Muitos anos atrás, numa pequena cidade à beira-mar, vivia um homem. As portas da sua casa estavam sempre abertas, porque ele era muito bondoso e ajudava sempre as pessoas. Os seus olhos brilhavam como reflexos na água, e quando começava a falar, a sua voz acalmava e fascinava incrivelmente.
Desde tempos imemoriais, as pessoas vinham ter com este homem em busca de ajuda. Alguns pediam-lhe que olhasse para o futuro e contasse como seria a colheita no ano seguinte. Outros pediam-lhe ajuda para se curarem de doenças. Todos acreditavam que este homem tinha capacidades sobrenaturais, graças às quais toda a gente da cidade era feliz. Como ajudava sempre e a todos, chamavam-lhe — o Mago.
Ninguém na cidade sabia quantos anos tinha o Mago. Os seus olhos eram jovens e alegres, o cabelo completamente grisalho, e o seu olhar era calmo, profundo e sábio.
Todos os dias abria as portas da sua casa para quem precisava de ajuda. E o Mago tinha ainda o dom de ouvir coisas que os outros não conseguiam ouvir. O homem de cabelos grisalhos falava facilmente com os pássaros na sua língua, entendia os animais e era amigo das árvores e das flores. Olhando para o céu e pronunciando palavras mágicas misteriosas, o Mago podia prever chuva, neve ou tempestade.
Toda a gente na cidade sabia da existência do Mago, mas de onde ele vinha e quantos anos tinha — isso era um mistério. Muitos diziam que um dia tinha sido uma pessoa comum. Tal como todos os outros habitantes da cidade. Mas depois algo aconteceu, e ele ganhou um dom mágico extraordinário. Agora o Mago vivia sozinho à beira-mar e a sua missão era ajudar todos os que precisavam, tornando felizes os habitantes da cidade costeira.
Em muitas casas, à noite, as crianças perguntavam aos pais sobre o destino do Mago. Tinham tanta curiosidade em saber de onde vinham os seus poderes incríveis e como os controlava. Afinal, era um verdadeiro milagre — magia!
Um dia, as pessoas da cidade vizinha souberam da existência do Mago e quiseram levá-lo para lá. Lá tudo era sombrio, as pessoas eram más e descontentes, o sol raramente brilhava, e os sorrisos só apareciam nos rostos quando alguém sofria.
E assim, um dia, estas pessoas más e descontentes foram atrás do Mago. Invadiram a cidade alegre e começaram a bater, destruir e danificar tudo à sua volta.
Onde vive o vosso Mago?
Gritavam, arrombando as portas de cada casa.
Vamos levá-lo e ele fará tudo o que nós mandarmos.
Nesse momento, o Mago sentiu que algo não estava bem. Saiu para a beira-mar, olhou para o céu e sussurrou algo.
No mesmo instante, alguém o chamou:
Mago, ajuda! Está a acontecer algo terrível na cidade! Há pessoas que querem que te vás com elas e faças tudo o que elas quiserem!
Não tenham medo, vamos resolver isto tudo juntos!
Respondeu o homem com calma.
Mas como? A magia só existe em ti! Só tu podes nos proteger de todos os problemas e destas pessoas más.
Perguntavam os habitantes da cidade, assustados e desconfiados.
Ouçam-me com atenção e tentem compreender o que vou dizer-vos!
Disse o Mago com calma.
A magia está dentro de cada um de vós! Quero que cada um feche os olhos por um momento e se ouça a si próprio.
As pessoas seguiram o conselho do Mago. Cada uma delas fechou os olhos, respirou fundo e sentiu que a terra respirava com elas.
Que sensação incrível!
Exclamou uma das pessoas.
Ouço os sons da natureza. Ouço o mar a sussurrar que nos vai ajudar a resolver todas as dificuldades e que há de proteger a nossa cidade das pessoas más. Ouço o vento a soprar e parece que está a afinar o meu mundo interior para a bondade.
Outras pessoas que tinham vindo pedir ajuda ao Mago juntaram-se a este homem.
O Mago olhou para os que o rodeavam e disse:
Agora sabem o que é magia. Transmiti-vos o meu conhecimento, agora conseguem resolver todos os problemas. A magia não é apenas a capacidade de reconhecer os sons da natureza, mas também a capacidade de ouvir o seu ritmo e o ritmo do vosso coração. Só em harmonia consigo próprios e com a natureza conseguirão mover montanhas e viver em bondade e felicidade.
As pessoas agradeceram ao Mago e regressaram a casa. Já era noite e todos precisavam de voltar. Quando regressaram à cidade, viram que as pessoas más tinham desaparecido.
No dia seguinte, os habitantes da cidade foram novamente ter com o Mago para contar o que tinha acontecido e para o alegrar com a notícia de que a cidade já não corria perigo.
Mas quando chegaram à beira-mar, viram que no lugar da casa havia apenas uma árvore solitária que sussurrava suavemente as suas folhas, como se tentasse dizer algo. As pessoas aproximaram-se, fecharam os olhos e voltaram a ouvir o ritmo da natureza.
Agora sabem como ajudar-se a si próprios e aos outros, como viver em harmonia e bondade.
Cada um deles ouviu a voz do Mago dentro de si.
Desde então, o homem nunca mais apareceu naquela região. E os habitantes da cidade esqueceram-se completamente da existência das pessoas más.
Agora conseguiam ouvir-se uns aos outros, escutar a sua voz interior. Os habitantes começaram a reconhecer os sons e os desejos da natureza, rodeados de harmonia, bondade e paz.
Afinal, a magia existe em cada um de nós, e somos nós próprios os verdadeiros criadores de uma vida feliz e tranquila!