Certa vez, no verão, um menino chamado Lucas chegou à fazenda de sua avó. Todas as manhãs ele comia panquecas quentinhas com creme de leite fresco, no pomar cresciam maçãs suculentas, e perto dali, no bosque, corria um riacho cristalino onde era gostoso nadar.
Lucas adorava ficar na casa da avó. Só uma coisa o deixava triste — não havia outras crianças na fazenda para brincar junto.
E então, um dia, o menino foi caçar borboletas. Corria com a rede ao longo do riacho, pegava borboletas brancas e amarelas, mas logo as soltava, porque não eram suficientemente coloridas e interessantes. Já estava voltando para casa quando de repente viu uma borboleta incrível. Ela era marrom-avermelhada, quase vermelha, e nas asas havia grandes círculos escuros, exatamente como na cauda de um pavão.
O menino se aproximou silenciosamente e jogou sua rede sobre ela. A borboleta tentou voar, mas a rede a impediu. Com todas as forças a pequenina batia as asas dentro da rede, mas não conseguiu rasgá-la. E então ela falou com voz humana:
Por favor, me solte! E eu realizarei qualquer desejo seu.
Lucas ficou pensativo, coçou a cabeça, abriu os braços e disse:
Eu quero muitas coisas, mas não sei como escolher. Se eu pedir sorvete agora, depois vou comer e não vai sobrar nada. E o desejo acaba. E se depois eu lembrar de algo importante?
Tudo bem. Então vou te dar um desejo, mas você poderá mudá-lo até o sol tocar o horizonte. Assim que o sol começar a se pôr, você ficará com o que conseguiu escolher.
Respondeu a borboleta.
Lucas ficou feliz e concordou. E pediu patins. Olhou para os pés, e lá estavam os patins! Brilhantes, laranjas com rodinhas pretas, lindos. A borboleta não mentiu. O menino quis agradecer, olhou para a rede, mas ela já tinha voado. Então ele gritou bem alto: "Muito obrigado!" e saiu patinando pela trilha ao longo do riacho.
Mas a trilha era irregular, e o menino tropeçava constantemente. Lucas percebeu que era desconfortável andar de patins na terra. E decidiu que seria melhor pescar. Puf! — apareceu em suas mãos uma vara de pescar de sândalo. E os patins desapareceram. Nosso herói se aproximou do riacho, sentou-se na margem e começou a pescar.
Ele pescava, pescava. E pegou! Um lindo peixinho dourado. Tirou-o do anzol e percebeu que não tinha onde colocá-lo. Lucas pensou que deveria ter trazido um baldinho — puf! — e imediatamente apareceu ao lado um baldinho laranja com bolinhas pretas, e ainda por cima com água. Colocou o peixinho lá dentro, quis pegar a vara, mas ela não estava mais lá.
Claro! Ela se transformou no balde! Bem, agora não dá mais para pescar...
Lucas bateu na testa.
Pegou o baldinho e foi ao longo do riacho para casa. O sol começava a se inclinar para o pôr do sol, era hora de voltar para a avó.
O menino caminhava pensando em como o dia tinha sido interessante. Mas era uma pena não ter um amigo por perto para contar tudo isso. E então percebeu qual era seu desejo mais importante! Soltou o peixinho no riacho, colocou o baldinho no caminho e disse em voz alta:
Eu quero um amigo!
E o baldinho se transformou em uma menina. Com cabelos castanho-avermelhados e grandes olhos escuros. A menina riu e disse:
Muito bem, você escolheu o desejo mais importante do mundo! Serei sua amiga enquanto você estiver na fazenda.
Como você se chama?
Meu nome é borboleta Olho-de-Pavão. Você me pegou de manhã, e fui eu que me transformei nos patins, na vara de pescar e no baldinho. Fiquei curiosa para ver o que você pediria. E não me enganei sobre você, você é bom, já que o mais importante para você é a amizade.
A menina riu.
Meu nome é Lucas. Vamos comer pastéis de maçã, a vovó sempre os assa para o jantar.
O menino se apresentou.
E as crianças foram jantar. Assim nosso herói aprendeu que um amigo de verdade é mais importante do que quaisquer brinquedos e coisas. E você, criança, o que pediria?