Numa grande família vivia um Bolo Redondo. Chamava-se Redondilho. Não tinha amigos, vivia sozinho.
O seu passatempo favorito era passear pela floresta de conto de fadas, embora tivesse medo de tudo lá.
Um dia, enquanto desfrutava da natureza e do ar fresco, não reparou que uma raposa se aproximava muito dele, querendo comê-lo. Não tinha ninguém a quem se queixar, pois a família quase não lhe dava atenção.
Perto da noite, o Bolo Redondo, fugindo da raposa, entrou numa floresta densa e escura. A floresta já quase adormecia, e o silêncio era quebrado pelo pio da coruja nocturna.
Redondilho ficou tão assustado que se encostou ao tronco de um vidoeiro e, de cansaço, adormeceu profundamente na floresta.
De manhã, despertou-o vozes alegres. Tremendo de medo, abriu os olhos com dificuldade e viu três pares de olhos curiosos. Três coelhos brancos observavam o Bolo Redondo.
Como é que vieste parar aqui?
Perguntou o coelho mais corajoso.
Perdi-me novamente.
Respondeu o Bolo Redondo, quase a chorar.
Vamos conhecer-nos. Como te chamas?
Perguntou um dos coelhinhos.
Sou o Bolo Redondo Redondilho, e vocês como se chamam?
Somos irmãos coelhos: Bondoso, Fumacento e Dico.
Respondeu o trio quase em coro.
E o que fazem aqui?
Perguntou o Bolo Redondo, observando atentamente cada um dos peludinhos.
A floresta é a nossa casa, vivemos aqui!
E não têm medo nenhum?
Continuou o Bolo Redondo a perguntar com surpresa.
Nenhum medo, mudamos os nossos pêlos para nos escondermos mais facilmente do lobo.
Disse Fumacento, com voz baixa mas segura.
Convidamo-te a vir a nossa casa. Aquentas-te, bebemos chá com bolachas e rebuçados.
Ofereceu Bondoso.
Estás todo a tremer de frio, lá fora não é verão.
Nesse momento, um vento forte começou a soprar, e uma nevasca aproximava-se.
Vamos depressa atrás de nós.
Gritou um dos irmãos e correu para casa.
Redondilho, sem hesitar, seguiu-o.
Os coelhos acenderam a lareira, puseram a mesa e serviram chá.
Sentaram-se e conversaram de forma agradável e descontraída.
O Bolo Redondo reparou num armário bonito, mas bastante misterioso, encostado à parede.
As portas do armário tinham padrões entalhados e complicados. Quem fez estes padrões era um verdadeiro mestre do seu ofício.
Redondilho ficou curioso e perguntou:
Que armário é esse? É tão bonito e invulgar!
Tudo a seu tempo, em breve saberás.
Respondeu Dico de forma misteriosa.
De repente, um relógio soou com um toque agudo e sonoro.
Redondilho perguntou com cautela:
Que sons são esses? O que é?
Vamos.
Os três irmãos dirigiram-se para a porta do armário com um sorriso astuto.
O Bolo Redondo não teve escolha senão segui-los. Uma luz brilhante feriu-lhe os olhos.
Redondilho ficou imóvel de surpresa: diante dele estava a floresta, mas completamente diferente daquela de onde tinha vindo.
As árvores estavam todas cobertas de neve branca e fofa, cada árvore de Natal piscava com luzes coloridas bonitas. Os animais conversavam pacificamente uns com os outros.
Ao ver os seus novos amigos, o Bolo Redondo decidiu aproximar-se e agradecer aos coelhos pelo conto de fadas em que se tinha metido.
Mas perdeu-os de vista novamente, desapareceram na multidão.
Observando a floresta de conto de fadas e os animaizinhos, o Bolo Redondo reparou num velhinho. Ele usava um casaco vermelho e um chapéu, e na mão tinha um enorme cajado prateado.
O topo do cajado brilhava com as mesmas luzes que as árvores. Reconheceu este velhinho, era o verdadeiro Pai Natal.
Nunca o tinha visto antes, mas lembrava-se bem dos contos de fadas.
Ó, Avô Natal.
Aproximou-se de Redondilho, alegre e ao mesmo tempo um pouco assustado.
Diz o teu desejo, Bolo Redondo.
Disse o velhinho com confiança.
Tenho apenas um desejo: quero nunca mais ter medo de nada.
Pediu Redondilho sinceramente.
Como desejas, agora serás o Bolo Redondo Destemido.
Disse o Pai Natal e bateu o seu cajado várias vezes.
No mesmo instante, os olhos de Redondilho ficaram pesados, tinha tanto sono que adormeceu logo ali no prado.
Redondilho acordou na sua cama quente e aconchegante de casa.
Ficou muito triste, percebendo que tudo aquilo tinha sido apenas um sonho.
Depois de tomar o pequeno-almoço, o Bolo Redondo saiu para a rua, esperando ser gozado novamente.
Mas as palavras dos seus amigos surpreenderam-no, não esperava ouvir:
Olha, o Bolo Redondo Destemido vem aí.
Sussurravam os animais entre si.
Redondilho aproximou-se e perguntou:
Sou eu o Destemido?
Perguntou o Bolo Redondo, mais a si mesmo do que aos outros.
Claro que sim, foste tu que não tiveste medo e entraste na floresta escura, de onde ninguém tinha regressado!
O Bolo Redondo Destemido apenas sorriu em resposta.
«Afinal, isto não é um sonho!» pensou Redondilho e foi brincar com os amigos na neve.
Desde então, ninguém goza do Bolo Redondo Destemido, e ele próprio não tem medo de nada nem de ninguém!