O Palácio de Doces
9 660

O Palácio de Doces

Autor:
Um conto autoral sobre como o pequeno João acabou em um palácio de doces que, por fora, era muito bonito. Mas ao entrar, o menino viu muitas coisas e entendeu que a vovó, a mamãe e o papai estavam certos…

João vivia em uma grande família unida em um pequeno vilarejo junto com a mãe, o pai e a avó. O menino era muito ativo, por isso passava os dias inteiros brincando na rua com seus amigos — jogava futebol, andava de bicicleta, corria para o rio para nadar e se divertir.

Toda vez que chegava a hora do almoço ou do jantar, a mãe tinha que passar horas chamando o menino para comer, especialmente se ela preparasse sopa ou caldo — de jeito nenhum João conseguia gostar dessa comida saudável e nutritiva. Mas havia exceções, quando o menino largava as brincadeiras e corria para casa. Isso acontecia quando a avó voltava da cidade e trazia doces para o neto — chocolates, pirulitos e balas.

Certo dia, em uma bela tarde, quando João brincava com seus amigos, a avó voltou mais uma vez de viagem. O menino sabia que todo sábado a vovó sempre o alegrava com alguma guloseima.

Sem terminar a brincadeira e vendo a avó descendo do ônibus, Joãozinho correu ao seu encontro gritando:

Vovozinha, queridinha, você trouxe algo gostoso e docinho para mim?

A avó com um sorriso no rosto respondeu:

Claro, meu querido netinho, trouxe chocolates e balas para você, estoquei para a semana toda. Mas não pode comer muitos, senão vai doer a barriguinha e os dentinhos vão estragar rapidinho.

Mas não foi bem assim, naquela mesma noite João se esgueirou escondido dos pais até a cozinha e discretamente encheu os bolsos com um monte de balas. Deitou-se confortavelmente em sua cama macia e quentinha e começou a devorar uma atrás da outra. Comeu todas as balas e dormiu.

E o menino teve um sonho muito estranho, mas interessante e colorido. Ele estava correndo com os amigos por um campo verde e de repente, olhando para trás, viu um belo palácio com placas brilhantes. Os amigos passaram correndo e desapareceram sem perceber, mas João ficou para trás, ficou muito curioso sobre o que havia naquele palácio.

Aproximando-se devagar do palácio, ele viu portões coloridos, enfeitados com as balas favoritas do menino, e foi como se algo o atraísse para lá. Pegando todos os doces e engolindo-os imediatamente, João decidiu seguir em frente, quem sabe encontraria algo mais gostoso.

De repente ele viu um palhaço, parado no centro do palácio. Nas costas ele carregava um saco enorme, e para todas as crianças que se aproximavam ele dava uma bala grande. João não pensou duas vezes e decidiu se aproximar, afinal ele também era criança e certamente ganharia algum doce.

Vendo o menino, o palhaço riu e disse com voz alegre:

E quem é esse pequenino que se aproximou? Como você se chama?

João.

Respondeu o menino.

E com quem você mora, João? Onde estão seus pais?

Em casa estão a mamãe, o papai e a vovó.

Joãozinho, você gosta de doces?

Claro que gosto, todas as crianças gostam de balas e chocolates.

E nós brincamos aqui com todas as crianças de uma brincadeira muito interessante. Não quer brincar com a gente?

Claro que quero, aqui é muito divertido.

Respondeu João.

Se você quer ganhar uma bala de presente, deve nos contar alguma poesia, cantar uma música ou dançar. Você está pronto?

Contava entusiasmado as regras da brincadeira o palhaço.

Eu aceito, na escolinha aprendemos muitas músicas e poesias.

Respondeu João ansiosamente.

Depois de recitar sua poesia favorita, o menino ganhou de presente um grande pirulito, que ele amava mais do que tudo, e decidiu dar uma olhada ao redor, talvez visse algo mais interessante. Tudo ao redor brilhava, as placas coloridas das lojas de doces atraíam o pequeno menino, mas ele tinha seu pirulito e decidiu apenas passear. De repente ele viu um menino pequeno sentado perto de uma porta.

João se aproximou dele e perguntou:

Oi, eu sou o João, o que você está fazendo aqui? Aconteceu alguma coisa? Por que você está tão triste?

Oi. Estou triste porque meu dentinho está doendo muito. A mamãe vai me levar ao médico agora, e eu estou com muito medo.

Respondeu o menino.

O que aconteceu?

Perguntou João.

Eu comi muitas balas, achava que era saudável e gostoso. Mas descobri que balas fazem mal e podem estragar nossos dentes.

