Havia uma vez uma lagartinha comum. Ela adorava folhas verdes, eram saborosas e nutritivas. Mais do que tudo no mundo, ela gostava de viajar pela árvore.
Mas ela rastejava muito lentamente e por isso cada viagem durava muito tempo, a lagartinha ficava muito cansada.
Descansando numa folhinha, ela olhava para o céu azul, onde voavam, pairavam, zumbiam, giravam e se divertiam abelhas, libélulas, besouros e borboletas.
«Se eu pudesse voar», — sonhava ela, — «poderia visitar muito rapidamente todos os meus amigos». Ela era pequenina, mas muito educada.
Encontrando-se com os habitantes da floresta, ela sempre cumprimentava, perguntava sobre os seus assuntos, conversava.
Ela era muito curiosa, e todos os seus conhecidos: abelhinhas, besouros, borboletas, veados, o urso velho, coelhos e a avó joaninha, dificilmente encontravam respostas para as suas perguntas. Mas todos amavam a lagartinha.
Um dia a lagartinha sentiu-se estranhamente. «Adoeci» — pensou ela. A abelha ficou sabendo disso, contou à avó joaninha, que por sua vez contou a toda a floresta.
Os amigos reuniram-se junto à árvore, na folhinha verde onde estava deitada a lagartinha.
Sinto-me estranhamente, o que se passa comigo?
Queixou-se ela. O urso disse que não seria mau tratar-se com mel, a abelha confirmou que o mel é muito benéfico. Os veados propunham mudar-se para à sombra, porque ao sol pode-se aquecer demasiado, a avó joaninha fez um compresso frio para a lagartinha.
Neste momento a borboleta, uma grande e bela borboleta, sentada ao lado, disse:
Estás a transformar-te.
Como assim, para quê, em quê?
Em borboleta.
Numa como tu?
Muito pode ser.
E tu também te transformaste?
Claro que sim.
E de facto, a lagartinha começou a transformar-se. Transformou-se primeiro em crisálida. Dentro do casulo estava quente. Ela estava lá, transformando-se e sonhando com novas viagens.
Imaginava-se, tão bela, a voar, a fazer novas descobertas, e todos admirariam as suas asas brilhantes.
Os seus amigos esperavam quando é que esta transformação aconteceria. Todos se reuniram junto à árvore. E finalmente o casulo rebentou, uma borboleta saiu timidamente dele, estendeu as suas asas, e… chorou amargamente.
E todos à volta ficaram muito tristes e surpreendidos com isto. Nunca ninguém deles tinha visto tal coisa: a nossa borboleta tinha asas cinzentas e sem cor.
Isto não é correcto!
Protestou o urso velho.
Isto não é justo!
Disseram os veados.
Que terrível pena!
Disse o besouro. A outra borboleta, aquela que tinha contado à lagartinha sobre a transformação, disse:
Isto é algum erro e devemos corrigi-lo.
Claro. Vou dar-te, borboleta, um bocadinho de tinta de mel.
Disse a abelha. E nas asas da nossa borboleta apareceram pintas brilhantes de mel.
E nós vamos dar-te a verdura da relva!
Disseram os veados.
E eu — o azul do céu!
Disse a libélula que se aproximou.
Vou dar-te tinta macia, para que não tenhas frio!
Disse o urso.
E eu vou dar-te tinta de bondade!
Era a avó joaninha.
E eu — alegria, para que voes e nunca fiques triste.
A borboleta voava de um para o outro e nas suas asas apareciam cores cada vez novas. Ao oferecerem as suas cores à borboleta, eles também se «mancharam» uns aos outros.
Sobre o prado, onde se reuniram os amigos da borboleta, apareceu um arco-íris. Ela ficou surpreendida ao ver este espectáculo extraordinário e multicolorido.
Gostou tanto que desceu como um grande toalha de mesa sobre o prado. E a diversão continuou. E o prado transformou-se num carrossel.
E foi um dia maravilhoso, um dia extraordinário, um dia de amizade, alegria, bondade e realização de esperanças.