No sótão de um pequeno prédio de apartamentos vivia uma gata com seu pequeno gatinho ruivo. Eles não tinham donos e, por isso, a mãe gata precisava conseguir alimento para si mesma e para o pequeno gatinho sozinha. A vida era difícil para a mãe gata, pois em uma grande cidade não é fácil conseguir comida por conta própria. Felizmente, às vezes pessoas bondosas traziam tigelas com comida variada. Ou conseguia pegar um passarinho. Às vezes, tinha que dormir com fome.
Embalando seu gatinho para dormir, a mãe gata limpava seu pelo com a língua, e o pequeno novelo de pelos ronronava.
Mamãe, me conta uma história!
Pedia o gatinho.
Sobre um príncipe corajoso e gatos feiticeiros!
E a gata começou a contar sua história com uma voz morna e tranquila.
Há muito tempo, em um grande castelo, vivia um jovem príncipe que desde o nascimento era muito curioso. Ele se interessava por tudo, adorava andar a cavalo e brincar com os cães da corte. Mas havia uma coisa que o deixava muito triste: seu pai, o Rei, e sua mãe, a Rainha, não o deixavam sair dos limites do castelo. E ele queria saber o que havia lá fora.
O pequeno príncipe subia na torre mais alta e olhava para longe, onde via uma floresta, e atrás da floresta havia um pequeno rio. Muitos pássaros e animais. E o jovem e corajoso herói queria muito visitar esses lugares e ver tudo de perto, caçar coelhos, tocar a água fria do rio.
E então, um dia, um funcionário do castelo saiu pelo portão e esqueceu de fechá-lo. O príncipe não resistiu e saiu pelo portão. Só que lá fora já estava começando a escurecer, mas o corajoso menino não se deixou desanimar. Ele se dirigiu em direção à floresta, balançando sua espada de madeira, corria e estava feliz por estar livre, respirando o aroma das ervas aromáticas do prado. O príncipe desfrutava do que lhe parecia ser liberdade.
Mas assim que o menino entrou na floresta, um grande corvo negro se lançou sobre ele. Batia as asas, grasnava alto, tentava bicar com seu poderoso bico o príncipe assustado. Não era um corvo comum, mas um feiticeiro malvado que há muito tempo esperava que o jovem príncipe saísse dos limites do castelo.
O menino começou a correr para dentro da floresta para se esconder entre as árvores do pássaro furioso, mas o corvo não desistia. O príncipe correu para um pequeno claro no fundo da floresta. No centro do claro havia um grande toco, e nele estavam sentados dois grandes gatos. Ao menino pareceu que os olhos desses gatos brilhavam com uma luz verde. Surpreendentemente, ele nem ficou assustado, mas sim alegre quando os viu.
Os gatos olharam fixamente para o corvo negro, e ele pareceu congelar no ar.
Pequeno príncipe!
Disse um dos gatos com uma voz aveludada.
Esconda-se rápido atrás de nós e não espreite!
Acontece que não eram gatos comuns, mas gatos feiticeiros. A avó uma vez havia contado ao pequeno príncipe sobre eles. Ela dizia que esses gatos ajudam a todos que caem em desgraça.
O menino se escondeu atrás do toco onde os gatos estavam sentados, sentiu que o envolviam como uma teia fina de galhinhos que apareceram do nada. O menino se tornou completamente invisível contra o fundo da floresta verde. O feiticeiro malvado, recuperando-se do esquecimento, não o viu, voou para longe do claro.
O príncipe passou a noite toda com os gatos, que o aqueciam. E na manhã seguinte, quando amanheceu, o corajoso menino se preparou para voltar ao castelo. Ele decidiu que nunca mais sairia pelo portão sem a companhia de adultos.
Os gatos mágicos tiveram medo de deixar o menino ir sozinho, então o acompanharam até os portões do castelo. O Rei e a Rainha viram o filho de longe, correram para encontrá-lo, pois passaram a noite toda acordados e se desgastaram procurando pelo pequeno príncipe.
