O Menino Preguiçoso e o Albino
5 041

O Menino Preguiçoso e o Albino

Autor:
Um conto moderno sobre como o menino preguiçoso Pedro caiu em sua própria armadilha na ilha dos Albinos.

No oceano, bem no meio das águas profundas e azul-escuras, havia uma pequena ilha. A flora e a fauna ali eram diversificadas. Muitos pássaros diferentes, animais exóticos e outras criaturas viviam lá há muitos anos. Também havia na ilha muitas plantas bonitas e únicas, que eram coloridas com todas as cores do arco-íris. Lá cresciam palmeiras, cactos enormes e até baobás.

E nessa ilha também viviam pessoas, e entre elas vivia um menino muito preguiçoso chamado Pedro. Ele não gostava nada de trabalhar e passava o dia inteiro deitado, virando de um lado para o outro.

Quando todos os moradores se reuniam para pescar, para pegar peixe para o almoço, Pedro ficava deitado debaixo de uma palmeira alta e frondosa e dizia:

Vão, vão, trabalhem. E quando pegarem um monte de peixe, aí sim me chamem, porque estou com muita fome.

Como pode ser assim? O dia inteiro sem fazer nada, mas na hora de comer é o primeiro a aparecer. Não está certo agir assim, afinal aqui na ilha tem muitos idosos para quem é difícil pescar e caçar.

Reclamavam os moradores.

Mas eu não quero trabalhar. Para mim está ótimo assim!

Respondia o garoto com cara de deboche.

Assim se passavam meses, anos. Pedro não só não ajudava os mais velhos, como se recusava terminantemente a estudar. Na ilha havia uma pequena escola, onde estudavam apenas sete crianças. Elas aprendiam a ler, escrever, matemática e ciências naturais. Pedro nunca frequentava as aulas. Ele tinha planos completamente diferentes. O menino queria muito encontrar um trabalho em que quase não precisasse trabalhar, mas ganhasse muito dinheiro.

Não existe, Pedro, um trabalho assim, em que não se precisa fazer nada.

Diziam todos ao redor.

Mas eu vou enganar todo mundo e vou encontrar exatamente essa ocupação — "não fazer nada".

Num belo dia, uma forte neblina se instalou ao redor da ilha. O oceano desapareceu completamente de vista, apenas uma névoa densa se erguia sobre a praia, e mesmo à distância de um braço estendido não se via nada.

Não restou às pessoas nada a fazer senão ir dormir. Com esse tempo, elas não podiam pescar, e também era impossível ir caçar — só havia neblina por toda parte.

A noite passou. Bem cedo pela manhã, todos começaram a acordar aos poucos e viram que perto da ilha se erguiam estranhas montanhas rochosas altas, desconhecidas até então.

Pessoal, olhem, o que é isso?

Exclamou um dos moradores da ilha.

Espreguiçando-se preguiçosamente, Pedro saiu de sua cabana. Ele se alongou, coçou a nuca e disse:

Ah, deve ser um sonho! Puxa, como dormi pesado, estou sonhando com tudo isso!

Não, não é sonho, é uma ilha de verdade. Só que de onde ela veio, se antes não estava aqui?

As pessoas se admiravam.

Então Pedro, esfregando bem os olhos, olhou para longe com mais atenção. E realmente, no horizonte ele viu uma nova ilha, na qual se erguiam grandes montanhas rochosas.

Que maravilha! E será que vive alguém lá?

Ele gritou.

Precisamos chegar mais perto de barco e descobrir se tem alguém lá, ou se essa ilha é deserta.

Ah, podem ir sem mim. Vão ter que remar no barco, e eu não nasci para isso. Eu quero me dedicar ao "não fazer nada", e esses exercícios físicos de vocês com os remos não são para mim.

Declarou Pedro desanimado.

Vários companheiros se juntaram, levaram o barco para a água, pegaram os remos e remaram em direção à nova ilha. Passou-se um dia, e finalmente as pessoas voltaram.

Vocês não vão acreditar no que vão ouvir! Nessa ilha vivem pessoas, só que elas são completamente diferentes de nós!

Gritou um deles.

O que quer dizer completamente diferentes? Eles têm quatro braços ou duas cabeças?

Pedro riu.

Não, os braços e cabeças deles são iguais aos nossos. Só que os cabelos, sobrancelhas, cílios — tudo isso neles é de cor branca. Que interessante, nunca vi pessoas assim!

