Em uma bela e grande casa vivia uma Cama infantil. Ela tinha a melhor e mais quentinha roupa de cama, o edredom mais leve em uma capa rendada. Também tinha um colchãozinho confortável, coberto com um lençol bonito com uma princesa de conto de fadas, e um travesseiro macio.
Nesta Cama dormia uma menina pequena e bonitinha chamada Leninha. Cada manhã ela acordava, se espreguiçava e se esticava na cama, depois pulava rapidinho e corria para suas brincadeiras, esquecendo-se completamente de arrumar a cama depois de dormir.
A Cama ficava triste, porque gostava de ordem em tudo. Durante o dia, depois de uma longa noite, ela adorava descansar completamente arrumada e limpa, mas o edredom amassado e o lençol enrugado causavam muito incômodo. Leninha nunca arrumava sua cama depois de dormir. Ela esperava que a avó Valéria viesse e colocasse ordem em seu quarto. A pobre cama ficava muito chateada, pois tinha que trabalhar a noite toda para que sua dona ficasse aquecida e embalada por doces sonhos. Por isso, durante o dia, ela sonhava em descansar adequadamente.
A Cama esperava muito que Leninha crescesse e cuidasse dela, assim como ela cuidava da menina. Mas o tempo passava, e a menina pequena não queria cuidar de sua cama.
E nossa Cama também não gostava nada dos caprichos com os quais Leninha ia dormir cada noite.
Ela chorava alto e gritava:
Não quero dormir! Quero brincar com meus brinquedos! Eu não gosto da minha cama!
E a pobre Cama começava a ficar ainda mais triste, pois nem todos gostam de ser tratados assim. E um dia, depois que a menina acordou e saiu para tomar café da manhã, ela decidiu dar uma lição ao capricho:
Se sou tratada assim nesta casa e ninguém me quer, vou embora daqui e vou procurar um dono carinhoso! Afinal, é tão triste quando ninguém cuida de você e ninguém o ama! — disse a Cama e saiu pela porta da casa.
Movendo suas perninhas, a Cama se viu na rua, ficou no meio da estrada e começou a pensar para onde ir.
Nossa fugitiva nunca tinha caminhado, então era difícil se mover pela estrada. Vendo uma trilha, ela virou para a grama. Caminhar ficou mais fácil, pois a grama macia lembrava o tapete que havia no quarto de Leninha.
A trilha levou a Cama para o meio da floresta. Havia tantas coisas interessantes e novas para nossa Cama! Ao redor, as árvores sussurravam com suas folhas, os pássaros voavam de galho em galho e cantarolavam em sua língua alegre. Sob o pinheiro, os coelhinhos brincavam de pega-pega, enquanto os esquilinhos jogavam nozes neles e riam alegremente.
Aqui eu com certeza vou encontrar um novo dono! — pensou a Cama alegremente.
Nesse momento, um ouriço passava correndo.
Olá, Ouriço! — disse a Cama. — Você quer ser meu dono e dormir no meu colchãozinho confortável?
Mas o Ouriço apenas riu dela.
Olá, Desconhecida! — respondeu o Ouriço. — Eu gostaria muito, mas eu gosto de dormir durante o dia, em meu ninhozinho aconchegante, que fica nas raízes das grandes árvores! E você é muito alta para mim, como vou subir toda vez?
E saiu correndo, fazendo barulho com as folhas.
A Cama suspirou e começou a se aprofundar na floresta. Viu um urso colhendo frutas silvestres nos arbustos. Ela se aproximou.
Olá, Urso! — disse a Cama. — Você deve estar cansado depois de um dia inteiro? Quer descansar em mim, e eu canto uma canção de ninar para você, talvez adormeça?
Olá, Cama! Obrigado pela oferta! Mas se eu deitar em você, vou quebrar na hora, — respondeu o Urso. — Eu prefiro minha toca quente e aconchegante, com musgo macio.
E continuou colhendo frutas silvestres.
A Cama ficou muito desapontada, mas não havia nada a fazer, então decidiu continuar. Mal tinha dado alguns passos quando um pequeno coelhinho pulou de baixo de suas perninhas:
Desculpe, — disse o Coelhinho à Cama e queria pular para longe.
Olá, querido! — respondeu ela. — Você é tão pequeno e muito ativo, deve ficar cansado durante o dia brincando? Eu posso ajudá-lo a dormir bem à noite! Veja que lindo é meu edredom e meu travesseiro!
O Coelhinho ficou interessado, pulou no colchão da Cama, deitou no travesseiro macio e se cobriu com o edredom quentinho.
Uau, que aconchegante e macio! Não é como em nossa toca! Ainda tenho três irmãos e uma irmãzinha, todos caberíamos em você, — admirou-se o Coelhinho. — Mas, desculpe, em você seríamos fáceis presas para os animais selvagens.
O Coelhinho pulou do colchão e desapareceu na grama. A Cama chorou amargamente, pois lá fora estava ficando escuro. Ela já se arrependia de ter saído de casa e não sabia o caminho de volta.
Nesse tempo, a pequena Leninha, depois de beber leite quente antes de dormir, era levada — como sempre, com caprichos — para dormir em seu quarto.
Ela gritava alto e batia os pezinhos:
Não vou dormir, quero brincar!
Mas, ao entrar em seu quarto, ela congelou de espanto: o quarto estava vazio, não havia Cama no canto. Leninha começou a procurá-la por toda a casa: olhou no quarto dos pais, foi ao sótão, à cozinha... A Cama não estava em lugar nenhum.
"O que fazer, onde vou dormir agora?" — pensou a menina assustada.
Ela percebeu que a Cama era muito importante para ela e que a amava muito. De repente, Leninha sentiu um cansaço tão grande que mais do que tudo no mundo queria estar em sua Cama aconchegante e quentinha.
Mas o que fazer, onde procurá-la? A menina olhou pela janela e viu na trilha os rastros das perninhas de sua amiga. Ela saiu correndo de casa e seguiu rapidamente os rastros da fugitiva.
Leninha começou a chamar sua Cama em voz alta:
Cama, onde você está? Volte para casa, por favor! Vou sempre te amar e vou arrumar você toda manhã! Prometo que vou cuidar de você!
A Cama ouviu a voz da menina e começou a sair da floresta. Na beira da floresta, a Menina viu sua Cama cansada e solitária. Correu para ela, sentou-se delicadamente no colchão e abraçou o travesseiro com ternura.
Querida Cama, senti tanto sua falta! Vamos para casa, por favor!
Lá fora já estava quase completamente escuro, e a menina estava com medo. A Cama sorriu ternamente e se apressou para voltar para casa.
"Como é bom quando há alguém para cuidar e quando cuidam de você", — pensou a Cama e, caminhando silenciosamente pela grama macia, voltou para casa, e nela, embrulhada em um edredom quentinho e macio, já dormia a pequena Leninha. E ela sonhava um sonho maravilhoso de conto de fadas, em que acordava de manhã e, com um sorriso, arrumava sua querida Cama.