Riqueza não é o mais importante
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Riqueza não é o mais importante

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Um conto autoral sobre um velho e uma velha que encontraram um ovo de ouro debaixo de uma galinha choca. E sobre como não são a riqueza e o ouro o mais importante na vida, mas sim que nossos entes queridos estejam saudáveis e ao nosso lado.

Em uma pequena aldeia viviam um velho e uma velha. E como a aldeia era muito pequena, além deles ninguém mais morava ali. O velho ia pescar todos os dias, pois havia um mar por perto, e a velha cultivava legumes na horta e preparava pratos deliciosos para o velho.

Além disso, o velho e a velha criavam galinhas, que todos os dias botavam ovos para eles. A velha amava muito suas galinhas, e por isso pediu ao velho que construísse um belo galinheiro para elas, e nos meses frios colocava palha para que não sentissem frio.

A velha e o velho viviam em perfeita harmonia, amavam-se muito e sempre cuidavam um do outro. Faziam tudo juntos — capinavam os canteiros, limpavam o galinheiro e arrumavam a casa. E o velho chamava a velha de Bondosa, porque ela realmente era muito bondosa, carinhosa e generosa. Quando em uma aldeia vizinha, uma família não tinha dinheiro algum, a velha ia até a casa deles e levava guloseimas para as crianças, e ir até a aldeia vizinha era muito longe, mais de três horas caminhando tranquilamente.

E então, numa bela noite, quando era hora de ir ao celeiro buscar os ovos, o velho ouviu o grito da velha:

Velho, velho, venha rápido aqui! Tem uma coisa no celeiro!!!

O velho ficou assustado, o que poderia ser! De repente uma raposa tinha entrado no celeiro e comido todas as galinhas!

Pulando da cadeira, o velho correu até a velha no celeiro. Ao entrar, não acreditou em seus olhos. Num cantinho escondido, sobre a palha dourada, havia um ovo, mas não era como os normais, era de ouro.

Isso é possível? As galinhas podem botar ovos de ouro puro? Você está de brincadeira, velha! Onde você arranjou esse ovo?

Exclamou o velho com ar interrogativo.

Onde, onde, a galinha botou! Acabei de entrar e encontrei isso aqui! Velho, agora somos os mais ricos do mundo inteiro?

Gritava a velha, ainda sem acreditar em seus olhos.

Bem, não sei, mas esse ovo é suficiente para vivermos bem e não precisarmos mais trabalhar na horta. Aliás, acho que devemos escondê-lo bem longe, que fique guardado para qualquer eventualidade, nunca se sabe o que pode acontecer.

Alegrou-se o velho.

E assim fizeram. Construíram uma pequena caixa de madeira, o velho colocou um cadeado resistente, e guardaram lá o ovinho de ouro. Foram dormir.

Amanheceu, e o velho como de costume levantou-se cedo para ir pescar. Pegando as varas e a isca, saiu pela porta e viu a velha cravando enormes estacas no chão.

O que você está fazendo, velhinha? Por que está enterrando essas estacas no chão? O sol mal nasceu e você já está aqui aprontando alguma coisa.

Estou construindo uma cerca, para que ninguém possa entrar e nos pedir algo. Não vou mais dar nada para ninguém, agora nunca mais darei nada a ninguém nem oferecerei nada. E você, velho, também não pegue mais nada da geladeira, e não vou mais te alimentar.

Resmungava a velha.

Você enlouqueceu completamente? O que você está fazendo? Vivemos lado a lado por tantos anos! Vou pescar agora, pegar uns peixes, preparamos à noite e comemoramos nosso ovo de ouro.

Não, velho, você vai pescar, mas depois traz o peixe para mim, vou comê-lo sozinha.

O velho não podia acreditar em seus ouvidos. Ao chegar em casa à noite com a pescaria, foi exatamente o que aconteceu. A velha pegou o peixe e deixou o velho com fome. Depois que conseguiram esse ovo, a velha enlouqueceu, ficou gananciosa e má. Assim passavam os dias, o velho não comia nada, e a velha guardava tudo só para ela.

E então o velho juntou todas as suas coisas, amarrou-as num embrulho e partiu sem rumo. Vagou pela floresta, encontrava algumas frutas silvestres e comia, às vezes ia pescar e preparava o peixe na fogueira. O velho dormia numa cabana que ele mesmo construiu com galhos e folhas.

Passou-se uma semana, a velha acumulou tantas coisas que nem tudo cabia em casa. Na horta fazia tudo sozinha, em casa limpava sozinha, até para pescar peixe gostoso tinha que ir sozinha.

E então ela pensou:

Sozinha não consigo dar conta de tudo isso. E à noite fico entediada e triste, já não posso ir sozinha à floresta, tenho medo. Para que me serve esse ovo? O que vou fazer com ele? Enquanto isso meu velho está vagando sozinho pela floresta, sem comer nada, com frio. Mas ele sempre foi bom comigo e me ajudava, cuidava de mim.

A velha pegou um casaco e saiu em busca do velho. Caminhava pela floresta e de repente viu ao longe uma luz, alguém tinha acendido uma fogueira. Aproximou-se e viu — o velho estava sentado, triste.

Velho, meu querido velhinho! Finalmente te encontrei! Vamos para casa, preparei tanta coisa gostosa, vou te aquecer, te alimentar. Vamos viver como antes, ajudando um ao outro e cuidando um do outro.

E quanto ao ovo de ouro? Você ficou tão gananciosa e má depois que ele apareceu.

Perguntou o velho.

Não, velhinho, eu entendi tudo. Não preciso de riqueza nenhuma, de ovo de ouro nenhum. Sinto tanto sua falta, fico tão triste à noite, quero conversar e rir com você. E não tenho para quem preparar pratos deliciosos. Volte para casa, meu querido!

Implorava a velha.

Depois de alguns dias tudo se acertou, a casa voltou a ecoar com risadas, nos canteiros agora trabalhavam o velho e a velha juntos, e até para pescar a velha passou a ir com o velho.

Os contos são escritos para que as pessoas entendam que às vezes a felicidade não está na riqueza. O mais importante é ter nossos entes queridos ao nosso lado, e todo o resto é bobagem.

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