Os Galos Briguentos
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Os Galos Briguentos

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Um conto autoral sobre dois galos que não conseguiam se acalmar, pois não sabiam qual deles era melhor e mais bonito, qual era mais briguento e tinha a voz mais forte. Somente o gato esperto e o ganso importante conseguiram acalmar os dois tolos.

Em uma aldeia, numa casinha que ficava perto de um riacho, no quintal viviam dois galinhos. Todos os dias no galinheiro, onde também moravam galinhas poedeiras e pintinhos pequenos, havia muito barulho porque esses dois galos viviam brigando e discutindo um com o outro.

E brigavam e se provocavam sempre por bobagens e detalhes insignificantes: um olhou de soslaio e sem simpatia, o outro gritou e cantou fora de hora.

Ora, por que vocês ficam implicando um com o outro o tempo todo? Um dia de sol tão lindo, e vocês de novo com essa história...

Perguntou o porquinho, enfiando seu focinho para fora da poça de lama onde se refestelava desde a manhã.

Não muito longe, no estábulo, estava a vaca mastigando tranquilamente seu capim.

Ela levantou a cabeça devagar e, arrastando as palavras, disse lentamente:

Mu-u-u, Mu-u-u! Que briguentos, que encrenqueiros! Por que eles não conseguem viver em paz e sossego?

E continuou mastigando o capim uniformemente.

Um dia os galos brigaram tão alto e por tanto tempo que todos os moradores do quintal foram obrigados a se reunir por causa do barulho.

Cocoricó! Cocoricó! Venham todos, nos julguem, por favor. Sozinhos não conseguiremos resolver de jeito nenhum!

Gritavam os galos com toda a força.

E então se reuniram os gansos importantes, as galinhas inquietas, os porcos preguiçosos também deixaram suas poças de lama favoritas e vieram para o centro do quintal. Todos os animais deixaram seus afazeres e cercaram os galos agitados.

Os rivais pararam por um momento, se afastaram um pouco, colocaram as asas na cintura e perguntaram aos vizinhos do quintal:

Julguem! Quem de nós é o mais bonito e o mais vistoso? Digam, mas só a verdade, sem esconder nada e sem enfeitar. Quem tem as penas mais brilhantes? Quem tem a cauda mais longa e fofinha? Quem tem a voz mais bonita?

Os animais e pássaros ficaram em silêncio, pensando em como responder corretamente às perguntas dos galos, como julgá-los. Ambos eram muito bonitos, ambos cantavam alegre e sonoramente... Um mais lindo que o outro, difícil escolher mesmo. Os animais pensaram por muito tempo, deliberaram, discutiram e, finalmente, enviaram um negociador aos galos que disputavam.

No meio do quintal saiu o gato.

O bichano eriçou sua cauda, alisou os bigodes, dos quais secretamente tinha muito orgulho, miou baixinho e falou:

Nós pensamos, pensamos, e decidimos o seguinte... Vocês dois, galinhos, são lindos de morrer. Todos por aqui sabem que não há galos melhores que os nossos em nenhum quintal de toda a aldeia, nem mesmo em toda a região.

Como assim?! Quer dizer que minhas penas são tão brilhantes, longas e bonitas quanto as do meu rival?

Eriçou-se um dos galos.

Então o segundo brigão fanfarrão bateu as esporas, arranhou a terra com as garras e disse:

E será que ele canta tão alto, sonoro e bonito quanto eu? Agora você vai ver!!

E os dois galos começaram a brigar de novo. A poeira subia em nuvens, penas bonitas voavam para os lados, gritos enchiam todo o quintal.

E quando a enorme nuvem de poeira baixou e pousou no chão, todos os moradores do quintal esfregaram os olhos, sacudiram a grossa camada de poeira e sujeira que apareceu depois da briga dos galos, e viram um espetáculo lamentável.

Ambos os rivais estavam sujos, com lixo nas asas, com penas arrancadas, caudas desgrenhadas. As cristas rasgadas pendiam para um lado, as patas arranhadas até sangrar, a respiração dos lutadores não se normalizava.

De cansaço, os dois galos se jogaram na poça de lama, exaustos, nem conseguiam falar, muito menos gritar e discutir direitos. Suas vozes estavam roucas de tanto gritar, dos bicos saía apenas um chiado doloroso.

Então saiu o ganso importante e disse:

O que vocês fizeram, lutadores fracassados? Ah, vocês, briguentos, convencidos, fanfarrões... Olhem agora cada um para si mesmo, e depois um para o outro. E quem de vocês agora é melhor, mais bonito, mais brilhante e tem a voz mais forte?

Os galos briguentos não conseguiram dizer nada em sua defesa.

Desde então, no quintal, e em toda a aldeia, ficou mais silencioso e tranquilo. Os galos não brigavam mais, não se gabavam um para o outro, e viviam em harmonia e paz.

E de manhã, revezando-se, limpavam suas penas brilhantes e soltavam seu sonoro e forte:

Cocoricó!

Cocoricó!

Cocoricó!

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