente com um brilho triunfante nos olhos.
O que há ali?
Filipe, de impaciência, abanou a cauda e saltou para junto do amigo.
Aqui está.
Ele abriu a patinha e mostrou uma pequena pedrinha às riscas.
Uau.
Disse Filipe encantado. A pedrinha era mesmo muito simpática. Logo a seguir fizeram um lanche. Os amigos mastigavam frutas, bebiam orvalho e admiravam o seu tesouro.
Encontraste um bom tesouro, Frederico! Só que encontrámo-lo depressa demais.
Disse Filipe. Já tinha esquecido os seus receios e também queria muito encontrar alguma coisa.
Pois é. E só há um tesouro, como é que o vamos dividir?
Concordou Frederico.
Exatamente! Podemos procurar mais?
Mas só temos um mapa!
Disse Frederico.
E então? Vamos começar de outra árvore. Agora vamos a qualquer uma e começamos todo o caminho de novo!
Filipe não se deixou desanimar.
Que boa ideia!
Gritou Frederico de alegria. Levantaram-se logo, guardaram o seu tesouro, abriram o mapa e dirigiram-se à árvore mais próxima. Percorrendo o caminho do mapa de novo, descobriram uma pedra enorme, atrás da qual Filipe encontrou uma linda conchinha branca.
Os dragonetes exclamaram de admiração pela beleza do seu achado, e depois sem pensar muito passaram à procura do tesouro seguinte. Encontraram a terceira árvore e fizeram novamente o seu percurso. Levou-os a um riacho frio, no fundo do qual brilhava e cintilava um papel de rebuçado.
Frederico corajosamente meteu a pata na água fria e tirou a nova preciosidade. Entretanto já começava a anoitecer. Frederico declarou que já tinha tesouros suficientes e que era hora de voltar.
Filipe olhou com tristeza para o mapa e concordou. Levantaram-se no céu e, vendo a árvore natal, voaram para casa.
À porta do quarto sob a letra F, Filipe e Frederico começaram a dividir os tesouros.
O papel e a pedra para mim, a concha para ti.
Disse Frederico.
Não é justo, tu ficas com dois tesouros e eu com um.
Notou Filipe.
E o que fazer? Se eu te der a pedrinha, fico só com o papel, e volta a não ser justo.
Filipe também via que os tesouros não se podiam dividir igualmente. E então lembrou-se do mapa e de todo aquele dia maravilhoso com procuras, pausas e tesouros.
Sabes, fica tu com todos esses tesouros. E deixa-me o mapa!
Disse Filipe ao amigo.
Bem, se é isso que queres...
Frederico, satisfeito, estendeu a folha com o mapa ao amigo, e apertou bem o seu saquinho com os tesouros. Entraram no quarto, onde a ama já estava a fazer as camas limpas, e começaram a contar aos outros as suas aventuras.
Quando todos já dormiam, Filipe apertou ternamente contra o peito o seu mapa e pensou sonhador: "Para que quero eu tesouros, se tenho este mapa? Com ele vou encontrar uma montanha inteira de tesouros de aventuras".