Não fale bobagem. Balas não fazem mal nenhum, são a comida mais saudável e gostosa. E não precisamos de caldos, sopas e bifes!

Indignou-se João.

João ficou irritado e seguiu em frente. Aos poucos seu grande pirulito foi diminuindo e, finalmente, ele o terminou.

O que fazer agora?

Pensou João e saiu em busca de balas. De repente ele viu o palhaço com quem havia se encontrado há pouco tempo.

Feliz, o menino correu até ele e disse:

Terminei meu pirulito grande, posso ganhar outro? Vou cantar uma música muito bonita para você.

Claro que pode.

Respondeu o palhaço.

João cantou a música e ganhou uma barra de chocolate enorme.

Abrindo-a imediatamente, o menino seguiu em frente.

E de repente viu, perto do balanço, um menino e uma menina sentados e chorando.

O que vocês estão fazendo aqui? Por que estão chorando? Aconteceu alguma coisa?

Sim, nossos dentinhos estão doendo, e nossas mães vão nos levar ao médico agora, por isso estamos com medo.

Ah, só não me digam que é por causa das balas!

Indignou-se João.

Sim, sim, exatamente por causa das balas e chocolates.

Gritaram as crianças em uníssono.

Ah, como vocês me cansam. Todos falam a mesma coisa — não pode comer balas, os dentes vão doer. Tudo isso é mentira!

Gritou João ainda mais alto, virou-se e fugiu deles.

E então, depois de terminar a bala, João sentiu que seu dente também começou a doer, cada vez mais.

Será que essas crianças estavam falando a verdade? Será que as balas são realmente tão ruins? — pensou João.

O menino decidiu voltar para casa para que a dor não piorasse. Mas a cada minuto o dente começava a doer cada vez mais. E então em seu caminho ele encontra novamente o mesmo palhaço.

João correu até ele e disse:

Palhaço, me ajude, me diga por que os dentinhos das crianças pequenas doem?

Você não sabe? Meninos e meninas pequenos não podem comer muitas balas e chocolates.

Surpreendeu-se o palhaço.

Mas por que você me dá então, se você é tão esperto?

Porque as crianças, até entenderem por si mesmas, nunca vão acreditar nos pais, avós e avôs. Mas quando o dentinho dói, vocês entendem imediatamente que comer muitos doces faz mal. É assim que eu ajudo as crianças pequenas a entenderem isso.

E então João acordou. Felizmente seus dentinhos estavam completamente saudáveis, mas o menino ficou tão assustado que eles pudessem doer, que imediatamente correu para a cozinha, juntou todas as balas e as entregou aos adultos.

Deixar uma avaliação

O conto de fadas O Palácio de Doces está disponível no formato FB2 para celulares, tablets, computadores e leitores de e-books.
Comentários()
Contos semelhantes
Família Unida — Barreira Contra Problemas e Infortúnios
Família Unida — Barreira Contra Problemas e Infortúnios
Um conto autoral para o vencedor do concurso, que conta sobre uma aventura inesperada de toda uma família. Nele haverá uma bruxa velha, um naufrágio, água da vida, a separação das crianças dos pais e muito mais. Mas conseguiram superar tudo graças à união familiar.
8 477 9
O Botão Perdido
O Botão Perdido
Um conto sobre uma menina chamada Nadia que não dava importância às suas pequenas ações que guardavam bondade e dedicação. Mas o coração bondoso da menina não permitiu que ela ficasse indiferente ao descobrir o sofrimento alheio
5 769 6
Pela Rota do Bolinho
Pela Rota do Bolinho
Um conto autoral reimaginado sobre o vovô, a vovó e o bolinho. O vovô pediu à Vovó que assasse um bolinho. A Vovó não conseguiu fazer isso porque não tinha os ingredientes necessários. Ela assou um bolinho e o colocou na janela para absorver o creme. O bolinho, depois de absorver o creme, desceu da janela e seguiu pela rota do Bolinho, encontrando os mesmos conhecidos de sempre.
5 524 7 3
O Presente Inesperado
O Presente Inesperado
Na vida de cada pessoa pode acontecer uma verdadeira mágica, porém nem todos entendem e usam corretamente o presente que o destino lhes deu. Este conto um pouco triste fala sobre como é importante fazer a escolha certa para não se arrepender do que foi feito. Sobre um menino, um gatinho, um tablet e, claro, com um final feliz.
20 052 8
Nada aqui ainda.

Use 🔊
para adicionar um conto
ao reprodutor

Quer ser notificado sobre novos contos de fadas?