Não havia paz na floresta de contos de fadas.
Coelhinhos, esquilinhos, corujinhas — ninguém conseguia dormir. Nem ratinhos, nem urshinhos, nem ouriços.
As folhas sussurravam nos galhos, as pinhas caíam das árvores com assobios. Uma brisa jovem e travessa estava causando confusão.
E os animais quiseram fazer uma assembleia e decidir como acalmar a brisa.
Vamos cantar uma canção de ninar para ela!
Disse a Coruja.
Ela era a mais sábia de todas, então decidiram ouvi-la.
Porém, descobriu-se que quase nenhum dos animais conhecia canções de ninar.
A Raposa se ofereceu para cantar. Embora fosse astuta, tinha uma voz maravilhosa. Respirando fundo, a Raposa começou a cantar:
Dorme minha alegria, dorme, no céu se apagaram as luzes...
Mas assim que começou a cantar, a brisa ficou mais forte, às vezes até se transformando em rajadas de vento.
Então o Lobo decidiu vir em auxílio da Raposa.
Pois, embora rangesse os dentes, era muito bom em adormecer seus filhotes com seu uivo melancólico para a Lua. E ele tinha nada menos que dez filhotes.
O Lobo também respirou fundo e uivou prolongadamente. Uivou por um minuto, depois por um segundo e um terceiro, e muitos animais já começavam a bocejar, mas a brisa não cedia, só ficava mais forte.
Então o Urso decidiu vir em auxílio do Lobo.
E se tocássemos uma bela melodia para ele?
Disse ele em tom grave. A propósito, o urso era um excelente músico. Na juventude, havia se apresentado no circo, e seu número de destaque era justamente tocar piano.
Mas onde encontrar um piano na floresta? Embora esta floresta seja de contos de fadas, não pode ser que um piano caia do céu, ou algum outro instrumento musical, como uma flauta.
Mas não foi preciso esperar uma flauta cair do céu, pois o urso sempre a carregava consigo.
E assim, respirando fundo, o Urso começou a tocar. A melodia era realmente bela: os pássaros cantores acompanhavam em diferentes tons, os riachos murmuravam ao ritmo da música, um leve ondulado melódico passava pelos lagos de contos de fadas, e até a brisa pausava por um momento, como se estivesse ouvindo, nos momentos mais bonitos. Porém, quando o urso terminou e o silêncio reinou na clareira da floresta, a Brisa começou a causar confusão novamente.
Assim os animais tentaram até o final da tarde como acalmar a brisa:
Os coelhinhos pulavam e faziam vários truques, os esquilinhos faziam mágica e até o ouriço tentou acalmar a brisa desenhando um quadro maravilhoso.
Mas nada ajudou. As folhas continuavam sussurrando, e a brisa continuava assoviando, sem parar.
Quem sabe quanto tempo isso ainda duraria, se o sol não tivesse desaparecido no horizonte, cedendo lugar à Lua, e se as nuvens não tivessem aparecido no céu, cobrindo tudo com seu grande edredom fofinho. A noite chegou, uma névoa noturna fresca desceu sobre a floresta, e a brisa começou a se acalmar.
As árvores sussurravam cada vez menos, e as folhas não se levantavam mais em redemoinho acima do solo.
E todos os habitantes da floresta de contos de fadas começaram a adormecer:
Primeiro os urshinhos, depois os ouriços, depois os ratinhos... E até os coelhinhos, esquilinhos e corujinhas. E a astuta raposa, e o lobo — todos adormeceram com a chegada da noite.
E ninguém mais ouviu o leve assobio da brisa no silêncio noturno que se instalou.