Um Coelho bonito e rápido como o vento vivia numa floresta imensa e densa. O Coelho cinzento vivia sozinho na sua casinha e sonhava em encontrar a sua amada.
Todos os dias o Coelho saía da sua habitação à procura de comida, e aos fins de semana ia passear num prado, onde muitos outros coelhos se reuniam para passar tempo de forma alegre e divertida.
O prado era muito bonito. Por toda a parte cresciam flores que perfumavam toda a floresta, e a relva verde e alta protegia os coelhos do sol quente.
E assim, um dia, o Coelho foi novamente ao prado de domingo. Deitou-se sob a relva alta, colhendo algumas flores para desfrutar do seu aroma maravilhoso.
O Coelho estava deitado e sonhava em encontrar uma Coelha bonita. E de repente, como um raio do céu, algo macio e quente caiu sobre ele. O Coelho saltou e viu que uma Coelha estava deitada na relva.
Ficaste maluca? Não vês que há coelhos respeitáveis a descansar aqui?
Perguntou o Coelho com cautela.
Desculpa, por favor. Estava tão distraída a olhar para aquela flor que não te vi na relva alta.
Apressou-se a pedir desculpas a Coelha.
Tudo bem, não há problema. Afinal não eras tão pesada, estou completamente bem! E se calhar podemos admirar as flores do prado juntos, e depois vamos passear. O sol está tão quente que tenho medo que as minhas orelhas possam queimar e depois vai doer muito.
Não tenho nada contra.
Alegrou-se a Coelha. Claramente gostou do Coelho. E com razão, pois ele era o mais bonito de toda a floresta.
Juntos, a Coelha e o Coelho passearam pelo prado, admiraram as flores, e depois foram passear por um caminho à sombra para não queimar as orelhas ao sol. E assim passeavam juntos todos os dias. O Coelho oferecia à Coelha ramos de cenoura e alface, e depois reuniu coragem e confessou que se tinha apaixonado.
Tu és a Coelha mais bonita do mundo! Eu amo-te!
Gritava o Coelho com alegria em quase cada passo.
Mas a Coelha nunca tinha dito isto ao Coelho. Tinha medo de que tudo isto fosse apenas uma ilusão do Coelho, e que ele não estivesse realmente apaixonado.
Bem, Coelho, tu podes dizer o que quiseres. Mas não tenho a certeza de que realmente me amas!
O Coelho ficou triste e ficou em silêncio. Estava tão magoado que nem soube o que responder. Passeavam em silêncio pelo prado, parando perto de cada flor bonita, e não perceberam quando o sol ficou diretamente acima das suas cabeças. E quando o Coelho acompanhava a Coelha até casa, de repente viu que as orelhas dela ficaram vermelhas como uma cereja.
Coelha, o que se passa com as tuas orelhas?
Perguntou o Coelho assustado.
A Coelha quis tocar a orelha com a pata, mas doeu-lhe tanto que gritou.
O Coelho tocou na testa da Coelha e os seus olhos ficaram redondos como moedas.
Tens febre! Precisas de tratamento urgente, e as orelhas precisam ser untadas com algum creme.
A Coelha tinha tanta dor que nem ouvia o que o Coelho dizia. A sua visão escureceu e caiu.
Ao abrir os olhos, a Coelha começou a lembrar-se do que lhe tinha acontecido. Agora estava deitada na sua cama macia e aconchegante, e ao lado, numa pequena mesa, havia um ramo de cenoura.
A Coelha tentou tocar nas orelhas e logo percebeu que não doía nada. Já não tinha febre e sentia-se muito bem.
E então ouviu passos cuidadosos, e a cabeça do Coelho apareceu pela porta.
Coelha, querida, finalmente acordaste!
As minhas orelhas já não doem nada, e a febre desapareceu. Mas como chegaste aqui e de onde veio este maravilhoso ramo de cenoura na minha mesa?
Bem, de onde havia de vir! Queria que, quando acordasses, ficasses feliz e comesses algo. Eu amo-te tanto e preocupo-me contigo.
E a Coelha compreendeu que o Coelho realmente a amava muito. Afinal, apenas aqueles que estão apaixonados estão dispostos a ajudar e salvar em momentos difíceis! Ele salvou-a, e agora viverão felizes para sempre! E passadas algumas semanas, a Coelha e o Coelho casaram-se, e muito em breve tiveram uma série de pequenos coelhinhos fofos!