O menino abraçou seus pais, pediu desculpas por ter saído do castelo sem permissão, violando assim sua proibição. Ele jurou que dali em diante sempre obedeceria aos seus ensinamentos, pois eles queriam apenas o seu bem.
O menino contou sobre suas aventuras na floresta e como os gatos feiticeiros o salvaram do malvado corvo feiticeiro. O Rei ofereceu aos bons gatos que ficassem no castelo, prometeu alimentá-los bem com comida deliciosa e acariciá-los à noite. Os gatos concordaram com essa oferta agradável e ficaram para viver perto das pessoas.
Ouvindo a história da mãe gata, o gatinho adormeceu, ronronando enquanto dormia. Ele era corajoso e destemido, não tinha medo de nada, pois sua mãe estava com ele.
De manhã cedo, quando ainda não havia amanhecido completamente, o pequeno gatinho ruivo acordou, sua mãe não estava por perto, provavelmente tinha saído para conseguir comida. O pequeno curioso espiou pela janela do sótão, passou as patinhas pela grade, e se viu no telhado, que estava úmido e escorregadio após o orvalho noturno.
As patinhas escorregaram, e o gatinho começou a rolar para baixo. Felizmente, perto da casa havia um velho carvalho cujos galhos chegavam aos últimos andares. O gatinho milagrosamente conseguiu se agarrar a um galho e depois de um tempo se viu no chão.
O pequeno novelo se viu na rua sozinho pela primeira vez. Por toda parte havia movimento, pessoas correndo para seus afazeres, barulho de carros.
O gatinho ficou assustado, não sabia para onde ir, de medo correu pelo pátio, quase foi pisado várias vezes. Sentou-se perto de um banco e ficou completamente desorientado. Ele se perdeu, o gatinho estava com medo, o que fazer, pois tinha completamente esquecido o caminho de volta para casa.
Vendo do outro lado da rua um prédio de apartamentos, o gatinho decidiu que era sua casa e que sua mãe estava lá. Correu naquela direção, mas ao sair para a rua, quase foi atropelado por um carro que passava. Felizmente o motorista notou a tempo e parou.
Tendo chegado ao pátio da casa, o gatinho sentou-se perto de uma das entradas, pensando no que fazer a seguir. Então a porta da entrada se abriu, de lá saiu um grande cachorro, que correu latindo alto em direção ao pequeno animal peludo, pronto para atacá-lo.
O pobre gatinho, ainda mais assustado, começou a correr, e não muito longe, no estacionamento, havia um carro com a porta aberta. Foi para lá que nosso herói pulou, fora de si de medo. E o cachorro continuava correndo ao redor, latindo alto.
O dono do carro, que naquele momento estava colocando coisas no porta-malas, ouvindo o latido do cachorro, olhou para o interior do carro. Ele espiou para dentro e viu como o pequeno gatinho ruivo estava encolhido no banco, se escondendo do cachorro malvado.
Que descoberta inesperada!
Sorriu o homem.
Bem, já que você entrou no meu carro, vou ter que ficar com você! Além disso, hoje é o aniversário de minha neta e ela ficará feliz com esse presente!
Masha, veja que presente eu trouxe para você!
Chamou o avô pela neta.
Ele mesmo entrou no meu carro, se escondendo do cachorro!
Vovô, hoje todos os meus sonhos estão se realizando!
Gritou Masha com entusiasmo.
Este é o melhor presente que eu poderia imaginar! Vou chamá-lo de Ruivinho!
Assim o pequeno gatinho curioso encontrou sua dona e ficou para viver com as pessoas. A mãe gata procurou por seu filho desobediente por muito tempo, mas quando soube que ele tinha uma casa aconchegante e donos carinhosos, ficou muito feliz. Afinal, seu pequeno gatinho sempre seria bem alimentado e aquecido pelo amor.