Contou um dos rapazes.

Eu me lembrei! Há muito tempo me contaram que pessoas com essa cor de cabelo, sobrancelhas e cílios são chamadas de albinos. Eles são um pouco diferentes de nós na aparência, mas no geral são iguais a nós. Eles sabem falar, também podem trabalhar, estudar, conversar, comer, dormir como nós. Mas hoje no mundo não há tantas pessoas assim como nós.

De repente se ouviu de debaixo de uma pequena palmeira.

Ah, essa é minha chance! Inventei uma ocupação para mim. Vou remar até essa ilha, vou atrair um desses albinos para cá, vou colocá-lo numa cerca e vou mostrá-lo para todo mundo por dinheiro.

De repente gritou Pedro.

O que você está inventando? Será que pode tratar as pessoas assim? Será que você não tem pena de ninguém, só de si mesmo? Afinal, para viver bem, não é preciso ser preguiçoso e tratar mal os outros, basta simplesmente trabalhar e ser feliz.

Indignou-se uma mulher.

Nem pensar! Se eu colocá-lo numa cerca, não vou precisar fazer mais nada. O dinheiro vai cair sozinho no meu bolso, e eu só vou ficar deitado dando ordens.

Pedro manteve sua posição.

Todas as pessoas na ilha apenas ignoravam o menino. Ninguém podia imaginar que numa noite escura Pedro realmente se decidiria e remaria até a nova terra em busca de um albino único.

O menino atracou o barco, desembarcou na praia e partiu em busca das pessoas desconhecidas para ele.

Quem é você?

De repente se ouviu uma voz assustada.

Eu sou seu amigo! Vim convidá-lo para me visitar. Na nossa ilha tem muitas pessoas, e podemos ser amigos.

Pedro respondeu rapidamente.

A voz do menino era tão maliciosa que o albino desconfiou de algo. Então o homem branco decidiu ser esperto também. Ele convidou Pedro para provar frutas deliciosas e só depois ir visitar o novo amigo.

Eles entraram numa pequena cabana, onde o albino ofereceu a Pedro um pouco de descanso. O menino preguiçoso aceitou, afinal essa era sua ocupação favorita. Fechando os olhos, ele adormeceu imediatamente. E quando acordou, descobriu que suas pernas estavam acorrentadas a uma grande palmeira.

Agora vou mostrar você para todo mundo!

O albino riu.

E assim o preguiçoso Pedro viveu toda a sua vida na ilha dos albinos debaixo de uma grande palmeira verde.

Deixar uma avaliação

O conto de fadas O Menino Preguiçoso e o Albino está disponível no formato FB2 para celulares, tablets, computadores e leitores de e-books.
Comentários()
Contos semelhantes
Família Unida — Barreira Contra Problemas e Infortúnios
Família Unida — Barreira Contra Problemas e Infortúnios
Um conto autoral para o vencedor do concurso, que conta sobre uma aventura inesperada de toda uma família. Nele haverá uma bruxa velha, um naufrágio, água da vida, a separação das crianças dos pais e muito mais. Mas conseguiram superar tudo graças à união familiar.
8 478 9
O Botão Perdido
O Botão Perdido
Um conto sobre uma menina chamada Nadia que não dava importância às suas pequenas ações que guardavam bondade e dedicação. Mas o coração bondoso da menina não permitiu que ela ficasse indiferente ao descobrir o sofrimento alheio
5 770 6
Pela Rota do Bolinho
Pela Rota do Bolinho
Um conto autoral reimaginado sobre o vovô, a vovó e o bolinho. O vovô pediu à Vovó que assasse um bolinho. A Vovó não conseguiu fazer isso porque não tinha os ingredientes necessários. Ela assou um bolinho e o colocou na janela para absorver o creme. O bolinho, depois de absorver o creme, desceu da janela e seguiu pela rota do Bolinho, encontrando os mesmos conhecidos de sempre.
5 525 7 3
O Presente Inesperado
O Presente Inesperado
Na vida de cada pessoa pode acontecer uma verdadeira mágica, porém nem todos entendem e usam corretamente o presente que o destino lhes deu. Este conto um pouco triste fala sobre como é importante fazer a escolha certa para não se arrepender do que foi feito. Sobre um menino, um gatinho, um tablet e, claro, com um final feliz.
20 053 8
Nada aqui ainda.

Use 🔊
para adicionar um conto
ao reprodutor

Quer ser notificado sobre novos contos de fadas?