Em uma cidade desconhecida vivia um menino chamado Teminha. Ele crescia em uma família comum com pais, avô e avó. Teminha não era diferente de seus colegas, adorava brincar e passear, mas tinha dificuldade para adormecer e fazia birra à noite. Por isso, a Fada dos Sonhos tinha que esperar muito tempo até que Teminha dormisse para poder enviar um sonho mágico ao pequeno.
Muitas crianças não sabem que em qualquer cidade vive uma Fada dos Sonhos em uma casinha aconchegante e pequena. Na casa há um quarto especial onde ficam sininhos de prata. Para cada criança que vive na cidade, há um sininho especial e único. Assim que a criança adormece profundamente, o sininho começa a soar alto.
Ao ouvir a melodia, a Fada tira de um jarro redondo uma bolinha que brilha com as cores do arco-íris e sopra nela. A bolinha segue seu caminho, voa alto acima das casas, até chegar ao seu pequeno para trazer um sonho mágico. Quando as bolinhas chegam às crianças, elas dormem maravilhosamente, pois enquanto brincam e se divertem com personagens de contos de fadas amigáveis, os pequenos crescem rapidamente. E enquanto as crianças dormem profundamente, os adultos recuperam suas forças para o dia seguinte.
Uma noite, algo deu errado. Teminha não queria dormir novamente. Os pais, cansados do dia inteiro, não conseguiam colocar o filho na cama. Liam histórias, cantavam músicas, mas nada funcionava. A Fada não dormiu a noite toda, esperando o sinal do sininho de Teminha, mas ele teimosamente continuava em silêncio.
Na noite seguinte, o menino recusou dormir novamente, e assim continuou por várias semanas: a Fada esperava o sinal do sininho, os pais não dormiam. Em uma dessas noites, a Fada, exausta, não conseguiu mais ficar acordada e adormeceu sem enviar sonhos mágicos para as crianças que estavam deitadas em suas camas. Sem ver sonhos doces, os pequenos não queriam dormir e não deixavam os adultos descansar.
Mães e pais, que não dormiam à noite, não conseguiam fazer suas tarefas e trabalhar, não tinham forças, adormeciam enquanto caminhavam. As crianças dormiam pouco durante o dia ou escondidas, para que ninguém visse. A Fada, cansada dessa confusão e preocupações, adormeceu profundamente, continuando a dormir dia e noite. Os adultos estavam tão exaustos que pararam de ir ao mercado, comprar alimentos, preparar café da manhã gostoso e almoços nutritivos. Nas casas acabou o leite, o pão e os doces favoritos das crianças.
Teminha, cansado e com fome, andava pela sala e decidiu guardar os brinquedos espalhados. Sem pressa, começou a empilhar blocos um sobre o outro e formou uma torre alta, que se sustentava no bloco mais pequeno e instável. A torre começou a inclinar e os blocos caíram direto sobre o menino. Ele gritou. Ao ouvir o barulho, os pais correram para o quarto.
Mãe e pai viram os olhos felizes do filho, e ele disse aos pais:
Entendi por que a ordem na cidade foi perturbada! Fui eu, aquele pequeno bloco que destruiu tudo!
Os pais conversaram com o filho por muito tempo sobre coisas compreensíveis, ações incompreensíveis que Teminha aprenderá no futuro quando crescer e se tornar adulto. A conversa se estendeu até tarde. O menino desejou sonhos doces aos pais, deitou-se na cama e, sonhando com como cresceria, adormeceu profundamente sem perceber.
Naquela noite, a Fada acordou com o som persistente do sininho de Teminha, que não ouvia há muito tempo. Ela se alegrou e correu apressada ao jarro especial para pegar a bolinha e enviá-la ao pequeno. Teminha viu em seu sonho a si mesmo como um astrônomo, conversava com estrelas brilhantes e misteriosas e lembrava que uma vez foi uma criança pequena que não queria dormir em sua cama aconchegante.
Na cidade ao anoitecer, tudo ficava cada vez mais silencioso, as luzes nas janelas se apagavam gradualmente, e da casinha da Fada saíam os sininhos tão esperados e, para todos os cantos da cidade, chegavam aos pequenos sonhos lindos e bons.