Havia uma vez uma menina pequena chamada Zhenya. Ela se considerava completamente adulta porque já ia à escola — para a primeira série. E isso significava que podia, como os adultos, deitar-se para dormir muito tarde.
A noite é o momento mais interessante: as lições estão feitas, nada impede mergulhar no mundo dos jogos, assistir desenhos animados, desenhar — enfim, fazer um monte de coisas diferentes. Zhenya simplesmente não conseguia entender por que, quando o momento mais intrigante do jogo chegava, a mãe a obrigava a ir dormir. Isso era tão injusto!
Zhenya, já é tarde — são nove horas. Você precisa escovar os dentes e ir para a cama. Amanhã tem escola, — lembrava a mãe insistentemente.
Ah, mamãe, eu não tenho sono nenhum. Agora vai começar a parte mais interessante! — exclamava a menina indignada. — E por que as pessoas precisam dormir mesmo? Eu não quero e posso ficar bem sem dormir.
Zhenya, como você não consegue entender, — insistia a mãe, — à noite seu corpo em crescimento não apenas descansa, mas também ganha forças e energia. Isso é necessário para que você passe o próximo dia alegre e animada. Porque você não dorme o suficiente, terá um desempenho ruim na escola, memorizará menos informações importantes e úteis. Ou até pode deixar seus amigos na mão no momento certo!
Que nada, mamãe! Eu durmo muito bem e sei muita coisa! — insistia Zhenya. — Logo vêm as férias de inverno, aí sim vou recuperar o sono!
E assim se repetia toda noite. A mãe tentava convencer a filha a ir para a cama, mas a menina recusava e ganhava tempo. Deitava-se e adormecia tarde.
O tempo voava. Eis que as festas de Ano Novo passaram, o inverno terminou. Na rua, a primavera reinava.
Zhenya, como sempre, discutia com a mãe à noite, que a obrigava a dormir na hora certa.
Um dia, na escola, decidiram fazer uma competição esportiva em que a turma de Zhenya e crianças de outras escolas participariam.
Zhenya, amanhã tem uma competição na sua escola. Lembro você — você participa do revezamento, — disse a mãe à menina, — então você precisa deitar-se mais cedo hoje e dormir bem. Para que amanhã tenha forças não apenas para correr, mas para vencer!
Mamãe, eu sempre tenho muita energia, você vai ver, vou chegar em primeiro lugar, — se gabou a filha.
A menina não deitou-se mais cedo. Ela precisava terminar de assistir a um desenho animado interessante, depois acabar de desenhar um quadro. E ainda a esperava um novo número de sua revista favorita, que precisava ler naquela noite. A menina adormeceu apenas perto da meia-noite.
De manhã, quando o despertador tocou, Zhenya não tinha muita vontade de acordar, seus olhos fechavam sozinhos e ela mergulhava no sono novamente e novamente.
A mãe já havia aberto as cortinas, o quarto ficou mais claro.
Zhenya não teve escolha a não ser acordar e ir ao banheiro se lavar. A menina não tinha forças nem para se vestir, só sonhava em voltar para sua cama morna e macia e adormecer.
Na escola, todos se mexiam. Até a professora, que as crianças sempre viam de vestido, estava vestida com um uniforme de educação física. Ela planejava ir para as arquibancadas para apoiar a turma durante a competição. Quatro escolas participavam dos revezamentos e todas queriam vencer.
A professora de educação física Ekaterina Alekseevna reuniu os participantes da competição, entre os quais estava Zhenya, e deu conselhos sobre como executar corretamente as tarefas no estádio.
Zhenya, tudo bem com você? — perguntou Ekaterina Alekseevna, vendo a expressão amargada da menina que não havia dormido o suficiente. — Você está tão triste.
Tudo bem! — respondeu Zhenya relutantemente. — Estou apenas nervosa.
E assim começaram os jogos: as crianças puxavam a corda, pulavam em sacos, e depois começou o revezamento com arco.
A equipe de Zhenya estava em segundo lugar. Os meninos precisavam vencer na última corrida para ganhar.
A menina não tinha mais forças, estava muito cansada. No revezamento decisivo, ela deveria correr ao redor de um cone com a bandeira na mão, voltar e passar a bandeira para o próximo jogador.
Quando a bandeira chegou nas mãos de Zhenya, ela não conseguiu dar nem um passo — caiu sem forças.
A menina foi levantada e levada para a enfermaria. A enfermeira a examinou cuidadosamente e chamou a mãe.
Sua filha está completamente saudável, mas está muito esgotada, — disse a enfermeira, — ela precisa dormir bem e estará de novo animada.
Na sala estava a professora de Zhenya, que também estava muito preocupada com a saúde da menina. Ela olhou para a mãe dela com desaprovação.
Por que você não coloca a criança para dormir na hora certa, especialmente antes de eventos tão importantes? — perguntou Ekaterina Alekseevna severamente.
Me desculpe, — disse Zhenya baixinho, — a mamãe não tem culpa, é por minha causa que nosso time perdeu hoje. Ontem eu não queria ir dormir, mesmo com a mamãe insistindo.
Zhenya entendeu que a mãe não estava apenas tentando convencê-la a dormir na hora certa toda noite. Hoje ela havia deixado seus colegas de classe na mão.
Se ela não dormir na hora certa, logo aparecerão notas ruins em seu boletim, porque o corpo não terá forças para estudar.