Em uma pequena aldeia à beira de uma floresta densa vivia um pequeno gatinho. Nenhum dos animais domésticos demonstrava qualquer interesse nele, ninguém queria brincar com ele: nem o cachorrinho, nem os gansos, nem o pequeno bezerro. Todos afirmavam que ele era muito pequeno, desajeitado e feio, com o pelo sempre despenteado em todas as direcções.
Todos tentavam magoar o gatinho: escondidas lambiam a sua nata, que o dono às vezes oferecia ao seu pequeno novelo de pêlo, depois roubavam um osso ou lhe tiravam o brinquedo favorito.
O tempo passava. Num dia de inverno muito frio, o gatinho decidiu ir para a floresta para não ver nem ouvir falar dos seus agressores. Arrumando na mochila o essencial, o pequeno novelo de pêlo partiu sem saber para onde.
Depois de vagar pela floresta durante muito ou pouco tempo, viu um buraco numa árvore e decidiu ali ficar. Por sorte, algum animal tinha feito uma reserva de comida. Assim viveu durante algum tempo, tremendo de medo da escuridão e de sons desconhecidos.
Mas um dia, superando o medo, saiu da sua habitação e deparou-se com um animal desconhecido. O desconhecido pareceu-lhe de tamanho enorme. O gatinho assustou-se, encolheu a sua cauda fofinha, deitou-se no chão, o pelo ficou em pé. E em vez de um miado suave, saiu um sibilo confiante. Com esse som, o animal desconhecido fugiu disparado, destruindo tudo no seu caminho.
A curiosidade venceu o medo, o gatinho decidiu continuar a explorar os arredores, apesar de ser noite. Penetrando na profundidade da floresta, viu uma árvore de Natal brilhando intensamente. As memórias inundaram-no, desejava tanto ver o seu dono, sentir a sua mão na sua cabeça, ronronar uma canção para ele. Com a cabeça baixa, o gatinho seguiu sem saber para onde.
Quanto tempo o gatinho vagueou é desconhecido, perdeu a noção do tempo. De repente ouviu gritos, alguém pedia ajuda. Sem hesitar, correu em direcção aos gritos.
Ao chegar a um prado, o gatinho viu os seus velhos conhecidos: o cachorrinho, o ganso e o bezerro. Estavam amontoados, abraçados uns aos outros e olhavam assustados para um enorme animal cinzento. O gatinho já tinha visto esse animal perto da sua habitação. Assumindo uma postura de ataque, o pelo em pé, o gatinho sibilou. Lançou-se para defender os seus antigos agressores. O animal assustador fugiu para os arbustos e desapareceu.
O gatinho aproximou-se dos agressores assustados, que não o reconheceram imediatamente, pois do pequeno, desajeitado e feio gatinho que constantemente maltratavam e humilhavam, ele tinha-se transformado num verdadeiro belo gato. Agora podia defender não apenas a si próprio, mas também aos outros.
Perdoa-nos, por favor! Temos muita vergonha dos nossos actos.
Pediam perdão os animais domésticos salvos.
Mas o gatinho há muito que os tinha perdoado e não guardava rancor. Todos juntos regressaram a casa. O dono saiu ao seu encontro, pegou no gatinho nos braços e acariciou-o durante muito, muito tempo.