Em uma floresta muito comum vivia um Ouriço muito comum. Mas isso era apenas à primeira vista.
Na verdade, esse Ouriço era considerado o habitante mais corajoso e incomum da floresta.
E agora você saberá por quê.
Acontecia no inverno, naqueles dias em que havia tanta neve que você poderia se esconder completamente em uma nevasca e ninguém o encontraria.
O amigo do Ouriço, o Coelho, como costuma acontecer, decidiu sair para uma corrida matinal.
O Ouriço ficava para trás, bufando e ofegante.
Às vezes o Coelho tinha que parar e correr ao redor do Ouriço para que o amigo não se sentisse sozinho.
Escuta, amigão!
Disse o Coelho, mudando de peso de um pé para o outro
Vamos correr até aquele morro e depois descer dele com um assobio?
Ou talvez...
Respondeu timidamente seu amigo Ouriço,
Fazemos isso na próxima vez, e por hoje já é suficiente?
O Ouriço estava muito cansado, é claro. Mais do que qualquer coisa no mundo, ele queria ir para casa e descansar.
E além disso, para ser honesto, o Ouriço tinha medo de altura. Mas ninguém sabia disso, pois ele não havia confessado a ninguém. Nem mesmo ao seu melhor amigo.
E o Coelho, pelo que parecia ao Ouriço, não tinha medo de nada, especialmente de altura. Ele era muito corajoso.
Uma vez o Ouriço viu o Coelho zombar do Lobo e depois fugir dele. O Ouriço nunca faria isso.
Eia!!!
Gritava o Coelho,
Ouriço!!! Não fique para trás!!!
E o Ouriço apenas bufava e ofegava em resposta.
Sim, sim... já vou alcançar.
Os amigos ficaram tão envolvidos na corrida que não perceberam que acordaram o Lobo que dormia nos arbustos no sopé do morro.
Pisando silenciosamente na neve, o Lobo fixou o olhar no topo, de onde vinham os sons.
Ele estava muito faminto, já fazia muito tempo que não conseguia "aproveitar" algo de valor.
E então - que sorte!
E o Lobo começou a seguir lentamente os rastros de nossos amigos...
Finalmente vou me fartar...
Pensava ele.
Ouriço, já estou no topo!
Gritava o Coelho
É tão lindo aqui!
Se apenas o Coelho tivesse se virado, teria visto o perigo que os espreitava. Mas a vista do morro era realmente bonita.
Com dificuldade, chegando até o Coelho, o Ouriço se aproximou e ficou em pé ao lado dele, como se estivesse pregado no chão.
Ei, o que há com você, amigão?
Perguntou o Coelho
Nada...
Respondeu o Ouriço, não querendo admitir que tinha muito medo de altura.
Que tal procurarmos um tronco e descermos juntos? É bem alto aqui, acho que vamos ganhar bastante velocidade.
Bem, não sei... talvez seja melhor apenas descer, apreciando a vista?
Insistiu o Ouriço.
Mas então sua conversa foi interrompida por um silêncio que caiu abruptamente. Mas não era o silêncio que cai à noite, quando todos dormem e sonham, era o silêncio que cai antes de um perigo real.
E neste silêncio, os amigos ouviram claramente como a neve rangeu atrás deles sob os passos de alguém.
Os amigos trocaram olhares e começaram a se virar lentamente.
Qual não foi sua surpresa quando viram um enorme e malvado Lobo!
Ele caminhava lentamente direto para eles, de forma medida e calma.
Bem, de orelhas compridas, você se lembra de mim?
Perguntou o cinzento ao Coelho, lambendo os lábios.
Não... não me lembro...
Respondeu o Coelho
É claro que ele se lembrava de como uma vez zombou deste Lobo e conseguiu fugir dele. Mas o Coelho ficou tão assustado que nem sabia como responder melhor.
Mas eu me lembro de você...
Continuou a conversa o Lobo
O coração do Ouriço também disparou de medo. Não era o suficiente estar muito alto, ainda havia este Lobo assustador, perigoso e malvado por perto.
O Ouriço nem conseguia decidir do que tinha mais medo - de altura ou de ser comido. Ou de ser comido em uma altura.
Mas ao mesmo tempo, sem perceber, o Ouriço estava muito preocupado com seu amigo - o Coelho, que claramente queriam comer primeiro.
O Ouriço entendia que o Coelho era corajoso e provavelmente não tinha medo de nada, mas ainda assim queria ajudá-lo.
O Lobo não estava perto, mas faltava apenas um par de saltos para alcançar os infelizes amigos, então não seria difícil para ele alcançá-los, portanto o Ouriço decidiu agir imediatamente.
Ele sussurrou algo para o Coelho, deu alguns passos para trás, correu e, propositalmente tropeçando na perna do Coelho, rolou morro abaixo.
Por causa da nevasca, o Lobo não viu imediatamente como o Ouriço, ganhando velocidade, se transformou em uma bola de neve tão grande que o Lobo não conseguiu se esquivar, e a bola o atingiu com toda força, derrubando-o e jogando-o de volta para os arbustos.
Do impacto tão forte, o Lobo até perdeu a consciência.
E o Ouriço... e o que aconteceu com o Ouriço?
Quando ele atingiu o Lobo e a bola de neve se partiu, ele voou tão alto que viu toda a floresta e todos os seus habitantes, que levantaram a cabeça e abriram a boca de surpresa, vendo o Ouriço voando.
É um cometa!
Disse um
Não, é um eclipse solar!
Disseram outros.
E apenas o Coelho olhava do morro para o Ouriço voando e se alegrava por ter um amigo tão forte e corajoso.
Na manhã seguinte, todos os habitantes da floresta já sabiam sobre o ato heroico do Ouriço e trouxeram para sua casinha todos os tipos de guloseimas de suas reservas de inverno.
Assim o Ouriço aprendeu que o importante não é não ter medo de nada, mas não se deixar levar pelo medo no momento mais importante, quando você e seus amigos realmente precisam de ajuda.